Pai agride filho de 3 anos até a morte no RS; mãe também é presa por omissãoPor Carolina Costa
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Um ato de violência brutal causou a morte do menino Oliver Golden Grayson, de apenas três anos, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no domingo, 5 de julho de 2026. A criança foi espancada pelo pai, Dandre Jermaine Grayson, e a mãe, Mayanna Angelina Rodgers, também foi presa preventivamente.
Em nota, a defesa de Mayanna afirmou que ela é vítima de grave vulnerabilidade em um contexto de violência doméstica, que envolvia abusos físicos, emocionais e espirituais. O posicionamento completo da defesa será detalhado mais adiante.
Dandre, por sua vez, ainda não constituiu advogado e sua defesa será realizada pela Defensoria Pública do Rio Grande do Sul.
A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, que está substituindo na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e é responsável pelo caso, descreveu a gravidade das lesões. “O coração chegou a movimentar de lugar de tanta agressão. O fêmur dele chegou a partir ao meio e o crânio foi bem afundado”, relatou.
O quadro de saúde devastador da criança foi apresentado à polícia por uma médica que prestou o primeiro atendimento ao menino no hospital, em depoimento prestado nesta semana.
Oliver também apresentava marcas no corpo que apontavam para o possível uso de um instrumento contundente durante as agressões. A investigação revelou que o pai, Dandre, utilizava uma cinta para bater nas crianças da família.
A suspeita inicial da Polícia Civil era de que o menino teria sofrido três socos e batido a cabeça no chão. Contudo, o depoimento detalhado da médica que o atendeu revelou a real e ainda maior gravidade dos ferimentos.
A polícia também está investigando a participação da mãe na morte do filho, já que ela teria relatado sessões de “tortura” contra a criança. Segundo os investigadores, Mayanna estava em um quarto adjacente ao local onde o menino foi agredido, por volta das 6h30 da manhã.
Inicialmente, apenas o pai era considerado o único suspeito da agressão ocorrida no domingo. No entanto, o avanço das investigações levou ao envolvimento da mãe, que, segundo a polícia, teve uma “omissão nas torturas” por ser mãe e garantidora das crianças.
A delegada Tamiozzo Medeiros enfatizou que a residência não possuía portas internas, apenas cortinas separando os cômodos. Ela argumentou que “por mais que digam que podia existir um som ligado nessa casa, nenhuma música seria capaz de abafar o som que aquela criança deve ter emitido diante daquela violência”.
A cronologia dos fatos que levaram à morte da criança
A Polícia Civil confirmou que o menino de três anos foi brutalmente espancado pelo próprio pai em Viamão. O pai, um missionário norte-americano, confessou o crime e está preso desde o domingo, 5 de julho de 2026. Em seu depoimento à Polícia Civil, ele alegou que a motivação para as agressões foi o fato de o filho não ter lhe dado “bom dia”.
De acordo com a delegada, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família residia.
O pequeno Oliver estava internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre. Ele faleceu na noite de quarta-feira, 8 de julho de 2026.
Foi o próprio agressor quem levou o menino ao hospital de Viamão no domingo. Devido à extrema gravidade dos ferimentos, a criança precisou ser transferida para a capital.
Ao constatar as múltiplas e severas lesões, a equipe médica acionou o 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM). O missionário norte-americano foi preso em flagrante ainda no hospital. Na segunda-feira, 6 de julho de 2026, durante a audiência de custódia, a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva.
Nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, a mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, também foi presa preventivamente. As autoridades informaram que a prisão dela foi motivada por omissão diante das agressões sofridas pelo filho.
Segundo as autoridades, a família morava no Brasil há nove anos e havia se mudado para Viamão há cerca de oito meses. É importante ressaltar que a família era acompanhada pelo Conselho Tutelar durante esse período e o pai já era suspeito de maus-tratos em outros três estados, o que levanta questões sobre a eficácia do monitoramento.
A defesa da mãe aponta para vulnerabilidade e violência doméstica
A defesa de Mayanna Angelina Rodgers emitiu uma nota técnica, afirmando que está colaborando plenamente com as autoridades e permanece à disposição da justiça para quaisquer esclarecimentos sobre os fatos.
A nota salienta que Mayanna é, na verdade, uma vítima e se encontrava em um estado de grave vulnerabilidade em um contexto de violência doméstica. Essa violência, conforme a defesa, manifestava-se de forma física, emocional e espiritual. A defesa enfatiza que essas circunstâncias merecem uma apuração cuidadosa e técnica, livre de qualquer julgamento antecipado.
A equipe jurídica de Mayanna, composta por Isabel Cochlar (OAB/RS 71.415), Juliana Braun Martins (OAB/RS 103.017) e André von Berg (OAB/RS 44.063), expressou total confiança no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa. Eles reafirmam que somente uma ampla instrução processual permitirá a correta apuração dos fatos.
A defesa conclui a nota afirmando que, por respeito à memória da criança e ao sigilo das investigações, nenhuma outra informação será fornecida publicamente neste momento.







