Entre exemplo de capitão e polêmicas no clube, Mbappé foca em final de Copa do Mundo

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Mbappé - X/fequipedefrance Foto: Mbappé - X/fequipedefrance

A seleção da França havia acabado de confirmar seu favoritismo na Copa do Mundo de 2026 com uma vitória expressiva sobre o Senegal. No dia seguinte, enquanto os jogadores titulares descansavam, aqueles com menos minutos em campo ocupavam a Universidade de Bentley, em Massachusetts, para um treino. Algo incomum foi notado na plataforma de observação da comissão técnica de Didier Deschamps: a presença de Kylian Mbappé entre os analistas de desempenho.

Amado ou questionado, o atacante francês assume um protagonismo sem precedentes no torneio. Aos 27 anos, ele já participou de duas finais de Mundial, com uma vitória e uma derrota marcante, incluindo um hat-trick. Com 16 gols em 17 partidas, Mbappé igualou Miroslav Klose e agora persegue Lionel Messi, que ainda amplia sua marca no fim de sua carreira, mas o feito de superar os 19 gols do argentino parece uma questão de tempo para o jovem craque.

Kylian já demonstrou sua capacidade de guiar a talentosa geração dos Bleus a uma terceira decisão consecutiva, em um percurso que se intensifica a partir de hoje, no desafio da segunda fase contra a Suécia, em Nova Jersey, local que sediará a grande final. Além de suas habilidades em campo, o jogador, nascido em um subúrbio ao norte de Paris, impõe seu próprio estilo de liderança.

Entretanto, é complicado depositar total confiança no craque após uma temporada em que a “versão Real Madrid de Mbappé” flertou com atitudes questionáveis. O maior clube do mundo enfrentou turbulências não apenas por encerrar a temporada sem títulos, mas também por uma crise interna no vestiário que atingiu seu ápice com uma agressão física envolvendo Tchouaméni e Fede Valverde. Um dos catalisadores da crise foi o comportamento do atleta durante uma lesão muscular. A dimensão de qualquer incidente no Santiago Bernabéu é amplificada, e o francês não ajudou ao ser visto sorrindo em meio ao caos de um treino em Valdebebas, o que levou a torcida a iniciar uma petição pela sua saída.

Enquanto isso, seu antigo time na França, o Paris Saint-Germain, celebrava a segunda Liga dos Campeões consecutiva, reacendendo o debate: vale a pena investir no “pacote” Mbappé, frequentemente descrito como prejudicial ao coletivo, mesmo considerando-o um dos maiores talentos individuais de sua geração? No Campeonato Espanhol, ele conquistou mais uma artilharia com 25 gols, mas o ambiente ao seu redor desmoronou.

Não é simples compreender o “Mbappé versão França”, que se transforma rapidamente e surge como um exemplo a ser seguido. Um capitão que se dedica a estudar partidas para aprimorar sua compreensão do jogo. Ao ser questionado sobre o desempenho discreto de Dembélé, atual bola de ouro, na estreia contra o Senegal, após ele próprio ter balançado as redes duas vezes, Mbappé defendeu publicamente o companheiro de equipe.

“Assisti à partida duas vezes, uma sozinho e outra com membros da comissão técnica. No primeiro tempo, ele foi o melhor atacante entre os quatro. Ele consegue deixar o jogo muito fluído. No segundo tempo, eu e o Michael (Olise) fomos decisivos, mas o Ousmane (Dembélé) também contribuiu. Isso não aparece nas estatísticas, mas é crucial porque, sem essa contribuição, não teríamos marcado nenhum gol. Todos estão engajados e confiam nele”, afirmou categoricamente.

Deixando a bola um pouco de lado, Mbappé se destaca como o pop star do futebol atual que mais utiliza sua plataforma para abordar diversas causas. Questões como racismo, desigualdade social e imigração – especialmente em uma Copa cada vez mais marcada pela diáspora – já foram pautas de seu posicionamento em diferentes momentos. Em relação aos sites de apostas, cada vez mais integrados à economia global, ele já ameaçou não jogar pela seleção francesa caso sua imagem fosse associada a propagandas para as chamadas bets.

“Nós somos a seleção francesa, inspiramos muitas pessoas. Muitos de nós vêm da periferia, desses lugares onde isso destrói um número incalculável de vidas”, declarou em uma entrevista. “Me disseram: ‘Mas o que as pessoas vão dizer?’ Eu não me importo.”

Do outro lado dos Estados Unidos, em Santa Clara, na Califórnia, Miguel Almirón foi expulso em uma partida entre Paraguai e Turquia por cobrir a boca enquanto falava com um adversário. Este foi o primeiro cartão vermelho aplicado em Copas do Mundo em virtude da “Lei Vini Jr.”, uma diretriz da FIFA que pune esse tipo de comportamento, criada após a denúncia de racismo feita pelo brasileiro contra o argentino Gianluca Prestianni, em um jogo entre Real e Benfica, em fevereiro. A contribuição fundamental de Mbappé, que não se escondeu e se manifestou em revolta, foi importante entre um caso e outro.

O jogador pode ser admirado por seus notórios feitos dentro das quatro linhas e pela pessoa que busca se diferenciar da média de sua categoria. Por outro lado, pode ser criticado pelo ego do atleta e pelas diversas controvérsias fora de campo. Um dos nomes mais proeminentes do futebol atual parece se divertir na dualidade entre o papel de líder obsessivo por detalhes e a estrela com um alvo constante nas costas — agora apelidado de “ditador” em memes nas redes sociais. O yin-yang de Kylian Mbappé promete ainda muitas histórias ao longo de várias Copas.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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