ANP prevê etanol com cor verde nos postos a partir de 2027

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Gasolina, combustível Foto: Gasolina, combustível - Foto: alvarog1970/ Shutterstock.com

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis estuda aplicar uma coloração verde e um aditivo amargo ao etanol hidratado comercializado nas bombas do país. A medida busca dificultar o desvio do produto para a fabricação clandestina de bebidas alcoólicas.

A Diretoria Colegiada da ANP aprovou em 2 de setembro o relatório técnico com uma alternativa provisória para 2027 e outra definitiva que depende de testes veiculares.

Coloração verde nas usinas surge como primeira medida

Combustível, posto de gasolina

Foto: Combustível, posto de gasolina – Foto: Pollyana Ventura/ Istockphoto.com

As usinas deverão misturar um corante verde ao etanol combustível ainda durante a produção para permitir a identificação imediata de carregamentos fora da rota autorizada. O cronograma preliminar da agência projeta o início da exigência no decorrer de 2027. Fiscalizações identificarão fraudes rapidamente.

O órgão regulador iniciará a revisão da Resolução ANP nº 907 de 2022 por meio de estudos de impacto e consultas públicas antes da decisão da diretoria. O futuro texto definirá um intervalo de transição para distribuidores e produtores adaptarem as operações.

A troca visual nas bombas depende do encerramento dos trâmites burocráticos programados para os próximos meses pela ANP.

Substância amarga exige análise técnica aprofundada

A proposta de caráter permanente estabelece o uso compulsório de benzoato de denatônio no etanol hidratado. Esse componente gera um amargor extremo e serve de alerta imediato ao paladar caso alguém tente beber o líquido misturado.

Fabricantes de materiais de limpeza já inserem essa substância para impedir ingestões involuntárias de produtos à base de álcool. O uso em motores automotivos não possui precedentes registrados no setor de transportes. Engenheiros farão novas avaliações.

A agência fará ensaios mecânicos para monitorar se a presença do componente provoca danos a peças metálicas ou variações nas taxas de emissões. A venda do etanol com gosto amargo segue sem data fixada pela autarquia.

Casos de falsificação em 2025 motivaram intervenção oficial

O parecer atende à Resolução nº 6 de 2026 do Conselho Nacional de Política Energética e a determinações do Tribunal de Contas da União após fraudes com bebidas alcoólicas registradas no Brasil em 2025.

Para estruturar as duas opções apresentadas no plano, a agência reuniu representantes de usinas produtoras de etanol, companhias distribuidoras, laboratórios de inspeção de combustíveis, membros da Câmara Setorial da Cachaça e técnicos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores em debates conjuntos. O Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da agência conduziu testes físico-químicos com amostras.

O Ministério de Minas e Energia e o TCU receberam o documento oficial em 5 de setembro. O biocombustível mantém papel relevante na mobilidade brasileira ao abastecer veículos flex e compor a mistura da gasolina fóssil. O consumo interno de combustíveis líquidos mantém trajetória de crescimento.

Impactos mecânicos das substâncias passam por avaliação

Especialistas da ANP não registraram danos provocados pelo benzoato de denatônio aos motores, mas mantêm o protocolo de testes nos sistemas de injeção e alimentação. A homologação do produto definitivo requer garantias de que não haverá prejuízo ao controle de poluição.

O corante verde passou em testes preliminares, mas o etanol hidratado manterá a formulação atual nos postos até a conclusão do processo regulatório.

Montadoras exigem verificações mecânicas prévias antes de aceitar alterações em combustíveis, como nos levantamentos que avaliam elevar a fatia de etanol na gasolina para 35%. As exigências em estudo tentam fechar o cerco contra a adulteração de bebidas sem comprometer o funcionamento dos veículos.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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