Desemprego nacional atinge 5,4% no segundo trimestre de 2026 com queda em 13 estados
A taxa de desocupação no Brasil registrou um patamar de 5,4% no segundo trimestre de 2026, consolidando uma trajetória de recuperação no mercado de trabalho. Este índice representa uma retração de 0,7 ponto percentual em comparação com o trimestre imediatamente anterior, quando a taxa estava em 6,1%. A melhora é ainda mais evidente ao se analisar o cenário anual, com uma queda de 0,4 ponto percentual frente ao segundo trimestre de 2025, que registrava 5,8%.
A análise detalhada dos dados revela um cenário de recuperação heterogênea entre as unidades da federação. Treze estados apresentaram diminuição na taxa de desocupação em relação ao primeiro trimestre do ano, enquanto os demais mantiveram seus níveis estáveis. Esse movimento sinaliza uma dinâmica complexa, onde fatores regionais influenciam diretamente a absorção da mão de obra e a geração de novas oportunidades de trabalho no país.
Desocupação em queda e disparidades regionais
O panorama nacional de redução do desemprego foi impulsionado por resultados positivos em diversas regiões. Treze unidades da federação registraram queda em suas taxas de desocupação, demonstrando um aquecimento localizado em seus mercados de trabalho. Os destaques foram para estados como Rio Grande do Norte, que apresentou a maior redução de 1,9 ponto percentual, seguido por Paraíba e Acre, ambos com recuo de 1,6 ponto percentual.
A lista completa dos estados que viram a taxa de desocupação diminuir, com a respectiva variação percentual, inclui:
- Santa Catarina (-0,6 p.p.)
- Maranhão (-0,9 p.p.)
- Espírito Santo (-0,9 p.p.)
- Mato Grosso (-0,9 p.p.)
- Goiás (-1,0 p.p.)
- Rondônia (-1,0 p.p.)
- Mato Grosso do Sul (-1,1 p.p.)
- Minas Gerais (-1,2 p.p.)
- Alagoas (-1,3 p.p.)
- Tocantins (-1,5 p.p.)
- Acre (-1,6 p.p.)
- Paraíba (-1,6 p.p.)
- Rio Grande do Norte (-1,9 p.p.)
Apesar da tendência de queda geral, as disparidades regionais permanecem significativas. Enquanto Santa Catarina ostentou a menor taxa de desocupação do país, com apenas 2,1%, e Mato Grosso registrou 2,2%, outros estados ainda enfrentam desafios consideráveis. O Amapá liderou o ranking das maiores taxas de desocupação, com 9,8%, seguido de perto pela Bahia (9,1%) e por Pernambuco e Piauí, ambos com 8,3%. Essas diferenças evidenciam a necessidade de políticas públicas e investimentos direcionados para as regiões com maior vulnerabilidade no emprego.
Perfil da força de trabalho: gênero, raça e escolaridade
A análise da taxa de desocupação por diferentes segmentos da população revela persistentes desigualdades no mercado de trabalho brasileiro. No segundo trimestre de 2026, as mulheres continuaram a ser mais afetadas pelo desemprego, registrando uma taxa de 6,4%, superior aos 4,6% observados entre os homens. Essa diferença sublinha a importância de considerar as nuances de gênero nas estratégias de fomento ao emprego e inclusão.
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No que tange à cor ou raça, a população branca apresentou uma taxa de desocupação de 4,2%, ficando abaixo da média nacional de 5,4%. Por outro lado, as pessoas pretas e pardas enfrentaram índices mais elevados, com 6,9% e 6,1%, respectivamente. Esses dados reforçam a existência de barreiras estruturais que impactam o acesso e a permanência de determinados grupos no mercado de trabalho, demandando ações afirmativas e de combate à discriminação.
O nível de instrução também se mostra um fator determinante. Indivíduos com ensino médio incompleto registraram a maior taxa de desocupação, atingindo 9,0%. Em contrapartida, a conclusão do ensino superior demonstrou ser um diferencial importante para a empregabilidade, com uma taxa de desocupação de apenas 3,0%. Para aqueles com ensino superior incompleto, o índice foi de 5,6%, evidenciando que a qualificação formal é um pilar fundamental para a inserção e ascensão profissional.
Subutilização e desalento persistem em algumas regiões
Além da taxa de desocupação, outros indicadores fornecem uma visão mais abrangente das condições do mercado de trabalho. A taxa composta de subutilização da força de trabalho, que inclui desocupados, subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial, alcançou 12,9% no país. Este percentual reflete a parcela da população que, mesmo trabalhando ou procurando emprego, não está aproveitando plenamente sua capacidade produtiva.
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Regionalmente, o Piauí se destacou com a maior taxa de subutilização, atingindo 26,6%, seguido pela Bahia (24,4%) e Alagoas (23,4%). Em contraste, Santa Catarina registrou a menor taxa, de 4,1%, ao lado de Rondônia (6,0%) e Mato Grosso (6,1%). Essas diferenças regionais na subutilização indicam que, em algumas áreas, a qualidade e a quantidade de empregos disponíveis são insuficientes para absorver a força de trabalho de forma adequada.
O percentual de desalentados, indivíduos que desistiram de procurar emprego por não acreditarem encontrar, foi de 2,1% da população na força de trabalho ou desalentada. Maranhão (9,4%), Alagoas (8,1%) e Piauí (7,0%) registraram os maiores índices, enquanto Santa Catarina (0,2%), Espírito Santo (0,6%) e Rondônia (0,7%) apresentaram os menores percentuais. A persistência do desalento em certas regiões é um sinal de fragilidade econômica e de desmotivação da população ativa, impactando o potencial de crescimento e desenvolvimento local.
Formalização e informalidade no mercado de trabalho
A formalização do emprego privado com carteira assinada atingiu 74,4% dos trabalhadores do setor no segundo trimestre de 2026. Este índice é crucial para a garantia de direitos trabalhistas e previdenciários, além de contribuir para a estabilidade econômica dos trabalhadores. Os estados do Sul e Centro-Oeste lideraram neste aspecto, com Santa Catarina registrando 86,7% de empregados com carteira, São Paulo com 82,0% e Mato Grosso do Sul com 81,0%.
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Em contraste, estados do Norte e Nordeste apresentaram os menores percentuais de formalização. Maranhão (53,6%), Piauí (54,2%) e Acre (55,1%) indicam um desafio maior na criação de empregos formais e na regularização das relações de trabalho. Essa disparidade sugere que a informalidade continua sendo uma característica marcante em determinadas economias regionais, afetando a segurança e a renda dos trabalhadores.
A taxa de informalidade no país alcançou 37,4% da população ocupada. Maranhão (56,9%), Pará (55,9%) e Amazonas (51,7%) registraram as maiores taxas, enquanto Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,7%) e Mato Grosso do Sul (29,2%) apresentaram os menores índices. A alta informalidade, além de precarizar as relações de trabalho, representa um desafio para a arrecadação de impostos e para a sustentabilidade dos sistemas de seguridade social.
No que se refere ao trabalho por conta própria, 25,3% da população ocupada do país atuava nessa modalidade. Maranhão (33,8%), Amapá (31,0%) e Pará (30,3%) tiveram os maiores percentuais, enquanto Acre (17,5%), Distrito Federal (18,0%) e Tocantins (18,9%) registraram os menores. O trabalho por conta própria pode indicar tanto empreendedorismo quanto a dificuldade em encontrar vagas formais, variando sua interpretação conforme o contexto regional e a qualidade das ocupações geradas.
Redução na busca por emprego de longo prazo
Um dado encorajador do segundo trimestre de 2026 é a diminuição do contingente de pessoas que buscam trabalho há mais de dois anos. Esse grupo, que representava 1,3 milhão no mesmo período de 2025, recuou 15,6%, totalizando 1,1 milhão de indivíduos. Essa redução sugere que mais pessoas estão conseguindo se reinserir no mercado de trabalho após longos períodos de inatividade, o que é um indicador positivo de recuperação e dinamismo.
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Similarmente, o número de pessoas buscando ocupação há menos de um mês também apresentou uma leve queda de 2,4% em comparação com o segundo trimestre de 2025. O contingente passou de 1,2 milhão para 1,1 milhão de pessoas. Embora a redução seja menor, ela ainda aponta para uma tendência de menor fluxo de novos desempregados ou uma maior agilidade na recolocação, contribuindo para a desaceleração geral da taxa de desocupação no curto prazo.

















