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Em 17 de agosto de 2026, a plataforma Discord iniciou a interrupção de suas ferramentas de transmissão em tempo real, videochamadas e compartilhamento de tela para os usuários brasileiros. Essa ação acontece em resposta a uma ordem da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que estabeleceu a suspensão dos recursos como forma de proteção para menores de idade.

Inicialmente, a empresa havia questionado o período de três dias úteis concedido pela agência para o cumprimento da determinação, chegando a solicitar a anulação da decisão. No entanto, o Discord conseguiu aplicar as restrições dentro do prazo estabelecido, e a companhia manifesta o desejo de restaurar as funcionalidades suspensas prontamente.

Como a interrupção dos serviços do Discord afeta os usuários brasileiros

A partir da paralisação, os usuários do Discord no Brasil não podem mais utilizar as opções de vídeo em tempo real. Isso engloba o recurso Go Live, utilizado para transmissões, bem como a função de compartilhamento de tela e as tradicionais chamadas por vídeo.

As outras ferramentas do aplicativo seguem operando normalmente em todo o território nacional. Conversas diretas, uso de servidores, canais de voz e as chamadas apenas em áudio continuam totalmente acessíveis.

Por meio de um comunicado direcionado aos usuários, o Discord explicou que a interrupção dos serviços visa atender a uma ordem oficial do governo, e reiterou que o vídeo é um componente essencial da experiência que a plataforma busca proporcionar.

Stanislav Vishnevskiy, cofundador e diretor de tecnologia do Discord, afirmou que a organização está acatando a determinação e cooperando “de boa-fé” com a ANPD para resolver a situação.

Plataforma havia recorrido da medida imposta pela ANPD

Previamente à efetivação da determinação, o Discord comunicou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que teria dificuldades em executar a suspensão dos recursos dentro do prazo estipulado.

Em 14 de agosto de 2026, a empresa protocolou um pedido de reconsideração da deliberação e levantou dúvidas sobre a autoridade da agência para ordenar a interrupção das funcionalidades. A solicitação do Discord permanece sob análise.

Apesar da objeção inicial, a plataforma aplicou a restrição em 17 de agosto de 2026. O Discord não confirmou a desistência de seu pedido de reconsideração e mantém que está trabalhando para restabelecer os recursos de vídeo.

Descobertas sobre a morte de adolescente levaram à decisão

A decisão da ANPD veio após a abertura de um processo de fiscalização pela agência para apurar as ferramentas de proteção de crianças e adolescentes disponíveis no Discord.

A investigação teve início durante as averiguações relacionadas ao falecimento de uma adolescente de 13 anos no estado de Mato Grosso do Sul. Conforme dados apurados pelas autoridades, a garota teria sido influenciada à automutilação e ao suicídio por outros jovens, em um cenário que envolvia transmissões ao vivo e grupos dentro da plataforma.

Este trágico evento também motivou a primeira-dama Janja Lula da Silva a expressar seu apoio ao bloqueio do Discord no país. Ela solicitou a desativação da plataforma durante um evento focado na proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

Fiscalização da ANPD sobre o Discord segue em andamento

A interrupção das transmissões ao vivo não representa o fim da fiscalização da plataforma. A ANPD continua avaliando as providências tomadas pela empresa para proteger jovens e crianças, e pode impor outras medidas se detectar quaisquer falhas.

A princípio, a agência estabeleceu que as funcionalidades de transmissão em tempo real e outros métodos de compartilhamento de vídeo permaneceriam inativos até que o Discord pudesse demonstrar a implementação de mecanismos de proteção adequados.

Este processo está fundamentado nas obrigações estabelecidas pelo ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente). Caso haja desobediência ou comprovação de irregularidades, o Discord poderá enfrentar sanções adicionais conforme a legislação vigente.

Empresa de comunicação garante apoio às autoridades do Brasil

O Discord reiterou seu compromisso em cooperar com as autoridades brasileiras nas investigações acerca do caso que levou à decisão da ANPD.

A empresa também solicitou que os usuários brasileiros compartilhem suas experiências e formas de uso da plataforma, buscando oferecer às autoridades uma perspectiva mais abrangente sobre a diversidade de utilizações do serviço no país.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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