Recordes de calor são superados na Alemanha, Dinamarca e República Tcheca em onda que assola a Europa

Calor, sol, verão

Calor, sol, verão - Tao Jiang/shutterstock.com

O continente europeu experimentou mais um período de calor intenso, com sucessivos recordes de temperatura registrados em diversas nações durante este sábado.

A Alemanha estabeleceu uma nova marca histórica de calor pelo segundo dia seguido, com termômetros alcançando a temperatura provisória de 41,5°C.

Neste sábado, Dinamarca e República Tcheca também registraram picos históricos, enquanto a onda de calor atípica para o início do verão avançava para regiões do norte e leste do continente, impactando um número maior de habitantes.

Cerca de 150 milhões de indivíduos na Europa estão submetidos a temperaturas que excedem os 35°C. A Organização Meteorológica Mundial emitiu um alerta, indicando que este fenômeno climático provocará “impactos significativos” tanto na saúde humana quanto nos ecossistemas.

Ondas de calor, iniciadas na Península Ibérica, foram ligadas à morte de centenas de pessoas ao longo da última semana.

O Serviço Meteorológico Alemão reportou que a marca preliminar de 41,5°C no país foi apurada em Möckern-Drewitz, localizada no estado da Saxônia-Anhalt, na porção leste do território.

Essa leitura superou a marca anterior de 41,3°C, que havia sido estabelecida apenas um dia antes em Saarbrücken, cidade próxima à fronteira francesa.

“Este não é um verão agradável. É uma crise de saúde”, afirmou Katrin Goering-Eckardt, política alemã e ex-líder do Partido Verde, por meio do canal X.

Medidas para aliviar o calor em Berlim

Na capital alemã, a polícia empregou dois canhões de água para dispersar névoa sobre a população, buscando oferecer algum frescor.

A iniciativa dos canhões de água proporcionou alívio considerável para muitos moradores em Berlim.

Novos picos de temperatura na República Tcheca e Dinamarca

A República Tcheca também alcançou sua máxima histórica de temperatura neste sábado, com a estação meteorológica de Doksany, ao norte de Praga, marcando 40,8°C, conforme divulgado pelo serviço meteorológico nacional (CHMI).

Meteorologistas dinamarqueses anunciaram que um valor provisório de 37°C foi anotado em Odum, próximo a Aarhus. Este número ultrapassa o recorde prévio de 36,4°C, registrado em 1976.

Suíça bate recorde e a causa da “cúpula de calor”

A Suíça, por sua vez, rompeu o próprio recorde de temperatura máxima para o mês de junho pelo terceiro dia consecutivo, com termômetros em Basileia, no norte, atingindo 39°C neste sábado.

O meteorologista chefe da BBC, Ben Rich, explicou que “esta onda de calor excepcional foi provocada por uma área persistente de alta pressão com deslocamento lento, conhecida como ‘cúpula de calor'”.

Ele detalhou que “sob o sistema de alta pressão, o ar em descendência é comprimido e aquecido, elevando as temperaturas continuamente a cada dia”.

“O céu permaneceu majoritariamente sem nuvens, o que possibilitou ao sol intenso aquecer ainda mais a atmosfera”, complementou.

Impactos na saúde e as advertências de especialistas

Na França, o número de óbitos por afogamento aumentou para pelo menos 55 desde o início da onda de calor. Calcula-se que dois terços dessas fatalidades ocorreram em locais de banho sem a devida supervisão.

Na Espanha, o sistema de monitoramento MoMo contabilizou 327 mortes potencialmente ligadas ao calor entre o último domingo e a quinta-feira.

Um ponto crucial é que a Europa emerge como o continente com o ritmo de aquecimento mais acelerado globalmente. Isso se deve a uma combinação de fatores, notavelmente o rápido degelo do Ártico e as transformações nos padrões da corrente de jato, intensificando a frequência e a severidade de eventos extremos como o atual.

Especialistas da World Weather Attribution declaram que uma onda de calor com essa intensidade e ocorrendo tão precocemente no verão seria, de fato, quase inviável há cinco décadas.

Eles afirmam, sem hesitação, que as alterações climáticas são “inequivocamente” as responsáveis.

O meteorologista Ben Rich, da BBC, prevê que o calor extremo persistirá durante o fim de semana e se estenderá até a próxima segunda-feira, com a possibilidade de temperaturas superiores a 40°C em algumas regiões.

Contudo, o especialista acrescenta que condições climáticas mais amenas, provenientes do oeste do continente, avançarão gradualmente para leste, prometendo um certo alívio até o final da semana.

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