Ascensão de Vinicius Jr.: de frustração com Tite a estrela da seleção sob o comando de Ancelotti
Às vésperas da Copa do Mundo, em abril de 2022, o então técnico da Seleção Brasileira, Tite, buscou uma estratégia para aprimorar o desempenho de um jovem talento em seu elenco. Em uma atitude incomum, ele consultou um colega de profissão para otimizar a performance de Vinicius Jr.
“Pedi conselho ao Ancelotti para ajudar [o Vini Jr.] a jogar como em Madri”, afirmou o treinador brasileiro ao jornal Marca. A conversa focou em táticas ofensivas que concederiam maior liberdade criativa ao jogador, demonstrando a intenção de ambos os técnicos em extrair o melhor potencial do atleta.
Contudo, Tite não conseguiu implementar plenamente os ensinamentos. Vinicius Jr. atuou como titular durante todo o Mundial, mas foi substituído no momento crucial da prorrogação contra a Croácia. Alguns anos depois, o próprio Carlo Ancelotti teria a oportunidade de testemunhar a plena evolução do craque.
Ao assumir a Seleção Brasileira em maio de 2025, Carlo Ancelotti encontrou um Vinicius Jr. com números modestos, somando apenas seis gols em 39 partidas pela equipe nacional. Em cerca de um ano, o técnico italiano conseguiu lapidar o atacante, revelando sua melhor versão.
Sob a orientação de Ancelotti, Vinicius Jr. já marcou sete gols em 13 jogos pela Seleção, superando o total de gols que havia feito com todos os técnicos anteriores combinados. Esse impacto já era visível no Real Madrid, onde, antes da chegada do italiano, o jogador era visto como um ponta com eficácia limitada, e depois acumulou 90 gols em 198 jogos.
“É gratificante, pois eu não tinha dúvidas de como ele poderia chegar a essa Copa do Mundo”, declarou Ancelotti. O comandante ainda elogiou a performance do jogador com a camisa da Seleção e destacou um gol de cabeça “muito raro para ele”, classificando Vini como “um dos melhores do mundo”, após a vitória por 3 a 0 sobre a Escócia.
A campanha de Vinicius Jr. na atual Copa do Mundo tem sido espetacular. Ele deixou sua marca nos três jogos da fase de grupos, um feito notável que, na história da Seleção Brasileira em Mundiais, só havia sido alcançado por Preguinho (1930), Didi (1954), Jairzinho (1970), Romário (1994) e pela dupla Ronaldo e Rivaldo (2002).
Essa ascensão também é resultado de uma adaptação tática na posição em campo. Ancelotti transformou Vini Jr. de um ponta-esquerda tradicional para um atacante com ampla liberdade de movimentação, frequentemente atuando pelo centro, onde sua performance tem sido altamente positiva.
“Ele está em uma condição excelente. Acredito que a equipe permite que ele descanse quando não estamos com a posse de bola. Ele não precisa se desgastar muito sem a bola, o que o mantém mais fresco quando a temos”, explicou Ancelotti, reconhecido por sua capacidade de extrair o máximo do potencial de Vinicius Jr.

















