Tio da capitã Michele Leão descreve sargento suspeito como ciumento e manipulador: matou a esposaPor Luís Henrique Costa
5 min de leitura
![]() |
O tio da capitã Michele Leão Azevedo, da Polícia Militar, revelou que o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, que está sob investigação pela morte da esposa em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira, 20 de julho, exibia um comportamento possessivo e manipulador. Familiares da vítima relataram que a relação do casal era marcada por ciúmes intensos, controle excessivo e um ciclo de separações e reconciliações.
A Polícia Civil está tratando o caso como feminicídio. Michele, que tinha 41 anos, foi levada ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste da capital mineira, pelo próprio marido, mas já chegou sem vida à unidade.
Conforme o boletim de ocorrência, os médicos que a atenderam identificaram múltiplas lesões na vítima, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas, marcas que pareciam ser de chicotadas e um corte profundo na cabeça. A gravidade e a natureza desses ferimentos levantam sérias dúvidas sobre as alegações iniciais, impulsionando a linha de investigação de feminicídio.
Em depoimento, o tio da capitã, Marlon de Carvalho Leão, afirmou que a família nunca aprovou o relacionamento, pois o comportamento do sargento gerava desconfiança desde o início. Marlon descreveu Eduardo como uma pessoa com “boa lábia”, capaz de manipular situações para alcançar seus objetivos.
Jonathan Zanet Boni de Carvalho Leão, primo de Michele, narrou incidentes que aumentaram a preocupação dos familiares com a conduta do sargento. Ele mencionou que, durante um período de separação do casal, Eduardo invadiu a casa da família em busca da capitã.
Segundo Jonathan, o militar agiu de forma agressiva naquele episódio, “batendo portas e abrindo armários” em sua procura por Michele.
O primo acrescentou que Eduardo chegou à residência de forma “descontrolada” e intimidou os presentes. Ele reiterou que a família sempre manteve “um pé atrás” em relação ao sargento devido a esses comportamentos.
A defesa de Eduardo, por meio de nota, comunicou que está acompanhando as investigações e enfatizou a necessidade de aguardar a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer juízo. Os advogados expressaram confiança no devido processo legal e na imparcialidade da apuração, afirmando que se manifestarão quando for oportuno, respeitando o direito de defesa e o sigilo do procedimento.
A dedicação da capitã Michele Leão ao filho e à carreira
Ao recordar a sobrinha, Marlon ressaltou a grande dedicação de Michele tanto à sua carreira na Polícia Militar quanto ao seu filho.
O tio detalhou que a capitã “vivia pelo filho” e era extremamente dedicada ao seu trabalho na corporação.
Marlon de Carvalho também descreveu Michele como uma pessoa acolhedora e que confiava nas pessoas ao seu redor.
Ele pontuou que a capitã era “aberta” e tinha fé nos outros, sendo alguém por quem “todo mundo tinha carinho”.
Ao concluir a entrevista, o tio de Michele exigiu justiça para a morte da capitã.
Ele afirmou que a família “espera justiça” e que todos lutarão “para que a realidade seja mostrada”.
Detalhes da investigação e as circunstâncias da morte
Michele Leão Azevedo foi levada ao Hospital Odilon Behrens pelo marido na noite de segunda-feira, 20 de julho, já sem vida. Conforme o boletim de ocorrência, a equipe médica constatou que a capitã apresentava múltiplas lesões pelo corpo, e que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes de sua chegada ao hospital. O caso está sendo investigado como feminicídio pela Polícia Civil.
Imagens do circuito interno do edifício onde o casal residia mostram o sargento carregando Michele em seus ombros até a garagem e, em seguida, a colocando no carro antes de se dirigir ao hospital. Essas gravações são parte crucial da investigação conduzida pela Polícia Civil.
Vídeo mostra sargento carregando corpo de capitã da PM até carro antes de ir ao hospital
Em seu depoimento, Eduardo Abner Pereira de Oliveira declarou que ele e a esposa estavam em uma confraternização na residência, onde teriam consumido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Ele alegou que, posteriormente, mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas.
Segundo a versão do sargento, Michele teria caído da escada da casa, recusado atendimento médico e, horas depois, foi encontrada sem sinais vitais. Essa explicação está sob análise da Polícia Civil.
Durante a perícia, os investigadores apreenderam um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, roupas de cama que haviam sido lavadas na máquina, e comprimidos parecidos com ecstasy descartados pelo sargento no hospital. Todo o material será submetido a exames periciais.
Além das circunstâncias da morte de Michele, o histórico do sargento também é alvo de apuração. A Polícia Civil confirmou que Eduardo possui registros anteriores de violência contra a mulher.
Registros indicam que uma ex-companheira do militar denunciou agressões físicas, ameaças e o descumprimento de uma medida protetiva em 2016. Eduardo também foi preso por embriaguez ao volante em 2023 e recebeu sanções disciplinares ao longo de sua carreira.







