Surto de sarampo nas Américas atinge recorde em 22 anos; Brasil intensifica imunização e alerta para atualização de cadernetas
As Américas enfrentam um cenário preocupante em 2026, com o registro do maior número de casos confirmados de sarampo em 22 anos, conforme alertado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A situação elevou o risco para a saúde pública a um patamar muito alto, com surtos ativos disseminados por diversos países do continente. Diante da gravidade, a OPAS emitiu um alerta epidemiológico em 7 de agosto, recomendando o fortalecimento das ações de vacinação, da vigilância e da capacidade de resposta rápida a novos focos da doença.
No Brasil, o Ministério da Saúde reforça a importância da Campanha Nacional de Multivacinação, em andamento até 1º de setembro, como uma medida crucial para conter a possível reintrodução do vírus. A iniciativa visa especialmente crianças e adolescentes com menos de 15 anos, oferecendo a oportunidade de verificar e atualizar as doses em atraso, incluindo a proteção contra o sarampo, disponível gratuitamente em todo o Sistema Único de Saúde (SUS).
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Aumento alarmante de casos nas Américas
O sarampo, uma doença com alto poder de contágio, tem demonstrado um avanço significativo nas Américas. Em 2025, a região já havia contabilizado 14.891 infecções e 29 óbitos, um número 32 vezes superior ao de 2024 e o maior desde 2019, quando 23.269 casos foram registrados. O panorama se agravou ainda mais em 2026, com 22.324 casos confirmados e 38 mortes em 17 países e territórios até 13 de junho. A maior concentração desses casos, cerca de 97%, foi observada em nações como México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá, evidenciando a amplitude do problema.
A circulação intensa do vírus em outras localidades aumenta consideravelmente a probabilidade de importação de novos casos para o Brasil. A manutenção de altas coberturas vacinais é a principal barreira para evitar a reintrodução e a transmissão sustentada da doença em território nacional, um status que o país conquistou e mantém desde a recertificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo pela OPAS, em novembro de 2024.
Estratégia brasileira contra a reintrodução
Apesar do status de eliminação da circulação endêmica, o Brasil registrou 24 casos de sarampo em 2026, todos eles relacionados à importação do vírus. Três desses casos foram prontamente encerrados, sem risco de disseminação. No entanto, 21 pacientes permanecem sob acompanhamento em São Paulo: um na cidade de Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo e 18 na capital paulista. Essa situação pontual reforça a necessidade de vigilância constante e ações preventivas.
Diante da identificação desses focos, o Ministério da Saúde adotou medidas emergenciais, ampliando a estratégia de imunização em Guarulhos, São Bernardo do Campo e na capital paulista. Nessas localidades, a orientação é a vacinação indiscriminada de indivíduos com idade entre 6 meses e 59 anos, seguindo as recomendações específicas para cada grupo etário. Para garantir o bloqueio vacinal, 3,2 milhões de doses da vacina tríplice viral foram direcionadas ao estado de São Paulo, assegurando o abastecimento e a continuidade das ações de saúde pública.
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A importância da vacinação e a campanha atual
A vacina tríplice viral, que oferece proteção contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente em todas as unidades de saúde do SUS. Para crianças de 6 a 11 meses, é aplicada uma “dose zero”, que serve como proteção adicional e não substitui as doses de rotina previstas para os 12 e 15 meses de idade. Para as demais faixas etárias, os profissionais de saúde avaliam a necessidade de vacinação com base na idade e no histórico vacinal individual, garantindo a proteção adequada para cada pessoa.
Manter a caderneta de vacinação atualizada é a forma mais eficaz de prevenção. A alta cobertura vacinal não apenas protege o indivíduo, mas também contribui para a imunidade coletiva, protegendo aqueles que não podem ser vacinados por condições de saúde específicas. A campanha de multivacinação é uma oportunidade para fortalecer essa barreira protetora contra diversas doenças. Além do sarampo, a campanha inclui vacinas que protegem contra:
- Poliomielite
- Meningites
- Pneumonias
- Coqueluche
- Febre amarela
- Influenza
- Covid-19
- HPV
- Dengue
Ampliando a proteção: outras vacinas e a nova Pneumo 20
Esta edição da Campanha de Multivacinação marca também a primeira vez em que a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) é incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação do Brasil, ampliando ainda mais o leque de proteção oferecido à população. O Ministério da Saúde monitora continuamente a situação epidemiológica do sarampo, tanto no Brasil quanto no continente, e orienta estados e municípios sobre as melhores práticas de vigilância, investigação de casos e estratégias de imunização.
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A recomendação é clara: pais e responsáveis devem levar crianças e adolescentes a uma unidade de saúde para conferir a situação vacinal. O Dia D de Mobilização Nacional, agendado para 22 de agosto, será um momento chave para intensificar essas ações em todo o país. Manter as vacinas em dia é uma das principais ações individuais e coletivas para resguardar a saúde pública e evitar o ressurgimento de doenças que já estavam sob controle ou eliminadas.














