Pessoas heterossexuais podem integrar a comunidade LGBTQIAPN+: desvendando identidade de gênero e orientação sexual
A sigla LGBTQIAPN+ compreende uma vasta gama de comunidades e identidades que, apesar de fazerem parte de um movimento unificado, possuem experiências e características distintas, como a orientação sexual e a identidade de gênero de cada indivíduo.
Nesse panorama mais amplo da diversidade, uma questão frequentemente surge: é possível que indivíduos heterossexuais estejam inseridos na comunidade LGBTQIAPN+? À primeira vista, essa possibilidade pode soar incomum, mas a resposta é afirmativa. Para esclarecer essa dinâmica, a psicóloga Jaqueline Gomes de Jesus, conselheira do Conselho Federal de Psicologia (CFP), forneceu explicações detalhadas.
Jaqueline destaca que a utilização da sigla LGBTI+ não implica a ausência de pessoas heterossexuais em seu universo. Ela exemplifica: “Boa parte das pessoas trans, por exemplo, são heterossexuais”.
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A conselheira do CFP enfatiza que a própria nomenclatura da sigla foi criada com o intuito de acolher e unir diferentes grupos e vivências associadas à diversidade sexual e de gênero. No entanto, ela observa que esse conceito ainda é frequentemente interpretado de forma restrita pela sociedade.
“Às vezes, as pessoas têm essa sigla de forma reducionista. Não entendem que se está falando de diversidade sexual e de gênero”, comenta Jaqueline, apontando para a necessidade de uma compreensão mais aprofundada.
Outro aspecto relevante abordado pela psicóloga é a frequente confusão entre identidade de gênero e orientação sexual. Esses são conceitos distintos, mas que, no senso comum, costumam ser erroneamente interligados. Para dissolver essa ambiguidade, Jaqueline detalha cada um dos termos.
“A orientação sexual é por quem você se atrai, qual gênero da pessoa pela qual você se atrai”, explica a especialista.
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Assim, se uma pessoa sente atração por indivíduos do gênero oposto ao seu, ela é considerada heterossexual. Caso a atração seja por pessoas do mesmo gênero, a classificação é homossexual. Existe também a bissexualidade, que se refere à atração por mais de um gênero. Adicionalmente, outras orientações sexuais igualmente compõem a rica diversidade da sigla LGBTQIAPN+.
Já a identidade de gênero, conforme detalhado por Jaqueline, representa uma construção cultural. “Na nossa cultura, geralmente se identificam [no nascimento] pessoas como homens e mulheres. Identidade de gênero é a atitude individual frente a essa expressão cultural, gênero: se você se identifica ou não com o gênero que foi atribuído para você quando você nasceu. Todo mundo, quando nasceu, teve um gênero atribuído”, esclarece a psicóloga, sublinhando a importância do reconhecimento pessoal.
A partir dessa perspectiva, percebe-se a existência de variadas identidades de gênero, que refletem as diversas maneiras como os indivíduos se reconhecem e experienciam seu próprio ser.
Homem cis: refere-se à pessoa que nasceu com o sexo masculino atribuído e se identifica plenamente com o gênero masculino.
Homem trans: descreve a pessoa que nasceu com o sexo feminino atribuído, mas se reconhece e se identifica como homem.
Mulher cis: identifica a pessoa que nasceu com o sexo feminino atribuído e se identifica de forma consistente com o gênero feminino.
Mulher trans: indica a pessoa que nasceu com o sexo masculino atribuído, mas se reconhece e se identifica como mulher.
Dessa forma, fica claro que um indivíduo pode ser trans, ou seja, ter uma identidade de gênero que corresponde à letra “T” da sigla LGBTQIAPN+, e, ao mesmo tempo, sentir atração por pessoas de outro gênero. Nesse cenário, sua orientação sexual é heterossexual, evidenciando que identidade de gênero e orientação sexual são dimensões distintas da experiência humana.

















