O Palmeiras entra em campo em 19 de agosto de 2026, contra o Cerro Porteño, às 19h (de Brasília), em Assunção, com muito mais em jogo do que apenas a classificação para as quartas de final da Libertadores. A partida carrega um peso significativo para o futuro imediato do clube.
Em um momento de alta pressão e atravessando sua pior sequência na temporada, a equipe alviverde confronta dois pilares que justificam a importância do jogo no Paraguai: o planejamento de Leila Pereira para o encerramento de seu mandato e a aspiração de Abel Ferreira de levantar novamente a taça da América.
Para a presidente, o título da Libertadores se tornou o objetivo primordial na fase final de sua gestão. Reeleita, Leila tem mandato até o fim de 2027 e já comunicou que não buscará uma nova eleição, direcionando o foco total para a competição continental.
Com essa prioridade em mente, o Palmeiras conteve a saída de atletas importantes e buscou reforços pontuais no mercado para elevar o patamar de um elenco que já era considerado competitivo.
No que diz respeito a Abel, a busca pelo título é inquestionável. O treinador sempre expressou o desejo de conquistar a Libertadores novamente e levar o Palmeiras a uma final continental, algo que não acontece desde a vitória em 2021.
Assim, a ambição pessoal do comandante se alinha com o planejamento estratégico da diretoria, em uma decisão que ganhou uma dimensão extra no período mais delicado do ano para o clube.
Após a perda do título para o Flamengo na temporada passada, a avaliação interna indicava que o grupo precisava de mais experiência e maturidade – exatamente os aspectos que Abel Ferreira identificou como falhas na eliminação do ano anterior.
As contratações de Marlon Freitas, Jhon Arias e Barboza – sendo este último o reforço mais recente – visaram preencher essa carência e conferir ao time mais “casca” para a Libertadores.
Agora, toda a estratégia será testada em um confronto imprevisível, fora de casa e sob forte cobrança. O empate no jogo de ida, em São Paulo, eliminou qualquer margem de erro: para avançar às quartas de final, o Verdão precisa obrigatoriamente da vitória na Nueva Olla.
O elenco de 2026 é internamente considerado o mais forte da era Abel Ferreira no Palmeiras. Para manter essa base, o clube recusou propostas de aproximadamente R$ 300 milhões por Allan e Flaco López, jogadores vistos como essenciais para o desempenho da equipe.
A decisão de preservar a base e reforçar o grupo pontualmente tem um impacto direto nas finanças. O Palmeiras chegou à metade do ano ainda distante da meta de vendas, que está orçada em R$ 399 milhões até o final de 2026. O clube também conta com as premiações das competições para compensar essa diferença, caso o valor de vendas não seja alcançado.
Valor das premiações da Libertadores pode aliviar metas financeiras do clube
A conquista de um título da Libertadores poderia gerar uma receita de até R$ 150 milhões. O Palmeiras já acumulou R$ 16,84 milhões na competição e, em caso de classificação para as quartas de final, assegura mais R$ 9 milhões em premiação.
Os números financeiros auxiliam a dimensionar a importância da decisão, mas o peso esportivo é ainda maior. Uma classificação fortaleceria a convicção da diretoria na abordagem adotada e legitimaria o discurso de que o elenco foi montado para competir no mais alto nível. Uma eliminação, por outro lado, intensificaria a pressão sobre um grupo concebido para disputar o principal título continental.
“Eu tenho um sonho de voltar a ganhar a Libertadores. Esse é meu sonho nesse momento. Ano passado bateu na trave e sabemos por que. Esse ano vamos mais uma vez tentar. Não posso prometer títulos. Gosto de sentir esse prazer esse sabor e isso que nos move, em busca dos títulos, e isso que nos move”, disse Abel, ao ser homenageado como o maior campeão entre técnicos no clube.
Se a expectativa é grande, a pressão acompanha. Uma eliminação não deve resultar na saída de Abel Ferreira do cargo, já que a própria Leila afirmou que o treinador só sairia “quando quisesse” e, nos últimos dias, defendeu o técnico e o elenco em meio à sequência negativa. Contudo, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, ainda em disputa, passariam a ter um peso de obrigação ainda maior.
O período de resultados ruins também não contribui para a situação. A vantagem no Brasileirão diminuiu para apenas três pontos, e a equipe alviverde está há quatro partidas sem vencer, registrando sua pior sequência na temporada. O último triunfo ocorreu no início de agosto, com o placar de 3 a 0 sobre o Fortaleza, no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil.
O jogo de volta, portanto, é o ponto de maior tensão para o Palmeiras até o momento na temporada. A bola começa a rolar às 19h, na Nueva Olla, em Assunção. Com o empate na partida de ida, a equipe precisa vencer para garantir a classificação e proporcionar alívio ao elenco e à comissão técnica.
