Estudante de medicina se exalta em áudios após atropelar e matar idoso em Porto VelhoPor Luís Henrique Costa
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Mensagens de áudio trocadas em um grupo de moradores de Porto Velho revelaram uma forte discussão com Vitória Caroline Marangoni Schneider, estudante de medicina de 29 anos, momentos depois de um atropelamento que vitimou Odair Brustolin, de 68 anos, na última quarta-feira (1º).
Conforme registros do boletim de ocorrência, o trágico incidente ocorreu por volta das 13h20. Os áudios, contendo a acalorada troca de palavras, foram encaminhados aproximadamente 25 minutos mais tarde, às 13h45.
No conteúdo das gravações, Vitória argumenta que já tinha alertado sobre sua intenção de atravessar com o veículo pelo portão do condomínio. Ela ainda reforça que os residentes tinham conhecimento de seu modo de agir.
“Eu avisei, eu avisei dez vezes que, se não parassem de me chamar de louca, de ficar me tratando de louca, eu ia passar pelo portão. Eu falei, eu falei mil vezes. Eu não sei por que vocês ficam duvidando de alguma coisa, porque vocês já me conhecem”, declara a estudante nos áudios.
A Polícia Militar informou que Vitória foi detida e encaminhada à Central de Flagrantes, suspeita de tentar escapar do local do acidente. A jovem acabou localizada na residência de um homem que se identificou como seu amigo.
A reportagem procurou a defesa da estudante para obter um posicionamento, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
A sequência de eventos que causou a morte do idoso
Em análise concedida à imprensa local, o defensor público Fábio Roberto sinalizou que o incidente poderá ser categorizado como homicídio triplamente qualificado. Ele detalhou que a suspeita pode ser processada por motivo fútil, uso de recurso que impediu a defesa da vítima e pelo fato da vítima ser uma pessoa idosa.
O defensor público ainda ressaltou que a possível pena pode alcançar até 30 anos de reclusão. Os áudios revelados, em sua perspectiva, podem configurar um indício crucial de premeditação, fator que pode alterar substancialmente a avaliação jurídica do caso e a definição da sentença, especialmente considerando seu histórico anterior.
Na tarde da quarta-feira (1º), em Porto Velho, Odair Brustolin, de 68 anos, faleceu após um veículo invadir a residência onde ele se encontrava.
Conforme relatos de testemunhas, a jovem Vitória Caroline Marangoni Schneider, de 29 anos, identificada pela polícia, iniciou uma discussão na rua e tentou agredir os moradores. Em seguida, após a confusão, ela entrou no automóvel e o direcionou de forma violenta contra a casa.
Registros em vídeo feitos por vizinhos demonstram que Vitória Caroline, primeiramente, tentou colidir contra a moradia. Logo depois, ela engatou a marcha à ré, acelerou o carro novamente, invadindo o imóvel e atropelando Odair Brustolin.
Familiares confirmaram que o idoso foi prontamente socorrido e encaminhado a um hospital, porém, infelizmente, não sobreviveu aos graves ferimentos.
Após o violento incidente, Vitória Caroline deixou o local. A Polícia Militar iniciou um rastreamento na área para localizar a mulher e o carro envolvido. Pouco tempo depois, a corporação foi informada de que a estudante estava na casa de um amigo.
Ao chegarem ao endereço indicado, os policiais encontraram a mulher sentada na varanda. O amigo dela relatou que Vitória havia solicitado socorro, mencionando que se envolvera em uma briga no condomínio onde reside. Ele acrescentou que o objetivo era realizar reparos de lanternagem e pintura no veículo.
O boletim de ocorrência detalha que os policiais reiteraram o pedido para que Vitória saísse da residência. Ela acatou a solicitação e se aproximou dos agentes. O documento descreve que a estudante se mostrava visivelmente exaltada e agressiva no momento, sendo então detida e conduzida ao Departamento de Flagrantes.
Histórico judicial da estudante revela prisão anterior por dirigir embriagada
Vitória Caroline Marangoni Schneider, a estudante de Medicina de 29 anos envolvida no atropelamento que tirou a vida de Odair Brustolin na última quarta-feira (1º), já havia sido detida por dirigir sob efeito de álcool em maio de 2025, também em Porto Velho.
Documentos do processo indicam que, após a prisão anterior, a estudante participou de uma audiência de custódia e foi liberada provisoriamente. A Justiça, no entanto, impôs uma série de condições, como a suspensão de sua carteira de habilitação e a proibição de frequentar estabelecimentos noturnos.
Posteriormente, ela firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), instrumento legal aplicado em situações menos graves e sem violência. Através desse acordo, o indivíduo reconhece a falha e aceita cumprir determinadas condições para evitar que um processo criminal seja instaurado.
No âmbito do acordo, a estudante efetuou o pagamento de uma multa aproximada de R$ 1,5 mil, valor que correspondia a um salário mínimo vigente na ocasião.
Depois de cumprir todas as exigências estabelecidas, as restrições foram revogadas pela Justiça em fevereiro deste ano, e o caso foi oficialmente arquivado em abril.
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) comunicou, por meio de nota, que o ANPP foi assinado em julho de 2025, decorrente de um acidente de trânsito. De início, a estudante era investigada por lesão corporal, dirigir alcoolizada e causar danos a dois veículos. Contudo, ela efetuou a indenização da vítima e dos proprietários dos automóveis, e a parte ofendida optou por não dar seguimento à representação criminal.
Desse modo, apenas a acusação de embriaguez ao volante permaneceu no processo. O MP-RO ainda destacou que, no período, a jovem não possuía histórico criminal e, após a observância das condições do acordo, o procedimento foi definitivamente arquivado.







