Cofundador do Facebook Eduardo Saverin compra participação no Liverpool ao lado de Jeff Bezos
O empresário brasileiro Eduardo Saverin, um dos cofundadores do Facebook, integra um novo grupo de proprietários do Liverpool. Ele faz parte do consórcio 1892 Holdings, que inclui também o fundador da Amazon, Jeff Bezos, e outros investidores, e que adquiriu uma participação minoritária no renomado clube de futebol inglês.
Atualmente, Saverin detém o título de brasileiro mais rico do planeta, com uma fortuna avaliada em cerca de 33 bilhões de dólares (equivalente a aproximadamente 173 bilhões de reais). Ele figura na 66ª posição do ranking global de bilionários em 2026.
A maior parte de sua vasta riqueza teve origem em sua colaboração na criação do Facebook.
O interesse no futebol não é recente para Eduardo Saverin
A ligação de Eduardo Saverin com o cenário do futebol inglês já existia antes de sua recente entrada no Liverpool. Em 2022, o empresário brasileiro participou de um grupo liderado por Steve Pagliuca, que tentou adquirir o Chelsea, clube que estava à venda na época pelo russo Roman Abramovich.
Saverin e sua esposa, Elaine Andriejanssen, estavam entre os investidores que apoiavam a proposta de Pagliuca, que é copresidente da Bain Capital e coproprietário do Boston Celtics. A oferta para a compra do Chelsea girava em torno de 4 bilhões de dólares.
Mais sobre o assunto: Eduardo Saverin lidera com US$ 34,5 bilhões como brasileiro mais rico da Forbes em 2025
Embora o grupo tenha avançado para a etapa final da disputa pela aquisição, não foi bem-sucedido. O Chelsea acabou sendo comprado por um consórcio liderado pelo empresário Todd Boehly e pela Clearlake Capital.

A trajetória de vida e carreira de Eduardo Saverin
Nascido em São Paulo em 1982, Saverin mudou-se para os Estados Unidos ainda na infância. Lá, ele conheceu Mark Zuckerberg durante a graduação em economia na Universidade Harvard e, em 2004, se tornou um dos cofundadores do Facebook. Hoje, com 44 anos, ele reside em Singapura com sua família.
O brasileiro demonstra fluência tanto em inglês quanto em português, e possui conhecimentos intermediários de espanhol.
Nos primórdios da rede social, Saverin assumiu a responsabilidade pela área de negócios e fez o investimento inicial que permitiu o funcionamento da empresa, conforme detalhado no livro “Milionários Acidentais”, de Ben Mezrich.
Foi a partir de sua participação no Facebook que sua fortuna começou a se construir. Ele apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, após a abertura de capital da empresa, que impulsionou o valor de sua fatia na companhia.
Entenda a disputa que moldou a participação de Saverin no Facebook
A participação de Saverin na empresa, contudo, acabou sendo menor do que a dos outros fundadores. Ele e Zuckerberg romperam a parceria ainda nos primeiros anos do Facebook, devido a divergências sobre os rumos e a gestão do negócio.
O conflito entre os dois chegou aos tribunais e serviu de inspiração para parte do enredo do filme “A Rede Social”, lançado em 2010, onde o empresário brasileiro é interpretado pelo ator Andrew Garfield.
Mesmo com os desafios iniciais, Saverin foi considerado o brasileiro mais rico da história em 2024, com uma fortuna estimada em 155,9 bilhões de dólares (equivalente a 796,64 bilhões de reais), impulsionada pela forte valorização das ações da Meta, empresa que controla o Facebook, Instagram e WhatsApp.
Os detalhes da saída de Eduardo Saverin da gestão do Facebook
Enquanto Saverin se dedicava à área de negócios, Zuckerberg focava no desenvolvimento da plataforma, que experimentava um crescimento acelerado. Com a rápida expansão da empresa, surgiram desentendimentos entre os dois sobre a maneira como o Facebook deveria ser conduzido.
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Uma reportagem do Business Insider publicada em 2012 revelou que Zuckerberg planejava transferir o registro da empresa para o estado americano de Delaware, conhecido por sua legislação mais favorável às corporações. Ele também expressava insatisfação com o distanciamento de Saverin das atividades diárias.
Em uma mensagem enviada ao cofundador Dustin Moskovitz, Zuckerberg alegou que Saverin não cumpriu suas principais responsabilidades, que incluíam a estruturação da empresa, a captação de recursos e o desenvolvimento de um modelo de negócios.
Com o relacionamento cada vez mais tenso, Zuckerberg estabeleceu uma nova empresa em Delaware em julho de 2004 para assumir o controle do Facebook. Em poucos meses, a participação de Saverin na companhia foi drasticamente diluída, caindo de 65% para menos de 10%.
A situação escalou para os tribunais. O Facebook questionou a validade de um documento que supostamente garantiria mais ações ao brasileiro, enquanto Saverin acusou a empresa de não cumprir deveres legais de transparência e lealdade entre os sócios. Anos depois, as partes chegaram a um acordo, e Saverin ficou com cerca de 5% da empresa.
Em 2012, pouco antes da abertura de capital do Facebook, o empresário brasileiro renunciou à sua cidadania americana e passou a viver oficialmente em Singapura, onde reside até hoje.
Os novos caminhos de Eduardo Saverin após deixar o Facebook
Após se afastar da gestão do Facebook, Saverin direcionou seus esforços para o investimento em empresas de tecnologia em estágios iniciais. Em 2015, ele fundou a gestora B Capital ao lado de Raj Ganguly, um ex-executivo da Bain Capital e do Boston Consulting Group (BCG).
Atualmente, Saverin atua como cofundador e copresidente da B Capital, uma empresa que investe em companhias de tecnologia, saúde e clima em diversos países. Segundo a Forbes, a gestora administra um patrimônio de mais de 7 bilhões de dólares (cerca de 35,77 bilhões de reais) e possui escritórios em cidades como São Francisco, Nova York, Los Angeles, Austin, Singapura, Hong Kong e Doha.
Sob a liderança de Saverin, a B Capital expandiu sua atuação nos últimos anos. Em 2022, captou 250 milhões de dólares (aproximadamente 1,27 bilhão de reais) destinados a investimentos em startups em estágio inicial.
Já em 2024, a empresa levantou mais 750 milhões de dólares (cerca de 3,83 bilhões de reais) para aplicar em companhias mais consolidadas no mercado.
Em 2026, a gestora anunciou a criação de um novo fundo de 500 milhões de dólares (equivalente a 2,55 bilhões de reais), com foco no financiamento de novos negócios de tecnologia, ampliando ainda mais sua presença no mercado de investimentos em inovação.

















