A situação de Vinicius Junior no futebol espanhol foi um dos principais pontos abordados por José Mourinho, técnico do Real Madrid, em coletiva de imprensa concedida em 25 de agosto de 2026. O treinador português enfatizou a disparidade no tratamento que o atacante brasileiro recebe da arbitragem e dos adversários, fazendo uma analogia dos jogadores de futebol com crianças sem limites claros.
“É perceptível — tanto para quem acompanha de perto quanto para quem assiste aos jogos de fora da Espanha — que há uma distinção evidente entre Vinicius e os demais atletas. Isso gera uma espécie de ciclo vicioso, onde os oponentes percebem uma permissividade e agem de acordo. Para mim, essa realidade é inegável”, explicou Mourinho, abordando a escalada de comportamentos permissivos.
“A lógica é a mesma aplicada às crianças: elas tendem a ir até onde é permitido. No caso dos jogadores, a dinâmica é idêntica. Se uma décima falta passa impune sem um cartão amarelo, o atleta internaliza que pode manter uma postura mais agressiva”, detalhou o técnico. Ele recordou que enfrentou Vinicius Junior na última temporada, quando estava no comando do Benfica.
Mourinho também comentou sobre um incidente específico: “Quando eu comandava o Benfica, meu foco era exclusivo no meu time, não no Real Madrid, mas neste cenário, compreendo plenamente o aspecto emocional de Vinicius. Aos três minutos de partida, ele sofreu um chute. Não importa se houve fratura ou não; foi uma agressão, um chute, algo que demandava uma expulsão”.
Durante a vitória de 2 a 1 do Real Madrid contra o Espanyol, na estreia da LALIGA, o comandante defendeu o atleta brasileiro, que chegou a ser alvo de provocações indiretas da equipe adversária por supostas simulações. Na coletiva, Mourinho expressou sua confiança na arbitragem, mas não poupou críticas a uma decisão de não expulsão ocorrida na partida.
“De maneira geral, a atuação da arbitragem me agradou. Contudo, em relação ao cartão vermelho que deveria ter sido aplicado pela agressão a Vinicius, entendo que o árbitro principal pode não ter presenciado o lance e que o quarto árbitro talvez não quisesse tomar uma decisão que pudesse ser determinante para o resultado do jogo. Contudo, podemos afirmar que o VAR falhou em sua função”, comentou o treinador.
Mourinho ressaltou sua postura usual: “Antes de cada confronto, minha confiança no árbitro é sempre total — seja no Campeonato Espanhol ou na Champions League, confio plenamente. Ocasionalmente, após o apito final, surgem situações que não me agradam”.
“Se me perguntam sobre histórico… não creio que um árbitro entre em campo aqui com a intenção de beneficiar alguém; nesse contexto, não. Acredito na integridade dos árbitros espanhóis. É verdade que decisões já influenciaram resultados, mas isso faz parte do jogo”, afirmou, afastando insinuações de má-fé da arbitragem.
Apesar de sua defesa ao jogador brasileiro, Mourinho também ponderou que Vinicius precisa aprimorar sua interação com as torcidas rivais, fazendo uma importante ressalva para os casos de racismo, um problema que o atleta enfrentou repetidamente no futebol espanhol nos últimos anos.
“Existe a dimensão dentro e fora do gramado. A interação com a torcida, os insultos — excluindo o racismo, mas referindo-me aos insultos ‘habituais’ — acredito que ele pode gerenciar melhor essa relação com o público, há espaço para aprimoramento. No entanto, em relação ao jogo — os pontapés, as faltas, a frustração — considero que a responsabilidade recai sobre o ‘juiz’, o árbitro (utilizo ‘juiz’ no sentido de quem aplica a Justiça). Se eu iniciasse uma partida e sofresse um chute, com minha personalidade… provavelmente seria expulso um minuto depois! Os jogadores necessitam de proteção. Nesse ponto, vejo dificuldade em auxiliar. Já na relação com os torcedores… nisso, podemos trabalhar”, concluiu o técnico.
