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Novas táticas criminosas, que vieram à tona em 6 de agosto de 2026, envolvem o uso de antenas ilegais para manipular o sinal de telefonia móvel e disparar golpes por mensagens de texto. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) identificou e apreendeu 11 desses equipamentos desde 2025, concentrando esforços no combate a essa modalidade de fraude que atinge milhares de brasileiros. As antenas falsas, capazes de enviar até 100 mil mensagens fraudulentas diariamente, exploram vulnerabilidades na antiga rede 2G para ludibriar as vítimas e desviar dinheiro, com abordagens que incluem falsos ganhos em apostas, ofertas de crédito e confirmações de compras enganosas.

Antenas ilegais interceptam sinal e exploram a fragilidade do 2G

As antenas fraudulentas, também conhecidas como Estações Rádio-Base (ERBs) fakes, operam interceptando o sinal das operadoras para forçar celulares próximos a se conectarem a uma rede com falhas de segurança. Este método aproveita uma brecha crítica na antiga tecnologia 2G, onde o aparelho do usuário não autentica a rede a que se conecta. Em contraste, gerações mais modernas como 4G e 5G exigem uma autenticação de mão dupla, tornando a interceptação e manipulação de dados praticamente impossível. Com essa vulnerabilidade, os golpistas conseguem direcionar o envio massivo de mensagens SMS para quem está em um raio de cerca de dois quilômetros da antena.

A superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Teles, explicou que esses criminosos utilizam a tecnologia para simular ambientes de baixa cobertura, fazendo com que os celulares, mesmo conectados ao 4G ou 5G, automaticamente “caiam” para a rede 2G. Esta estratégia é fundamental para o sucesso do golpe, pois permite a injeção de SMS maliciosos que oferecem falsos benefícios ou induzem a ações perigosas, como cliques em links comprometidos ou ligações para centrais de atendimento fraudulentas. Os equipamentos foram encontrados predominantemente em áreas de grande circulação, como os bairros Pinheiros e Moema, em São Paulo, e também no Rio de Janeiro, com o objetivo claro de maximizar o número de potenciais vítimas.

A complexidade e o alto investimento por trás dos equipamentos de fraude

A montagem e a operação das antenas falsas representam um esquema que exige um investimento financeiro considerável e um conhecimento técnico aprofundado. Estima-se que cada um desses equipamentos pode custar mais de R$ 100 mil, o que sugere a participação de grupos criminosos organizados e com alto poder aquisitivo. As investigações da Polícia Civil, em conjunto com a Anatel, já revelaram casos de indivíduos que se especializam em montar os componentes das ERBs e distribuí-los no mercado ilegal, evidenciando uma cadeia de produção e distribuição bem estabelecida por trás dos golpes.

A detecção dessas antenas clandestinas geralmente começa com denúncias das próprias operadoras de telefonia, que notam interferências anormais em seu sinal. Após receber o alerta, as equipes da Anatel são enviadas à região para iniciar a busca, utilizando analisadores de espectro. Esses equipamentos tecnológicos são capazes de detectar a origem e a intensidade das interferências, auxiliando os técnicos a localizar o ponto exato de onde o sinal ilegal é transmitido. O processo de localização pode ser demorado, pois os golpistas frequentemente instalam as antenas em locais discretos, como apartamentos em andares altos em bairros movimentados ou até mesmo em veículos, para operar de forma móvel e evitar a detecção.

Riscos legais e penalidades para quem opera dispositivos clandestinos

A operação de antenas de comunicação sem a devida autorização da Anatel é considerada uma atividade clandestina e ilegal, sujeita a severas sanções. No Brasil, o uso de bloqueadores de sinal é estritamente restrito a alguns órgãos públicos específicos, como os que administram presídios, e sempre depende de uma autorização expressa da agência reguladora. Aqueles que forem flagrados operando esses equipamentos clandestinos podem enfrentar detenção de dois a quatro anos, período que pode ser acrescido em até metade se forem comprovados danos a terceiros. Além da privação de liberdade, os responsáveis estão sujeitos a multas que podem chegar a R$ 10 mil.

Medidas eficazes para proteger seu celular de golpes por SMS

Para se proteger de golpes que utilizam antenas falsas e mensagens fraudulentas, especialistas em segurança digital recomendam a adoção de medidas preventivas essenciais no uso do seu aparelho. A principal delas é configurar seu smartphone para priorizar as redes mais modernas e desativar o acesso a tecnologias de comunicação mais antigas, como o 2G, que são as mais visadas pelos criminosos.

  • Para usuários de Android: Acesse o menu “Configurações”, navegue até “Conexões” e, em seguida, selecione “Redes móveis”. Procure e desative a opção “Permitir serviço 2G”. É importante lembrar que os nomes exatos das opções podem variar ligeiramente dependendo da marca e do modelo do seu dispositivo.
  • Para usuários de iPhone: Vá em “Ajustes”, depois “Privacidade e Segurança” e, então, ative o “Modo de Isolamento”. Embora este recurso eleve significativamente a segurança do aparelho, ele pode limitar temporariamente a funcionalidade de alguns aplicativos, sendo uma ferramenta poderosa contra ameaças sofisticadas.

Além das configurações de rede, é fundamental manter uma vigilância constante sobre as mensagens de texto recebidas. Nunca clique em links suspeitos, especialmente aqueles que chegam de remetentes desconhecidos ou que prometem benefícios irrealistas. Evite atender a solicitações de instalação de aplicativos vindas por SMS. Manter o sistema operacional do seu celular sempre atualizado também é crucial, pois as atualizações frequentemente incluem novos recursos de segurança que ajudam a proteger contra as ameaças mais recentes.

Ações de fiscalização e o avanço no combate às fraudes

A Anatel tem intensificado significativamente suas ações de fiscalização e a colaboração com as forças policiais para desmantelar os esquemas de antenas falsas. Desde 2025, a agência tem realizado apreensões importantes, tanto em centros urbanos quanto em operações mais complexas que envolvem unidades móveis. Essa sinergia entre fiscalização técnica e investigação criminal tem sido fundamental para identificar não apenas os equipamentos ilegais, mas também os responsáveis pela sua montagem e operação, atuando de forma contínua na prevenção e repressão dessas atividades ilícitas em todo o território nacional. A detecção de programas de computador específicos para disparar mensagens e a identificação de centrais móveis de golpes demonstram a sofisticação crescente do crime e a necessidade de uma resposta robusta.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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