Interpol busca histórico de pai suspeito de matar filho de 3 anos no Rio Grande do SulPor Carolina Costa
3 min de leitura
![]() |
O Ministério Público do Rio Grande do Sul acionou, na sexta-feira, 10 de julho de 2026, a Interpol (Polícia Internacional) para obter mais informações sobre o pai que está detido, acusado de assassinar seu filho de apenas três anos. O homem, de nacionalidade estrangeira, confessou à polícia que agrediu a criança.
Além da colaboração internacional, a Promotoria solicitou dados de outros estados brasileiros. O objetivo é verificar a existência de registros adicionais de agressões cometidas pelo pai contra seus filhos, já que há indícios de ocorrências em pelo menos dois estados onde a família residiu anteriormente.
A subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais do MP-RS, Alessandra Moura Bastian da Cunha, revelou em coletiva de imprensa na quinta-feira, 9 de julho, que a família se deslocava constantemente. “Existem informações de que não foram só por dois estados que essa família passou, ela vem migrando à medida que existe um cerco às questões que vinham acontecendo [agressões], começam a aparecer esses abusos”, afirmou a procuradora, indicando um possível padrão de violência e evasão.
A agressão fatal e o motivo alegado pelo pai
O ataque ao menino ocorreu na manhã de 5 de julho, na residência da família. O próprio pai levou a criança ao hospital, mas, devido à gravidade dos ferimentos, ele precisou ser transferido para outra cidade. A equipe médica, ao perceber a natureza das lesões, notificou a Brigada Militar, que prontamente efetuou a prisão do homem em flagrante.
Conforme o que foi divulgado pela Polícia Civil, o pai confessou em depoimento ter desferido socos no tórax e abdômen do filho, além de ter batido a cabeça do menino no chão. O suposto motivo da agressão teria sido o fato de a criança não ter cumprimentado o pai com um “bom dia” da maneira que ele esperava.
A procuradora também mencionou que a investigação aponta indícios de que um objeto contundente foi utilizado nas agressões. Infelizmente, a criança veio a falecer três dias após ser internada na unidade hospitalar.
A Defensoria Pública, responsável pela defesa do pai, foi contatada por e-mail na manhã de sexta-feira, 10 de julho, mas, até o momento da publicação desta notícia, não havia emitido nenhuma resposta.
A prisão da mãe e o contexto de violência doméstica
A mãe da criança foi detida preventivamente na quinta-feira, 9 de julho. A Polícia Civil informou que as apurações indicaram sua possível conivência com as agressões e que ela também é investigada por suposta prática de violência contra os filhos.
Em comunicado oficial, a defesa da mulher declarou que ela também é uma vítima, vivenciando uma “situação de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente”. A defesa argumenta que essas circunstâncias “merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado”.
O casal possui outros filhos menores de 18 anos. Eles foram encaminhados para um abrigo e estão atualmente sob os cuidados e acompanhamento do Conselho Tutelar.







