O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, enviou cerca de 200 militares das forças especiais ao Haiti na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, para resgatar quatro soldados salvadorenhos sequestrados nos arredores da capital, Porto Príncipe. O chefe de Estado exigiu a libertação imediata dos militares sem ferimentos e ameaçou exterminar as facções criminosas haitianas caso a ordem seja descumprida.
O envio das tropas ocorreu um dia depois de o mandatário salvadorenho confirmar, na quarta-feira (21), que os quatro integrantes das forças armadas de seu país eram mantidos como reféns por grupos armados locais. “Quero que vocês, chefes de gangues, entendam uma coisa muito claramente: o ataque de hoje não é nada comparado ao que está por vir se não resgatarmos os quatro reféns com vida”, declarou Nayib Bukele em pronunciamento publicado na rede social X.
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Como ocorreu a emboscada contra os soldados de El Salvador no Haiti?
O sequestro que motivou a operação militar aconteceu no domingo (18), quando os quatro salvadorenhos retornavam de um mercado em direção à base onde atuavam. Os militares integravam a Força-Tarefa Liberty II, vinculada à Força de Repressão às Gangues (GSF, na sigla em inglês), uma missão internacional criada para auxiliar a polícia haitiana no combate ao crime organizado.
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De acordo com informações apresentadas ao Conselho de Segurança na segunda-feira (19) pelo representante dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz — diplomata responsável por defender a posição do governo norte-americano na entidade —, o veículo blindado da equipe sofreu uma emboscada na região de Croix-des-Bouquets, nos arredores de Porto Príncipe. Os criminosos dispararam centenas de projéteis e lançaram explosivos contra o blindado, provocando um incêndio.
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Os quatro ocupantes conseguiram sair do veículo em chamas, mas perderam a comunicação com a base logo em seguida, dentro de um território controlado por facções armadas. Ao anunciar a operação de resgate, Bukele afirmou que as vítimas não atuavam como combatentes no país caribenho, mas sim como técnicos de aviação encarregados de salvar vidas e realizar evacuações médicas.
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Ameaças de Nayib Bukele às facções de Porto Príncipe e buscas em andamento
O contingente de 200 militares de elite de El Salvador desembarcou na capital haitiana dividido em duas etapas: o primeiro grupo, com 100 homens, chegou na manhã de quinta-feira (22), enquanto os outros 100 soldados aterrissaram durante a noite do mesmo dia. Em comunicado oficial, a GSF confirmou o reforço para atuar nas buscas e pediu que os moradores evitem circular pelas áreas de operação.
“A Força continua suas operações na área em estreita coordenação com a Polícia Nacional Haitiana e os parceiros operacionais relevantes”, informou a Força de Repressão às Gangues no documento divulgado na quinta-feira (22).
Ao exigir a entrega dos técnicos aeronáuticos, o presidente salvadorenho comparou a ofensiva no Caribe com a política de segurança interna adotada em seu país. “Não aceitem nossas palavras como meras ameaças. Já acabamos com as gangues em El Salvador e podemos acabar com vocês também”, afirmou Bukele. Na mesma declaração, o mandatário estabeleceu um ultimato aos sequestradores: “Ainda temos tempo para evitar isso. Devolvam-nos os nossos quatro compatriotas vivos, sem nenhum ferimento, e tudo voltará a ser como era antes do sequestro. A decisão está nas suas mãos.”
Na sexta-feira (23), Bukele voltou a usar a rede social X para rebater alertas sobre os riscos da incursão militar em território haitiano. Na ocasião, ele classificou as gangues locais como “satânicas” e prometeu vitória na operação. Já neste domingo (25), após a circulação de informações de que corpos localizados no Haiti poderiam pertencer aos militares desaparecidos, o presidente salvadorenho negou que os restos mortais encontrados fossem dos soldados de seu país.
Locais, datas e efetivo da operação de El Salvador no Haiti
- Local da emboscada: região de Croix-des-Bouquets, nos arredores de Porto Príncipe, em 18 de outubro de 2026.
- Área de atuação das buscas: região de Plaine du Cul-de-Sac, sob isolamento solicitado às comunidades locais a partir de 22 de outubro de 2026.
- Efetivo atual da missão internacional: a GSF opera com 2.000 integrantes enviados por seis países contribuintes, abaixo da meta total planejada de 5.500 membros.
- Pessoas afetadas pelo conflito interno: 1,5 milhão de moradores deslocados pela violência de grupos armados no Haiti, segundo estimativa da ONU.
Crise política no Haiti e o modelo prisional de Nayib Bukele
A ofensiva salvadorenha ocorre em um período de colapso institucional e agravamento da violência no Haiti, nação mais pobre do continente americano, onde grupos armados ampliaram nos últimos anos a prática de homicídios, sequestros, estupros e recrutamento de crianças. O país caribenho não realiza eleições desde 2016 e está sem um chefe de Estado eleito desde o assassinato de seu último presidente, em 2021. Em outubro de 2026, as autoridades haitianas adiaram por tempo indeterminado o pleito presidencial e legislativo que estava marcado para dezembro de 2026.
Em El Salvador, país da América Central, o governo de Nayib Bukele baseou sua gestão na repressão severa contra facções criminosas locais. A operação doméstica resultou na detenção de dezenas de milhares de pessoas sob suspeita de vínculo com gangues e na construção do Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), uma megaprisão de segurança máxima erguida para isolar os detentos.
Até este domingo (25), o paradeiro exato dos quatro técnicos de aviação salvadorenhos, a condição física atual dos militares e o nome da facção específica responsável pelo sequestro em Croix-des-Bouquets ainda não haviam sido confirmados oficialmente pelas autoridades. A identificação pericial dos corpos encontrados em território haitiano também permanece em apuração, enquanto as tropas especiais de El Salvador, a GSF e a Polícia Nacional do Haiti mantêm o cerco e as buscas ativas na região de Plaine du Cul-de-Sac.
