Uma técnica de enfermagem foi detida na sexta-feira, 12 de julho de 2026, em Teresina, Piauí, depois de tentar subtrair uma recém-nascida de uma maternidade. A ação, capturada por câmeras de segurança, foi impedida pela tia da criança, que suspeitou da funcionária e conseguiu resgatar a menina da bolsa.
Imagens exclusivas revelaram os detalhes da tentativa de rapto de uma bebê em uma das maiores maternidades da região.
A funcionária que estava de folga e o plano de levar a bebê
A funcionária identificada como Auricélia Rocha, que atuava na Maternidade Dona Evangelina Rosa por mais de dois anos, encontrava-se de folga no dia do incidente.
Por volta das 13h40, os registros das câmeras mostram Auricélia acompanhada da recém-nascida em um corredor da unidade. Familiares relataram que a técnica alegou à mãe da criança a necessidade de levá-la para realizar exames de rotina, como o teste do pezinho.
Daniela Beatriz, tia da bebê, optou por aguardar nas proximidades. Pouco tempo depois, a técnica saiu da sala sem a menina, transportando uma volumosa bolsa preta, e se dirigiu a um banheiro. A atitude despertou a desconfiança de Daniela, que decidiu acompanhar a funcionária.
“Ela vai para o banheiro, eu já fico olhando aquela situação. Eu sinto que aquele negócio não está certo”, descreveu Daniela Beatriz.
Após alguns instantes, Daniela observou que a técnica de enfermagem emergiu do banheiro com uma troca de roupas.
Como a bebê foi encontrada dentro da bolsa e a reação da família
Às 13h45, Daniela abordou a funcionária, retirou a bolsa de suas mãos e descobriu a sobrinha escondida em seu interior.
“Quando eu puxo, a neném está lá. Eu questiono: ‘Mulher, pelo amor de Deus, o que você está fazendo com essa menina nessa bolsa?’. Eu já tiro a neném e saio pedindo socorro”, narrou a tia da criança, chocada com a cena.
A familiar da criança relatou que somente instantes depois compreendeu a dimensão da gravidade do que havia ocorrido.
José Alberto Alencar, diretor administrativo e financeiro da Maternidade Dona Evangelina Rosa, manifestou pesar pelo episódio, assegurando que o sistema de segurança da unidade não apresentou falhas.
Ele ressaltou que a maternidade possui um rigoroso controle de acesso, incluindo leitores faciais, portas operadas por senhas e códigos, e uma equipe de profissionais capacitados para lidar com situações de risco. O incidente, no entanto, levanta questões sobre a vulnerabilidade mesmo em ambientes com tais dispositivos de proteção.
Como as autoridades investigam o caso e a versão da defesa
A mãe da bebê, uma adolescente de 14 anos que se deslocou de Castelo do Piauí para realizar o parto em Teresina, descreveu os momentos de angústia vividos após a tentativa de sequestro. “Foi tudo ruim. Não vou esquecer nunca”, declarou a jovem.
Luccy Keiko, delegado-geral da Polícia Civil, informou que o ocorrido é investigado como tentativa de sequestro. Devido à demora na notificação do crime, a prisão em flagrante não foi possível. Contudo, a Justiça já expediu um mandado de prisão preventiva para Auricélia.
A investigação apurou que, logo após a divulgação do caso, a família internou a técnica de enfermagem em uma clínica psiquiátrica. No dia subsequente, uma equipe policial permaneceu no local aguardando a alta médica da suspeita para efetuar o cumprimento do mandado de prisão.
O quarto encontrado na casa da técnica e as alegações de saúde mental
Durante as buscas na residência da técnica de enfermagem, a polícia descobriu um cômodo inteiramente preparado para a chegada de um bebê. O delegado Hugo Alcântara detalhou que o local continha fraldas, roupinhas, banheira e um berço.
Os investigadores revelaram ainda que familiares de Auricélia acreditavam em sua gravidez, apesar de não existirem exames que pudessem confirmar a gestação. Este detalhe sugere um possível pano de fundo psicológico para a ação.
Durante seu depoimento oficial, a técnica de enfermagem exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Por meio de nota, a defesa da acusada informou que Auricélia possui diagnóstico de sintomas esquizofrênicos, está em tratamento com medicamentos psiquiátricos e apresenta uma capacidade comprometida de compreender a real gravidade dos fatos pelos quais é investigada.
O delegado responsável pelo inquérito declarou que, mesmo diante das alegações apresentadas pela defesa, a investigação não considera a hipótese de insanidade mental como fator que possa eximir a responsabilidade pelos atos cometidos.
A polícia trabalha com a convicção de que Auricélia agiu sozinha na tentativa de sequestro.
A mãe da recém-nascida enfatizou que sua filha só foi devolvida aos seus braços devido à pronta ação e agilidade de sua irmã.
