Hamilton pede regras de conduta na Ferrari após GP da ItáliaPor Thiago Lemos
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Lewis Hamilton exigiu publicamente ajustes na comunicação da Ferrari após perder posições ao passar pela caixa de brita em disputa contra Charles Leclerc na largada em Monza. O piloto encerrou a corrida em sexto lugar e pediu que o time estabeleça regras formais para orientar os confrontos entre seus integrantes.
O heptacampeão mundial recorreu ao período em que defendeu a Mercedes como modelo prático de gestão, argumentando que, embora tenha enfrentado atritos diretos contra o alemão Nico Rosberg no passado, a existência de normas claras por escrito evitou um volume maior de crises internas entre os concorrentes.
“No fim das contas, tudo se resume às regras de conduta. Quando eu estava na Mercedes, tínhamos uma regra de conduta escrita. Nunca tivemos uma situação tão ruim, talvez entre mim e o Nico (Rosberg) algumas vezes, mas na maioria das vezes foi bom. Aqui não há regras, e acho que isso é algo que precisamos tentar abordar”, disse o britânico.
Charles Leclerc bloqueou a trajetória de Lewis Hamilton nos metros iniciais da disputa no Circuito de Monza para defender o terceiro lugar. Sem espaço para manobrar, o competidor caiu da quarta para a décima colocação ao contornar a brita, sofreu a ultrapassagem de Oliver Bearman e depois recuperou a posição perdida.
Lewis Hamilton contestou a manobra pelo rádio da escuderia e afirmou que o companheiro o empurrou para fora da pista. O piloto de 41 anos declarou posteriormente que o público não deve se preocupar com as atitudes dele, associando o incidente a problemas gerenciais. O esportista citou o chefe de equipe Fred Vasseur de forma nominal ao explicar o cenário.
“Olha, eu não corro sujo, sempre corri limpo e justo e sempre deixei espaço, então não acho que eles devam se preocupar comigo. Entrei na equipe e tentei respeitar o espaço, mas no fim das contas isso vem de cima. Isso vai escorrendo para baixo. Então começa com o Fred (Vasseur) e só tem tanto que você pode dizer, empurrar e gritar do topo da montanha”, afirmou Lewis Hamilton.
Hamilton cobrou nova comunicação interna.
“Já disse que tínhamos que olhar para como nos comunicamos, porque se seguirmos pelo mesmo caminho, teremos o mesmo resultado. Precisamos mudar as coisas, porque isso não está nos ajudando a avançar”, acrescentou o competidor.
Frédéric Vasseur declarou após a etapa que o atrito entre os dois pilotos prejudica o rendimento do grupo. O dirigente francês planeja avaliar o episódio internamente. O chefe avaliou que o momento da temporada ainda inviabiliza ordens de equipe para priorizar um dos competidores.
Lewis Hamilton contestou o posicionamento da chefia ao defender que determinações estratégicas deveriam vigorar há mais tempo. O piloto isentou os funcionários que atuam na fábrica da Ferrari, localizada em Maranello.
“O pessoal da fábrica está fazendo um ótimo trabalho. Não estamos executando as coisas da maneira mais limpa possível, normalmente não tão bem quanto as outras equipes. Mas, em alguns momentos da temporada, nós estávamos”, prosseguiu o piloto.
Lewis Hamilton avalia que a direção da Ferrari acolhe suas considerações, embora preveja debates mais detalhados apenas na semana seguinte em razão dos preparativos imediatos para o GP da Espanha.
As chances de Hamilton alcançar o oitavo título mundial diminuíram com o resultado obtido na pista de Monza. O competidor cruzou a linha de chegada na sexta posição enquanto acompanhava o triunfo do líder Kimi Antonelli, que partiu do 19º lugar na Itália.
A desvantagem de Lewis Hamilton em relação a Kimi Antonelli subiu para 76 pontos na classificação geral, dificultando a recuperação do piloto na tabela.
“Tudo que posso fazer é tentar. Vou me levantar amanhã de manhã e dar o meu melhor. Não sei quantos pontos são agora, mas é uma boa quantia e, com o ritmo que eles (Mercedes) têm, é muito, muito difícil de se aproximar”, concluiu o piloto.







