Ferrari amplia atualizações na F1, e Mercedes provoca com ironia sobre limites do teto orçamentárioPor Thiago Lemos
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Em um cenário de intensa disputa na Fórmula 1 de 2026, a Ferrari tem se dedicado a implementar uma série expressiva de melhorias em seus carros, buscando encurtar a distância para a Mercedes, que lidera o campeonato. A equipe italiana já apresentou 11 modificações no GP de Miami, em maio, adicionou mais novidades em Barcelona e, mais recentemente, introduziu um motor reformulado no GP da Áustria. Diante desse volume de investimentos, Toto Wolff, chefe da escuderia alemã, lançou uma indireta sobre a aparente disponibilidade ilimitada de recursos da rival, questionando a conformidade com o teto de gastos da categoria.
Declaração de Toto Wolff sobre as estratégias de investimento da Ferrari
O dirigente da Mercedes expressou surpresa com a frequência e o porte das atualizações da Ferrari. Segundo Wolff, o volume de novidades introduzido pela equipe de Maranello é tão grande que ele se pergunta como eles conseguem operar dentro do limite orçamentário da Fórmula 1. Ele afirmou que a Mercedes não possui a mesma margem financeira para realizar tantas inovações, projetando que, pela lógica, a Ferrari deve esgotar seus recursos em breve, impedindo futuras atualizações no final da temporada.

O chefe da equipe alemã mencionou ainda que a Mercedes, atualmente líder do Mundial de Construtores, tem apostado em aprimoramentos menores e mais focados em seus carros, em contraste com os avanços mais chamativos e visíveis da equipe adversária.
Sequência de inovações da equipe italiana e seus resultados
O pacote inicial de atualizações da escuderia de Maranello em Miami abrangeu uma vasta gama de componentes. Foram reformuladas a asa dianteira, os defletores, a suspensão dianteira, o assoalho, as bordas do piso, o difusor, a suspensão traseira, a beam wing, a carenagem traseira, a asa traseira e os endplates traseiros, demonstrando um esforço abrangente para otimizar o desempenho.
Apesar de Charles Leclerc ter alcançado um terceiro lugar na corrida sprint, os impactos mais significativos dessas atualizações começaram a ser percebidos apenas no Canadá, etapa seguinte. Lá, a equipe optou por refinar o pacote já existente, o que se traduziu em um segundo lugar para Lewis Hamilton e um quarto lugar para o piloto de Mônaco.
Lewis Hamilton voltou a conquistar um pódio em Mônaco, repetindo a performance obtida no Circuito Gilles Villeneuve. Posteriormente, no GP de Barcelona-Catalunha, novas atualizações foram aplicadas ao SF-26, incluindo uma asa dianteira redesenhada, um assoalho inédito e sidepods remodelados, visando maximizar o ganho aerodinâmico. O resultado foi ainda mais animador, com o heptacampeão garantindo a vitória na corrida.
Impacto das modificações no motor da Ferrari e o sistema ADUO
No período entre a corrida espanhola e o GP da Áustria, a Ferrari deu um passo adiante, desenvolvendo as primeiras modificações em seu motor, um movimento permitido pelo sistema ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização). Este programa visa apoiar fabricantes de motores que apresentam um déficit de desempenho.
Estimada em 4% de desvantagem em relação ao motor a combustão (ICE) da Ford, parceira da Red Bull, a escuderia italiana obteve uma permissão especial. Isso incluiu mais testes, atualizações extras e um reajuste no seu teto de gastos específico para motores. No entanto, as altas temperaturas no Circuito de Spielberg comprometeram o desempenho de Hamilton e Leclerc, que não conseguiram brigar pelo pódio e ficaram fora do top 3 na Áustria.
Ainda assim, o heptacampeão se mantém na terceira posição no campeonato de construtores, com 46 pontos de diferença para Kimi Antonelli, piloto da Mercedes. A equipe alemã, por sua vez, ostenta uma vantagem de 98 pontos sobre a vice-líder, Ferrari, que permanece como sua principal adversária na temporada. Wolff reiterou que a Ferrari é a única equipe que não mostra sinais de desaceleração em seus desenvolvimentos, contrastando com a Mercedes, Red Bull e McLaren, que introduzem peças menores entre as etapas. Ele destacou a antecipação da Ferrari ao sistema ADUO e o desenvolvimento precoce do novo motor, questionando a equidade das regras para todos.
Estratégias de atualização da Mercedes e o desempenho de seus pilotos
A Mercedes escolheu o Canadá como o palco para sua primeira atualização no carro de 2026, focando em mudanças na asa dianteira, nos conjuntos dos cantos dianteiro e traseiros e no assoalho. Contudo, a equipe sofreu com o abandono de George Russell devido a um problema no motor.
Na rodada seguinte, em Mônaco, a equipe ajustou sua asa traseira, componente que foi novamente modificado para o GP de Barcelona. Na semana anterior ao GP da Áustria, a octacampeã mundial implementou uma nova suspensão dianteira, conquistando a vitória na prova com George Russell.
Panorama atual do teto de gastos na Fórmula 1
Atualmente, o teto de gastos na Fórmula 1 está fixado em aproximadamente 215 milhões de dólares, o que equivale a cerca de R$ 1,1 bilhão. Este valor representa um aumento em relação aos 135 milhões de dólares do ano anterior, impulsionado pela introdução de um novo regulamento técnico.
Além disso, as montadoras de unidades de potência têm um teto orçamentário separado, estabelecido em 130 milhões de dólares (cerca de R$ 678,7 milhões). Tanto a Ferrari quanto a Mercedes são fabricantes de seus próprios motores, o que as submete a essa regra adicional.







