Chile prende ex-militar foragido por assassinato de Víctor Jara na ditadura PinochetPor Luís Henrique Costa
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A polícia chilena capturou Nelson Haase, um ex-militar que estava foragido e havia sido condenado pelo sequestro e morte do cantor e compositor Víctor Jara, crime ocorrido há mais de 50 anos, durante a ditadura militar no Chile. A detenção do acusado, ocorrida em 26 de julho de 2026, foi confirmada pelo Poder Judiciário.
Conhecido por composições como “El derecho de vivir en paz”, Víctor Jara representa um ícone da Nova Canção Chilena, um movimento artístico e social que ganhou força nos anos 1960. O artista foi brutalmente torturado e morto com 44 disparos em 16 de setembro de 1973, apenas cinco dias depois do golpe de Estado de Augusto Pinochet que derrubou o presidente Salvador Allende. Na época, Jara tinha 40 anos.
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A apuração judicial detalhou que “ele foi submetido a torturas físicas, sendo os golpes mais severos aqueles que recebeu na região do rosto e nas mãos”, revelando a crueldade do crime.
Em 28 de agosto de 2023, às vésperas dos 50 anos do golpe militar e da morte de Jara, sete militares da reserva receberam sentenças de oito a 25 anos pelo envolvimento no caso. Nelson Haase, então com 80 anos, foi condenado a 25 anos de reclusão, mas se evadiu antes de ser detido, tornando-se o único dos condenados a permanecer em fuga.
O Poder Judiciário declarou que “foi determinada a ordem de recolhimento à prisão do militar da reserva Nelson Haase Mazzei”, confirmando a validade da sentença e a necessidade de sua detenção.
Conforme noticiado pela imprensa local, o ex-militar foi localizado na região de Los Lagos, cerca de 950 quilômetros ao sul de Santiago. Ele não foi o único a tentar evitar a prisão após a sentença. O general Hernán Chacón, de 85 anos, suicidou-se quando a polícia chegou à sua residência para efetuar a prisão e levá-lo para cumprir a pena.
A morte de Víctor Jara é reconhecida como um dos atos mais cruéis da ditadura militar chilena, que durou de 1973 a 1990 e resultou em um balanço trágico de 3.200 mortos e desaparecidos. O longo período até a captura de Haase evidencia a persistência das buscas por justiça em casos de violação de direitos humanos no país.











