Shigeru Miyamoto, o renomado designer da Nintendo responsável por sucessos como The Legend of Zelda e Super Mario, admitiu em uma entrevista à revista Famitsu, em 22 de agosto de 2026, que raramente joga videogames, especialmente por iniciativa própria. O experiente profissional da indústria dos jogos, com um sorriso discreto, confessou: “Eu não jogo mais por conta própria”. Embora essa afirmação possa surpreender vinda de uma figura tão proeminente, ela se alinha perfeitamente com a trajetória e a filosofia de Miyamoto.
Mesmo sem passar suas horas de lazer com joysticks, Miyamoto mantém um Nintendo Switch em sua residência por um motivo específico: seus netos. Ele detalhou que, para evitar que os netos joguem excessivamente em casa, o console fica guardado com ele. “Se quiserem jogar, venham à casa do vovô”, disse. Essa prática vai além de um simples meio para vê-los mais vezes, transformando os momentos de jogo em colaborações divertidas. “Os mais novos têm dificuldade para finalizar certos títulos, então eles se alegram quando concluímos as fases em conjunto. Eles ficam bastante assustados com o chefão em Captain Toad: Treasure Tracker, e eu acabo jogando por eles”, complementou.
Buscando inspiração fora dos videogames para criar grandes sucessos
A preferência de Miyamoto por não se aprofundar em jogos em seu dia a dia não é um fato inédito para aqueles que acompanham sua carreira. O designer é amplamente conhecido por encontrar ideias e inspiração em experiências alheias ao universo digital. Sua afinidade com a música, por exemplo, influenciou a criação de Wii Music; o carinho por cães levou ao desenvolvimento de Nintendogs; e a dedicação ao seu jardim residencial foi o ponto de partida para o surgimento de Pikmin. Na visão de Miyamoto, a realidade cotidiana serve como um impulso criativo tão relevante quanto qualquer título de videogame.
Essa linha de pensamento também se reflete na abordagem de Miyamoto para recrutar novos talentos na Nintendo. Em 2017, em uma conversa com o New York Times, ele declarou de forma enfática: “Eu sempre busco por designers que não são fervorosos entusiastas de jogos”. Ele ainda acrescentou: “Minha preocupação é assegurar que eles não sejam apenas jogadores, mas que possuam uma diversidade de interesses e competências”. O designer até revelou que alguns dos profissionais que ele próprio contratou ao longo dos anos jamais haviam tocado em um videogame antes de integrarem a empresa.
A entrevista concedida recentemente à Famitsu sublinha uma perspectiva que Miyamoto defende há muitas décadas: jogos inovadores não surgem apenas de indivíduos que dedicam incontáveis horas a telas, mas sim de pessoas que observam atentamente, experimentam a vida e se fascinam com o ambiente que as cerca.
