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Neve surpreende no Mauna Kea durante a passagem de furacão Lala no Havaí

Tempestade de neve
Foto: Tempestade de neve - Kichigin/ Shutterstock.com
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Um fenômeno meteorológico incomum foi registrado no Havaí em 18 de agosto de 2026, quando flocos de neve caíram sobre o topo do vulcão Mauna Kea enquanto o furacão Lala atingia a região. A cena, considerada uma das mais bizarras do ano, combinou as chuvas torrenciais e os ventos destrutivos de um ciclone tropical com o clima gelado das altas altitudes.

Enquanto a Ilha Grande enfrentava inundações e rajadas de vento, o cume do Mauna Kea, que se eleva a cerca de 4.205 metros acima do nível do mar, foi coberto por neve. Embora o Havaí seja conhecido por seu clima tropical e praias paradisíacas, o evento ilustra uma complexa interação atmosférica, tornando-o um caso de estudo para meteorologistas.

Entenda a física por trás da neve em um furacão

A aparente contradição de um furacão tropical produzindo neve em um ambiente quente é explicada pela física atmosférica. O topo do Mauna Kea frequentemente registra temperaturas próximas ou abaixo de 0°C, mesmo estando em uma região tropical. Isso ocorre porque a temperatura da atmosfera diminui consideravelmente com o aumento da altitude, fazendo com que o ar no cume seja dezenas de graus mais frio do que ao nível do mar.

O que tornou o episódio excepcional foi a coincidência de uma vasta quantidade de umidade tropical fornecida pelo furacão Lala, temperaturas suficientemente baixas em altitude e a presença de uma montanha que se projeta por quase quatro quilômetros acima do oceano. Essa conjunção de fatores criou as condições ideais para a precipitação congelar.

A aproximação do furacão Lala e suas consequências

O furacão Lala, classificado como categoria 1, não tocou terra diretamente na Ilha Grande, mas passou a uma distância de aproximadamente 40 a 50 quilômetros da costa. Apesar disso, a circulação externa e a parede do olho do sistema atingiram diretamente a ilha, marcando a aproximação mais próxima de um furacão já registrada na Ilha Grande desde o início das observações modernas.

Durante a passagem do furacão, o topo do Mauna Kea registrou rajadas de vento que ultrapassaram 190 km/h, com uma sensação térmica que chegou a -4°C. Simultaneamente, o ciclone transportava uma quantidade extraordinária de vapor d’água para o arquipélago, alimentando o processo de precipitação.

O papel do relevo havaiano na formação da neve

O relevo imponente do Havaí desempenhou um papel crucial no fenômeno. Quando o ar úmido associado ao furacão Lala encontrou as encostas das montanhas, foi forçado a subir. Esse processo, conhecido como levantamento orográfico, causa o resfriamento do ar e favorece a condensação do vapor d’água, intensificando as chuvas nas partes mais baixas da ilha.

Nas altitudes próximas ao cume do Mauna Kea, no entanto, a temperatura era baixa o suficiente para que a precipitação se transformasse em neve, e não em chuva. Dessa forma, a mesma tempestade que provocava enchentes e deslizamentos nas áreas costeiras estava, alguns quilômetros acima, criando uma paisagem de inverno.

Chuvas recordes e a singularidade do evento em agosto

A quantidade de água transportada pelo furacão Lala foi notável. Em alguns pontos da ilha, os acumulados de chuva excederam 900 milímetros. Na localidade de Laupāhoehoe, no nordeste da Ilha Grande, um total preliminar atingiu cerca de 1.107 milímetros (43,55 polegadas), o que pode posicionar o Lala entre os ciclones tropicais mais chuvosos já registrados nos Estados Unidos.

Embora a neve no Mauna Kea não seja um evento totalmente raro — o vulcão pode receber neve durante os meses de inverno —, a ocorrência em agosto e sob a influência direta de um furacão tropical é o que chamou a atenção dos meteorologistas. Furacões são geralmente associados a condições de tempo quente e úmido, tornando este episódio uma das grandes anomalias meteorológicas do ano. A neve não foi resultado de ar frio vindo de latitudes elevadas, mas sim da combinação única de umidade tropical, ascensão orográfica e as baixas temperaturas da alta altitude.

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