Ministério da Saúde expande teleatendimento mental no SUS para 100 mil mulheres em vulnerabilidade e cuidadoras

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SUS oferece teleatendimentos de saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas Foto: SUS oferece teleatendimentos de saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas Crédito: SUS oferece teleatendimentos de saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas

O Ministério da Saúde implementou, a partir desta segunda-feira (24/8), um programa ampliado de teleatendimento em saúde mental, disponibilizando 100 mil sessões mensais. A iniciativa visa oferecer suporte psicológico a mulheres em situação de violência e àquelas que atuam como cuidadoras de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. O acesso ao serviço é feito de forma digital, através do aplicativo Meu SUS Digital, proporcionando uma via segura e adaptada para o acolhimento.

A medida representa um avanço significativo na proteção e no cuidado com a saúde mental feminina, buscando garantir que nenhuma mulher enfrente momentos de vulnerabilidade sem o devido apoio. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a proposta é um primeiro contato acolhedor, que pode ser articulado com a rede de saúde local ou mantido remotamente, caso a estrutura presencial ainda não esteja disponível, ampliando o acesso a um cuidado essencial.

SUS: teleatendimento de saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas
SUS: teleatendimento de saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas Crédito: SUS: teleatendimento de saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas

Acolhimento nacional e públicos abrangidos

O teleatendimento, que começou como um projeto-piloto em março deste ano nas cidades de Recife, em Pernambuco, e Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro, agora se estende a todos os estados brasileiros. Além da expansão geográfica, o programa incluiu um novo grupo prioritário: mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que dedicam seu tempo ao cuidado de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

A oferta do serviço foi comunicada diretamente aos usuários do aplicativo Meu SUS Digital por meio de uma notificação, que convidava as mulheres a conhecerem o “Acolhe Mais”. Essa comunicação direta é crucial para que o público-alvo seja informado sobre a disponibilidade do suporte e possa buscar a assistência necessária.

Passo a passo para acessar o serviço

Para utilizar o teleatendimento de saúde mental, as interessadas devem seguir um procedimento simples pelo aplicativo Meu SUS Digital:

  • Acessar o aplicativo Meu SUS Digital utilizando a conta gov.br.
  • Na plataforma, localizar e clicar na opção “Miniapps”.
  • Selecionar o “Acolhe Mais +” e, em seguida, “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
  • Será direcionada para a plataforma da AgSUS, onde realizará um cadastro inicial.
  • Após o cadastro, a usuária será direcionada conforme seu perfil: se vivencia ou vivenciou violência ou se é cuidadora.
  • Em até 24 horas, a equipe de atendimento entrará em contato para agendamento do dia e horário da consulta.
  • Lembretes e o link de acesso à teleconsulta serão enviados até a data marcada.

Dinâmica do atendimento e encaminhamentos

No caso de mulheres em situação de violência, o primeiro contato visa avaliar os riscos potenciais, identificar a rede de apoio existente e as principais necessidades da paciente. Cada usuária poderá realizar até dez sessões, com a possibilidade de iniciar um novo ciclo de acompanhamento se for necessário. Ao final das sessões, a mulher poderá ser encaminhada para a continuidade do tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede de saúde local, caso a equipe avalie a necessidade de um acompanhamento mais prolongado ou especializado.

O teleatendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h. A equipe de profissionais é composta exclusivamente por psicólogas mulheres, visando proporcionar um ambiente de maior segurança e conforto para as pacientes. Essas especialistas foram devidamente capacitadas pelo Ministério da Saúde para realizar uma escuta sensível em ambiente virtual e para identificar situações de risco, garantindo um atendimento qualificado e humanizado.

Suporte em situações de emergência

Em cenários de risco imediato, onde a vida ou a integridade da usuária está em perigo iminente, as psicólogas estão preparadas para orientar a busca por atendimento de emergência. Os canais recomendados incluem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar, através do número 190. Para os casos graves que não exigem uma intervenção emergencial instantânea, os profissionais responsáveis pela articulação do cuidado realizarão os encaminhamentos necessários para os serviços de saúde do território, conforme as demandas identificadas, garantindo que o suporte adequado seja prestado.

O papel do serviço para quem se dedica ao cuidado

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que 75% do trabalho de cuidado não remunerado globalmente é realizado por mulheres. É nesse contexto que o serviço de teleatendimento ganha ainda mais relevância, ampliando as oportunidades de acesso à assistência para mulheres que dedicam grande parte de seu dia ao cuidado de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.

A iniciativa considera desafios práticos enfrentados por essas cuidadoras, como a distância de centros de saúde, a dificuldade de deslocamento e a escassez de tempo. Ao oferecer um espaço de escuta e atenção à própria saúde de forma remota, o programa permite que essas mulheres recebam suporte sem precisar negligenciar suas responsabilidades diárias. Thelma Mello, representante da Central de Movimentos Populares, enfatizou que a medida tem o potencial de salvar vidas, especialmente de mães atípicas que frequentemente enfrentam a sobrecarga do cuidado sem apoio psicológico adequado.

A ação do Ministério da Saúde complementa a atualização da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência (PNAISPD), realizada em 2023, que já previa ações e serviços específicos para familiares e cuidadores. O programa “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres” reforça o compromisso do Sistema Único de Saúde (SUS) com a saúde integral de todos, incluindo aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado de outros.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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