Polícia desarticula esquema milionário de roubo de medicamentos em quatro estados e apreende bensPor Luís Henrique Costa
4 min de leitura
![]() |
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, a Operação Metástase para combater um sofisticado esquema interestadual de roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Até a última atualização, três pessoas haviam sido detidas em decorrência das ações.
As investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap) revelaram que a organização criminosa movimentou impressionantes R$ 33 milhões em apenas um ano, utilizando empresas de fachada para reintroduzir os produtos desviados no mercado.
No total, foram expedidos pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa cinco mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão. As equipes atuaram simultaneamente em quatro estados brasileiros.
Detalhes das investigações policiais
A operação se estendeu por diferentes regiões, com focos no Rio de Janeiro, incluindo o Complexo da Maré — onde houve relatos de tiroteio intenso e barricadas em chamas — e endereços na Baixada Fluminense. Além disso, houve cumprimentos de mandados em São Paulo (capital, Santo André e São Caetano do Sul), Goiás (Goiânia) e Pará (Belém), contando com o apoio das forças policiais locais.
Como parte da ofensiva, as autoridades solicitaram o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros ativos que o grupo usava para ocultar seu patrimônio ilícito.
A Polícia Civil caracterizou a organização criminosa como “altamente sofisticada e violenta”, especializada em roubar cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor. Esses produtos seriam destinados tanto à rede privada quanto à pública de saúde, evidenciando o grave risco à população.
Os agentes documentaram a participação da quadrilha em pelo menos 20 crimes similares nos últimos seis meses, consolidando a estimativa da movimentação financeira superior a R$ 33 milhões entre 2025 e 2026, com o uso de empresas fictícias. O elemento de valor agregado, que destaca a gravidade do esquema, é que esses medicamentos roubados eram depois reinseridos no sistema de saúde, incluindo instituições públicas em todo o país, colocando em risco a vida de pacientes que recebiam produtos de origem duvidosa.
Estrutura complexa da organização criminosa
As investigações da DRFC-Cap identificaram diversos núcleos operacionais dentro da quadrilha, cada um com funções específicas: roubadores, um núcleo logístico-financeiro intermediário, outro logístico-financeiro final e, por fim, um de suporte territorial.
Foi constatado que o esquema transcende o mero roubo de cargas. Após as investidas, realizadas por criminosos armados, os medicamentos eram levados para áreas sob o domínio do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré. Lá, ocorria o transbordo e a subsequente redistribuição da carga ilícita.
A facção criminosa TCP fornecia apoio bélico e proteção aos roubadores, agindo como suporte territorial. Em seguida, um segundo núcleo cuidava do armazenamento, fracionamento e envio dos medicamentos desviados.
Para mascarar a origem dos produtos e enviá-los aos receptadores finais em vários estados, os integrantes do grupo empregavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e “laranjas”.
As equipes também revelaram que membros da quadrilha aliciavam funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre as rotas e o tipo de carga transportada.
A apuração identificou um total de 25 empresas de fachada, distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, que formavam a engrenagem financeira do crime e eram usadas para receptar os medicamentos roubados no Rio.
Os medicamentos eram revendidos para hospitais privados e, em alguns casos, para instituições públicas de saúde, por meio de processos licitatórios de tomada de preços. Ao ofertar valores mais baixos que os praticados pelo mercado legal, o grupo conseguia infiltrar produtos de origem criminosa na cadeia de fornecimento legítima, comprometendo a integridade do sistema de saúde.







