Rodoviários entram em greve no Rio de Janeiro, empresas dizem que 40 ônibus foram vandalizadosPor Jeronimo Santos
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O sindicato Rio Ônibus, que representa as empresas de transporte coletivo na cidade do Rio de Janeiro, informou que 40 coletivos foram vandalizados na madrugada desta segunda-feira (29). Os incidentes ocorreram em piquetes organizados no primeiro dia da paralisação dos rodoviários.
Uma pessoa ficou ferida durante uma dessas ações, conforme apuração. Contudo, não foi divulgado se a vítima era passageiro ou motorista, e detalhes sobre seu estado de saúde não foram fornecidos até o momento.
A paralisação da categoria, por tempo indeterminado, começou à meia-noite, seguindo uma decisão tomada em assembleia no domingo (28). O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) concedeu uma liminar que obriga a circulação mínima de 50% da frota.
Ainda de acordo com o Rio Ônibus, apenas 860 coletivos saíram das garagens para atender a população. Esse número representa uma quantidade bem abaixo dos 1.800 veículos que deveriam estar em operação, conforme a determinação judicial.
A liminar impõe uma multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, a ser aplicada de forma independente a cada uma das entidades sindicais: o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Município do Rio de Janeiro (Sintrucad-Rio) e o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus).

A MOBI-Rio, empresa municipal responsável pelo BRT, reportou que, às 7h10, operava com 68% da frota planejada. A companhia detalhou que 278 veículos estavam em serviço, cobrindo os quatro corredores do sistema, com todas as estações abertas.
O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) utilizou as redes sociais para reforçar que o Centro de Operações e Resiliência (COR) confirmou o funcionamento regular de metrô, trens e barcas, oferecendo alternativas de transporte à população.
Os sistemas de trens, barcas e metrô permanecem com seu funcionamento habitual na capital fluminense.
É importante notar que hoje é ponto facultativo em diversas repartições públicas na cidade devido ao jogo da Seleção Brasileira pela segunda fase da Copa do Mundo, contra o Japão.
Cidadãos enfrentam dificuldades e fazem reclamações sobre o transporte
Usuários do sistema de transporte público, que acompanham o Bom Dia Rio, reportaram longas esperas. Daniel Monteiro, residente de Realengo, descreveu ter aguardado por duas horas sem que nenhuma linha de ônibus passasse. Ele expressou a dificuldade para quem necessita do transporte para trabalhar e estudar, com muitos moradores da área vivenciando a mesma situação e sem perspectiva de melhoria.
Ester Santos, moradora de Campo Grande, afirmou que precisou recorrer a um aplicativo de transporte, já que “não passa ônibus nenhum” na localidade.
De Guaratiba, Eliane Cardoso relatou a ausência de ônibus para a linha 857 (Pingo D’água-Campo Grande, via Catruz e Cachamorra), que ela utiliza. Ela mencionou que seu marido saiu cedo, às 4h15, e retornou às 6h20 por não conseguir transporte.
Aline Rosa, por sua vez, denunciou que a Rodoviária de Campo Grande estava desprovida de ônibus.
Entidade dos rodoviários critica postura dos empregadores
Sebastião José, presidente do Sindicato dos Rodoviários, responsabilizou as empresas pelo reduzido número de ônibus em circulação.
José afirmou que a entidade enfrenta dificuldades para acatar a decisão judicial. Ele explicou que, antes da assembleia, o sindicato enviou um ofício ao Rio Ônibus solicitando as escalas dos funcionários, mas “não chegou a absolutamente nada”.
O presidente complementou que, embora devessem operar com 50% da frota, as escalas não foram disponibilizadas, indicando que o “sindicato patronal” estaria dificultando o cumprimento da medida judicial.
Posicionamento da prefeitura sobre os transtornos
O prefeito da cidade reconheceu que, “infelizmente, numa situação atípica como essa, no dia de hoje, é claro que a gente vai ter casos que acabam atrapalhando a vida da população”.
Ele expressou o desejo de que, “uma vez resolvida a questão dos sindicatos”, a cidade possa retornar à sua rotina normal.
O prefeito detalhou que “o time inteiro da prefeitura está mobilizado para minimizar os impactos”, com equipes atuando desde a madrugada no Centro de Operações. Ele também ressaltou que a MOBI-Rio assegurou 70% da frota de BRTs em circulação, considerando o planejamento para um dia de ponto facultativo.
Manifestação das empresas de ônibus sobre a paralisação
O sindicato Rio Ônibus comunicou que, desde a meia-noite, todas as garagens estavam operacionais para que os rodoviários pudessem colocar os veículos em serviço. A entidade afirmou que seu principal objetivo é cumprir a decisão judicial e assegurar o transporte da população carioca. Destacou ainda que, em virtude do jogo de futebol marcado para hoje e o ponto facultativo, a prefeitura já havia estabelecido uma escala com frota reduzida, o que se alinharia aos requisitos impostos, evidenciando um contexto de demanda naturalmente menor para o dia.
O Rio Ônibus lamentou que mais de 35 ônibus foram alvo de vandalismo por parte de grevistas, classificando a ação como um ataque à segurança e uma tentativa de barrar o cumprimento da ordem judicial de manter no mínimo 50% da frota nas ruas. Segundo a entidade, 860 coletivos estavam em circulação pela cidade no começo da manhã.
Principais pedidos dos trabalhadores rodoviários
O sindicato dos trabalhadores indicou que a categoria mantém as exigências da proposta de dissídio aprovada e enviada ao Rio Ônibus, que incluem:
- Alteração da data-base para 1º de março;
- Salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e de R$ 4 mil para os demais;
- Término dos contratos temporários e efetivação pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para os funcionários do BRT;
- Aumento do tíquete-alimentação para R$ 1 mil;
- Implementação de jornada de trabalho no formato 5×2;
- Preservação do benefício de passe livre para os trabalhadores;
- Pagamento de indenização pelos 30 minutos de intervalo de almoço;
- Disponibilização de plano de saúde e odontológico.
Conforme o sindicato, a aplicação da proposta sobre os salários e o auxílio-alimentação atuais resultaria em um reajuste de R$ 150,15 para o motorista de ônibus convencional, elevando o valor de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31. Motoristas de veículos articulados da categoria “E” teriam um acréscimo de R$ 180,17, passando de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O auxílio-alimentação seria corrigido em R$ 29,00, de R$ 660 para R$ 689.







