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O experiente piloto Fernando Alonso expressou novamente seu descontentamento com as regras que regem os veículos da Fórmula 1 em 2026. Depois da etapa britânica do campeonato, o bicampeão mundial afirmou que a instabilidade na entrega de energia dos carros de F1 os torna menos potentes que os da Fórmula 2, sugerindo que as ultrapassagens dependem menos da habilidade dos pilotos atualmente.

Em um desabafo após a corrida, Alonso questionou o propósito do esporte, destacando o que observou nos replays da corrida sprint. Ele enfatizou que a facilidade com que alguns pilotos realizam ultrapassagens, impulsionados apenas pela vantagem da bateria, diminui o valor da perícia. Para o competidor, a mecânica atual dispensa a necessidade de manobras complexas, freagens precisas ou riscos calculados, transformando a ultrapassagem em um simples acionamento de botão para quem possui um motor mais eficiente. Essa dinâmica, segundo ele, desvirtua a essência do talento e da intervenção humana na disputa.

As recentes declarações de Alonso não representam uma novidade, uma vez que o corredor da Aston Martin tem criticado consistentemente as características dos carros deste ano. O gerenciamento e a recuperação da energia elétrica se tornaram aspectos dominantes na performance dos veículos. Anteriormente, durante a pré-temporada, o piloto chegou a ironizar a situação, afirmando que até mesmo um cozinheiro da equipe poderia conduzir os carros sob as condições atuais.

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No Grande Prêmio do Japão, a terceira prova da temporada de 2026, o espanhol já havia expressado sua insatisfação. Naquela ocasião, ele ressaltou que a competência individual do piloto era ofuscada pela constante preocupação em recarregar a bateria do carro, uma medida essencial para evitar a perda súbita de energia durante a disputa.

A partir de 2026, as novas unidades de potência da Fórmula 1 incorporaram uma significativa parcela de geração de energia elétrica, correspondendo a 43% da força total do veículo, enquanto o motor a combustão responde por 47%. Essa configuração impôs aos pilotos o desafio de equilibrar a pilotagem competitiva com a necessidade de recuperar energia ativamente através de técnicas específicas, gerando um amplo debate e muitas críticas no paddock.

Como as regras da Fórmula 1 foram alteradas após intensas críticas

Frente à reprovação generalizada, a Federação Internacional do Automobilismo (FIA) implementou diversas modificações nas regulamentações, que começaram a valer a partir do Grande Prêmio de Miami, em maio. A federação também comunicou que, até o ano de 2028, haverá um aumento progressivo na potência dos motores a combustão.

Contudo, conforme já havia sido previsto por Fernando Alonso, a questão energética ressurgiu com força no recente Grande Prêmio da Grã-Bretanha. Muitos pilotos manifestaram inquietude nos dias que antecederam a disputa no Circuito de Silverstone. Na corrida sprint de sábado, em particular, verificou-se um excessivo número de ultrapassagens e contra-ataques devido à abrupta redução de energia nos propulsores.

O próprio Alonso, que alertou sobre a situação em Silverstone, projeta que o Grande Prêmio da Bélgica, a ser realizado na próxima semana, enfrentará dilemas semelhantes.

“Os circuitos de Silverstone e Spa-Francorchamps são extremamente exigentes em termos de energia”, explicou o piloto. Ele destacou a impossibilidade de empregar a potência máxima nas retas em Spa, alertando que o uso completo entre as curvas 1 e 5 comprometeria o restante da volta. A estratégia envolve economizar para ativar a potência da Curva 14 até a Chicane. No entanto, mesmo com o uso ideal nessas duas retas, há um trecho considerável sem aproveitamento pleno. “Não podemos ignorar que, este ano, a potência é sensivelmente menor que no ano anterior e até mesmo inferior à da Fórmula 2”, complementou.

A observação de Alonso sobre a disparidade de potência em relação à Fórmula 2 ecoa uma queixa notória feita por ele há nove anos. Em 2015, enquanto defendia a McLaren, equipada na época com um motor Honda – o mesmo fabricante que hoje fornece a Aston Martin e enfrenta desafios análogos – o bicampeão protagonizou um desabafo icônico pelo rádio da equipe, expressando sua frustração com a escassez de energia da bateria. Essa repetição de queixas em diferentes épocas sugere um problema recorrente na relação entre regulamento e performance.

Na ocasião, sua exclamação de “Motor de GP2! Motor de GP2!” ficou gravada. A série GP2 era, na época, a principal categoria de acesso à Fórmula 1, sendo hoje conhecida como Fórmula 2.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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