Petroleiros retomam travessia no Estreito de Ormuz em meio a plano da ONU e alertas do Irã

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Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz - IvanSpasic/ iStock

Navios-tanque retomaram a travessia pelo Estreito de Ormuz em volume significativo, utilizando uma rota ao longo da costa de Omã que foi promovida por uma agência marítima das Nações Unidas. Esse movimento acontece mesmo com as advertências do Irã sobre a segurança das passagens. O estreito é um canal marítimo vital para o transporte global de petróleo, e sua estabilidade é crucial para o mercado de energia.

Tráfego de navios-tanque registra crescimento expressivo

Dados recentes da empresa de análise Kpler indicam que as travessias confirmadas no Estreito de Ormuz aumentaram para 70 em um único dia. Esse número representa um incremento de 105% em comparação com o dia anterior. A maioria desses trânsitos foi realizada por embarcações comerciais classificadas como de baixo risco, demonstrando uma cautela geral no transporte.

Estratégia da ONU para reforçar a segurança na região

A Organização Marítima Internacional (IMO), agência da ONU, lançou uma operação de evacuação para mais de 11.000 marítimos que estavam na área do estreito. O plano visa restaurar a confiança e o tráfego aéreo na região, que é responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo. A iniciativa da IMO busca mitigar os riscos e garantir a continuidade das operações.

Pelo esquema estabelecido, as embarcações podem optar por duas rotas distintas para atravessar o estreito. Uma delas segue pela costa norte, mais próxima do litoral iraniano, enquanto a outra utiliza as águas de Omã e dos Emirados Árabes Unidos na rota sul. Após contatarem os centros de operações marítimas, as embarcações realizam sua própria avaliação de risco antes de escolherem a passagem. A IMO tem como meta elevar o número de trânsitos para os níveis anteriores ao conflito, que giravam em torno de 130 por dia.

Arsenio Dominguez, secretário-geral da IMO, afirmou que a organização atuará em colaboração estreita com o Irã, Omã, outros países costeiros, os Estados Unidos e a indústria marítima para implementar o plano de evacuação. A medida busca reduzir a tensão e as fatalidades, já que 14 marítimos perderam a vida no estreito desde o início do conflito entre EUA-Israel e Irã.

Tensões persistentes: alertas do Irã e rotas consideradas “seguras”

Apesar do plano da ONU e do aumento do tráfego, o Irã mantém sua postura vigilante sobre o controle do estreito. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, agência iraniana responsável pela gestão do canal, exige que todas as embarcações possuam uma permissão válida para transitar. Essa exigência reforça a soberania iraniana sobre uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.

Simultaneamente, a marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) declarou que apenas os canais designados pelo Irã são considerados “rotas seguras” para a passagem. Essa declaração, reportada pela Agência de Notícias da República Islâmica, gera um novo ponto de atrito. A empresa Kpler já alertou que a proibição do IRGC ao uso da rota de Omã “poderia criar uma nova fonte de contenção” na região, mesmo após um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã ter gerado um “impulso de confiança de curto prazo” ao suspender o bloqueio naval a portos iranianos.

Implicações no mercado global de petróleo e nos preços da gasolina

Apesar da intensificação das atividades no Estreito de Ormuz e das tensões geopolíticas, os preços do petróleo no mercado internacional têm apresentado quedas. O barril do Brent Crude, referência global, está sendo negociado abaixo de US$ 74, valor que se alinha com os patamares pré-conflito. Da mesma forma, o West Texas Intermediate (WTI) crude está abaixo de US$ 71 por barril.

Essa redução nos valores do petróleo tem um reflexo direto nas bombas de combustível nos Estados Unidos. O preço médio nacional da gasolina regular caiu para menos de US$ 3,92 por galão, conforme dados da AAA. Esse valor é significativamente inferior aos mais de US$ 4,50 registrados um mês antes. O especialista em petróleo Patrick De Haan observou que os preços da gasolina nos EUA estão diminuindo 5% mais rápido do que em 2022, quando os custos dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia, indicando uma recuperação mais ágil do mercado.

O Estreito de Ormuz: um ponto crítico global

A importância estratégica do Estreito de Ormuz vai além dos números do transporte de petróleo. Sua localização geográfica o torna um gargalo essencial que conecta os principais produtores de petróleo do Golfo Pérsico ao restante do mundo.

  • Ponto estratégico: Liga o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e, consequentemente, ao Oceano Índico.
  • Fluxo de petróleo: Cerca de 20% do volume de petróleo consumido globalmente passa por essa via, além de um terço do gás natural liquefeito (GNL).
  • Produtores dependentes: Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e o próprio Irã dependem diretamente do estreito para escoar sua produção.
  • Segurança energética: Qualquer interrupção no Estreito de Ormuz pode causar um impacto imediato e significativo na oferta global de energia, levando a aumentos drásticos nos preços do petróleo e instabilidade econômica mundial.

A dinâmica atual no Estreito de Ormuz reflete a complexa interação entre a segurança marítima internacional, os interesses geopolíticos de grandes potências e a economia global. O plano da ONU, juntamente com as advertências do Irã, sublinha a fragilidade e a importância desse corredor vital para o comércio e a energia.

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