Apple eleva preços de iPads e MacBooks em quase 20% em todo o mundo por causa do custo de chips

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MacBook Pro M5 Pro

MacBook Pro M5 Pro - Divulgação

A Apple anunciou o aumento dos preços de seus MacBooks e iPads globalmente, uma medida que reflete a escalada nos custos de chips de memória e armazenamento no mercado.

A gigante da tecnologia informou reajustes de quase 20% em alguns de seus laptops e tablets, atribuindo a decisão a um “desafio sem precedentes” na indústria eletrônica. Esse cenário é impulsionado por uma “extraordinária alta” na demanda por chips, essenciais para alimentar os centros de dados de inteligência artificial.

“Nunca presenciamos um componente ter seu custo tão elevado e em tão pouco tempo”, declarou a empresa, garantindo que está “trabalhando incansavelmente para encontrar soluções” para a questão.

Mesmo com a exclusão dos iPhones dos recentes aumentos, o analista de tecnologia Paolo Pescatore observou que essa movimentação da Apple sinaliza que “o avanço da IA está agora impactando a eletrônica de consumo de forma mais ampla”.

Os reajustes da Apple se somam a uma série de outras companhias que também elevaram os valores de seus produtos para compensar a crescente despesa com hardware.

A maior parte da valorização nos componentes de memória e armazenamento, em especial a RAM – um tipo crucial de memória de computador –, é associada diretamente à expansão dos centros de dados necessários para o desenvolvimento da inteligência artificial.

De acordo com especialistas do setor, essa situação gerou um desequilíbrio significativo entre a oferta e a demanda, resultando em custos mais altos para todos os envolvidos.

MacBook – Andrii Anna photographers / Shutterstock.com

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), líder mundial na fabricação de chips, igualmente reportou que a inflação está elevando os custos de suas operações.

Em entrevista à BBC no início de junho, Wendell Huang, da TSMC – empresa que produz chips para grandes nomes como Nvidia, AMD e Apple – não descartou futuros aumentos de preços, dada a persistência dos custos elevados.

Para Pescatore, as ações da Apple ilustram a magnitude dos desafios enfrentados “até mesmo pelas maiores empresas de tecnologia do planeta”.

“Este é um momento marcante, pois nem mesmo a Apple, com sua vasta escala e poder de compra, está mais imune ao encarecimento de componentes essenciais”, explicou o analista à BBC.

Entre os produtos impactados, um MacBook Pro com 1 terabyte de armazenamento teve seu valor reajustado de US$ 1.699 para US$ 1.999 na loja americana.

Já no Reino Unido, um modelo de laptop mais acessível da Apple teve seu preço elevado de £599 para £699 poucos meses após seu lançamento.

“Até o momento, conseguimos proteger nossos clientes desses aumentos, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a reajustar os preços de diversos produtos, incluindo os aumentos de hoje para iPad e Mac”, afirmou a empresa em comunicado oficial.

David Naranjo, da empresa de pesquisa de mercado Counterpoint, prevê que outras marcas de PCs e tablets seguirão o exemplo da Apple e também elevarão seus preços.

“Eles podem optar por aumentar os preços de produtos específicos, reduzir os descontos em modelos de entrada ou reorganizar suas linhas de produtos para dar maior foco a dispositivos premium”, detalhou Naranjo.

Dipanjan Chatterjee, vice-presidente e analista principal da Forrester, empresa de pesquisa de mercado, expressou sua crença de que a fiel base de clientes da Apple absorverá o impacto financeiro com poucas reclamações.

“Se existe uma empresa capaz de superar um aumento de preços com o mínimo de repercussão negativa, essa empresa é a Apple”, completou Chatterjee.

Tim Cook, o atual CEO da Apple, já havia sinalizado essas mudanças, declarando ao Wall Street Journal no início de junho que os reajustes de preços eram “inevitáveis” diante da situação “insustentável” envolvendo os chips de memória.

“Precisamos, sem dúvida, que os preços e a oferta de memória voltem a patamares razoáveis para produtos de consumo. Essa é a questão fundamental”, disse ele à publicação.

A disparada nos custos tem afetado uma vasta gama de empresas e produtos em todo o setor de tecnologia, englobando desde PCs até consoles de videogame.

Na última segunda-feira, a Valve, gigante dos jogos, informou que seu objetivo inicial de preço para o PC gamer Steam Machine “não era mais viável”, lançando o produto, por isso, por £879 no Reino Unido e US$ 1.049 nos Estados Unidos.

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