Sindicância da Secretaria da Saúde apura morte de mulher de 41 anos após colonoscopia em São PauloPor Carolina Costa
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A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo iniciou uma sindicância interna para investigar a morte de Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, ocorrida em 29 de julho de 2026. A paciente faleceu depois de sofrer uma perfuração intestinal durante uma colonoscopia no Hospital Municipal Ermelino Matarazzo, localizado na Zona Leste da capital paulista.
A apuração da SMS tem como alvo a Clínica de Endoscopia Salinas, empresa terceirizada que realizou o exame e presta serviços à unidade de saúde há 25 anos. Em comunicado oficial, a pasta lamentou profundamente o ocorrido e garantiu que a investigação será rigorosa quanto à conduta médica adotada durante o procedimento.
Apuração sobre o incidente durante o procedimento
Após a grave intercorrência durante o exame, Mariana precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência no Hospital Ermelino Matarazzo. No entanto, as complicações decorrentes da perfuração foram severas, e a paciente não resistiu, vindo a óbito no dia seguinte ao procedimento.
Familiares da vítima contaram que Mariana não apresentava problemas de saúde conhecidos e estava realizando o exame preventivo pela primeira vez. A colonoscopia foi recomendada devido ao histórico de câncer colorretal na família, um protocolo comum para o diagnóstico precoce. Mara Aparecida, tia de Mariana, afirmou que se tratava de um exame de rotina, enfatizando que a sobrinha não tinha nenhuma condição pré-existente.
Entenda o procedimento de colonoscopia e seus riscos
A colonoscopia é um procedimento médico fundamental e amplamente utilizado para a avaliação da saúde do intestino grosso e da porção final do intestino delgado. Considerado seguro, o exame é essencial para a detecção precoce de pólipos e câncer colorretal, contribuindo significativamente para a prevenção da doença. É realizado sob sedação, sendo geralmente indolor, mas requer um preparo intestinal prévio.
Apesar da segurança geral do procedimento, a família de Mariana relatou ter sido informada pela equipe médica que a paciente sofreu uma laceração de aproximadamente 50% do intestino durante a colonoscopia. “Eles falaram que rasgaram 50% do intestino dela”, disse a tia Mara, descrevendo a dimensão do dano.
Detalhes da vida da paciente e o impacto da tragédia
Mariana dos Santos Candido morava com a mãe na região da Cohab I, na Zona Leste de São Paulo. Ela deixa três filhos, de 20, 15 e 9 anos, que criava sozinha. Atuando como agente de organização escolar na rede estadual de ensino, a paciente havia comemorado recentemente a conquista de seu emprego registrado, um marco em sua trajetória.
A tia Mara Aparecida descreveu Mariana como uma pessoa “cheia de vida, guerreira para caramba”. Em um relato emocionado, ela contou que conversou com a sobrinha na véspera do exame, quando Mariana expressou um certo receio com o procedimento, dizendo “Tia, eu te amo” em sua última conversa.
Família relata dificuldade para obter informações do hospital
A família de Mariana criticou a falta de informações claras e imediatas por parte da administração do hospital após a intercorrência médica. Segundo Mara, representantes do hospital atribuíram a responsabilidade do exame a um serviço terceirizado e se recusaram a fornecer detalhes específicos.
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As dificuldades enfrentadas pela família para obter clareza sobre o caso incluíram:
- O hospital não informou o nome do laboratório responsável pelo exame;
- O nome do médico que realizou o procedimento também foi omitido;
- As informações foram restritas apenas a parentes de primeiro grau;
- A direção do hospital informou que um relatório detalhado sobre o caso só seria fornecido em até 30 dias.
A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita e morte acidental. O corpo de Mariana dos Santos Candido foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde será realizado o exame necroscópico para determinar a causa exata do falecimento.







