Crimes

Acusado de ordenar mortes por dívida no Paraná tinha ‘sentimento de soberania’, afirma delegado

Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo ficaram foragidos por um ano - Foto: Polícia Civil do Paraná
Foto: Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo ficaram foragidos por um ano - Polícia Civil do Paraná
Compartilhar
Siga no Google

Um delegado da Polícia Civil do Paraná (PC-PR) informou em 20 de agosto de 2026 que Carlos Henrique Buscariollo, apontado como mandante de uma emboscada que resultou na morte de quatro homens, agiu sob um “sentimento de soberania”, acreditando que poderia fazer o que bem entendesse. A família Buscariollo, composta pelo pai Antônio e três filhos (Paulo Ricardo, Carlos Henrique e Carlos Eduardo), é investigada por envolvimento no crime ocorrido em Icaraíma, no interior do Paraná. As vítimas estavam na região para cobrar uma dívida de R$ 255 mil.

Envolvimento familiar na chacina por cobrança de dívida no Paraná

A investigação da Polícia Civil revelou o suposto papel central de Carlos Henrique Buscariollo na orquestração dos assassinatos. Ele teria ordenado a execução dos quatro homens que foram ao encontro da família para cobrar um montante financeiro. Além de Carlos Henrique, seu pai, Antônio Buscariollo, e os irmãos Paulo Ricardo Costa Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo, também foram presos pelo crime.

    A complexidade do caso ganhou destaque com a participação de múltiplos membros da mesma família:

  • Antônio Buscariollo: Pai, preso após período de fuga.
  • Paulo Ricardo Costa Buscariollo: Filho, preso junto ao pai.
  • Carlos Henrique Buscariollo: Filho, identificado como o mandante, preso em Santa Bárbara do Oeste (SP).
  • Carlos Eduardo Buscariollo: Filho, já estava preso em São Bernardo do Campo (SP) por outro processo.

A cronologia da emboscada e os detalhes da dívida milionária

O crime remonta a 4 de agosto de 2025, quando Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma (PR). Eles se encontrariam com Alencar Gonçalves de Souza no Paraná para cobrar uma dívida significativa de R$ 255 mil da família Buscariollo. As quatro vítimas foram vistas pela última vez um dia depois, em 5 de agosto de 2025, e desde então foram consideradas desaparecidas.

Mais de um mês após o desaparecimento, em setembro de 2025, os corpos dos homens foram encontrados enterrados em um bunker, confirmando a emboscada fatal. A descoberta chocou a região e intensificou a busca pelos responsáveis.

A motivação do mandante: “sentimento de soberania” em Icaraíma

O delegado Leonardo Martinez, responsável pelo caso na Polícia Civil, detalhou a motivação por trás da ordem de execução. Segundo Martinez, Carlos Henrique foi imediatamente avisado sobre a presença dos cobradores no local.

“Ele [Carlos Henrique] foi imediatamente comunicado a respeito dessa presença desses cobradores ali naquele local. E ele ali, imbuído por esse sentimento de soberania, naquele local que ele poderia fazer o que bem entendesse, determinou execuções”, disse o delegado Martinez. A declaração aponta para uma mentalidade de impunidade e controle por parte do mandante.

Prisões em série e o rastreamento via Interpol

Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho, ficaram foragidos por cerca de um ano, sendo incluídos na lista vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). A localização e prisão dos dois aconteceram em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP) em 18 de agosto de 2026, após um intenso trabalho de rastreamento.

Carlos Henrique Buscariollo, o mandante, foi capturado em Santa Bárbara do Oeste (SP) na mesma data. Já Carlos Eduardo Buscariollo, outro filho, foi o quarto alvo e já estava cumprindo pena por tráfico de drogas em São Bernardo do Campo (SP). A coordenação das prisões aponta para uma operação de grande escala para desarticular a rede familiar envolvida.

Audiência de custódia mantém suspeitos detidos em São Paulo

Em 19 de agosto de 2026, Antônio, Paulo Ricardo e Carlos Henrique passaram por audiência de custódia. O juiz responsável homologou as prisões temporárias, determinando que os três permaneçam detidos no estado de São Paulo, conforme informou a defesa. A decisão mantém os principais suspeitos sob custódia enquanto as investigações prosseguem.

Próximos passos da investigação e atuação da defesa

A Polícia Civil afirmou que as investigações continuam e não descartam a participação de outras pessoas no crime, mas não irá divulgar detalhes para não comprometer a apuração. Até a mais recente atualização, a dinâmica exata do crime e a atuação individual de cada envolvido não foram amplamente detalhadas.

A defesa dos suspeitos, por sua vez, disse em 18 de agosto de 2026 possuir provas que refutariam o envolvimento de Carlos Henrique Buscariollo no caso. Em 19 de agosto de 2026, a defesa emitiu um novo comunicado à imprensa, negando que Carlos Eduardo responda pelo crime de tráfico de drogas, contestando a informação citada na coletiva de imprensa da Polícia Civil.

Compartilhar

Mais notícias em Crimes

Veja mais