Madri volta a receber o GP da Espanha de Fórmula 1 após 45 anosPor Thiago Lemos
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A disputa do GP da Espanha ocorre em 13 de setembro de 2026 com a estreia do autódromo semipermanente Madring, erguido na capital espanhola com extensão de 5.416 metros. O evento marca o retorno da Fórmula 1 à província madrilenha após quatro décadas de provas organizadas na Catalunha.
O último evento sediado na província ocorreu em 1981 no autódromo de Jarama, situado no município de San Sebastián de los Reyes. A prova nacional ficou ausente por quatro anos, voltou ao calendário em 1986 no circuito andaluz de Jerez e permaneceu fixada em Barcelona desde 1991. A região central do país aguardou 45 anos para retomar a etapa.
O Madring representa o sétimo autódromo espanhol a integrar o campeonato mundial desde a estreia da categoria em 1951. Apenas Valência recebeu corridas sob o título de GP da Europa entre 2008 e 2012.
A trajetória reúne autódromos históricos.
A nova estrutura esportiva foi montada no entorno do Centro de Exibições IFEMA, na área urbana de Madri. O projeto buscou integração com a malha metroviária local e fica a cinco minutos do Aeroporto de Madri-Barajas. Trechos de vias públicas compõem a pista ao lado de segmentos construídos exclusivamente para o automobilismo.
As projeções técnicas estimam tempos de volta na casa de 1m34s para os monopostos atuais ao longo das 22 curvas projetadas. Pilotos da Fórmula 3 compararam as exigências do asfalto com as características vistas em pistas de rua como Mônaco, Baku e Jedá.
A curva inclinada La Monumental se destaca no traçado com raio semicircular de 550 metros. O setor apresenta inclinação lateral de 24% e posiciona os carros diante de arquibancadas para 45 mil torcedores. O ponto exige carga aerodinâmica elevada.
Inaugurado em 1991, o Circuito de Barcelona-Catalunha recebeu a prova espanhola no mesmo ano de sua abertura. O espaço também acolheu provas de ciclismo durante a realização dos Jogos Olímpicos de 1992.
O traçado catalão serviu habitualmente como sede oficial dos testes coletivos de pré-temporada da categoria, incluindo os ensaios realizados em 2026.
As estatísticas em Barcelona mostram que 25 dos 36 vencedores largaram na primeira posição do grid. O traçado perdeu o título de GP da Espanha, mas manteve corrida própria no calendário sob o nome de GP de Barcelona-Catalunha.
O contrato com a pista prevê revezamento bianual a partir das próximas temporadas, com ausência confirmada em 2027 e retorno agendado para 2028. Lewis Hamilton lidera a lista histórica de triunfos no circuito com sete troféus conquistados. O britânico detém o recorde absoluto na localidade.
Histórico de disputas no circuito de Jerez de la Frontera
O autódromo de Jerez-Ángel Nieto entrou na Fórmula 1 em 1986, após as obras iniciadas em 1985 na região sul do território espanhol. A configuração apresentava setores travados e retas curtas que dificultavam as manobras de ultrapassagem.
A baixa presença de público na Andaluzia pesou na decisão de transferir o evento para a Catalunha nos anos seguintes. Mesmo assim, o circuito registrou finais memoráveis para o automobilismo sul-americano na década de 1980. O público acompanhou disputas milimétricas.
Ayrton Senna venceu as edições de 1986 e 1990 disputadas na pista andaluza. A chegada de 1986 marcou vantagem de 14 milésimos de segundo do piloto brasileiro sobre Nigel Mansell.
Jerez também organizou duas edições do GP da Europa nos campeonatos de 1994 e 1997.
A tomada de tempos de 1997 terminou com empate inédito em 1m21s072 entre Jacques Villeneuve, Michael Schumacher e Heinz-Harald Frentzen. Jacques Villeneuve assegurou a primeira posição por ter registrado a marca antes dos adversários e conquistou o título mundial com o terceiro lugar na prova. O autódromo deixou o calendário mundial, mantendo apenas etapas da MotoGP.
O traçado de Madrid-Jarama, concebido pelo engenheiro John Hugenholtz, responsável também pelas pistas de Suzuka e Zandvoort, sediou o grande prêmio em nove ocasiões entre as temporadas de 1968 e 1981, quando a categoria decidiu abandonar o autódromo devido à largura insuficiente da pista para as ultrapassagens dos carros modernos.
O desenho técnico apresentava poucos pontos viáveis para ultrapassagens entre os monopostos em evolução. Os dirigentes retiraram a pista do calendário após a realização da prova de 1981. A pista manteve operações regionais.
Gilles Villeneuve venceu a última corrida da F1 em Jarama ao segurar o pelotão até a linha de chegada. O piloto canadense resistiu aos ataques e cruzou a meta com vantagem de 1s2 sobre o quinto colocado Elio de Angelis.
Mario Andretti figura como o maior vencedor em Jarama após triunfar nas edições de 1977 e 1978. A instalação segue em atividade e recebe atualmente a etapa da Fórmula E na capital espanhola. O espaço sedia provas nacionais de caminhões.
Passagem dos monopostos pelo parque de Montjuich
Barcelona dividiu a realização da corrida com Madri no fim dos anos 1960 em sistema de alternância anual. O traçado urbano de Montjuich Park ocupava colinas arborizadas acima da zona portuária da cidade catalã.
O circuito anti-horário reunia um primeiro trecho lento e uma parte final com sequências de alta velocidade. Quatro edições da prova ocorreram no local entre 1969 e 1975. Emerson Fittipaldi garantiu a vitória na corrida de 1973.
Pilotos protestaram contra as condições de segurança da pista em 1975, o que motivou o abandono antecipado de Emerson Fittipaldi antes da largada. O carro de Rolf Stommelen sofreu um acidente grave que provocou a morte de cinco espectadores durante a prova.
A italiana Lella Lombardi terminou aquela mesma corrida de 1975 em sexto lugar e somou 0,5 ponto no campeonato mundial. O autódromo foi desativado definitivamente da elite do automobilismo após as mortes registradas na pista. A área integra a zona esportiva olímpica de Barcelona.
O circuito urbano de Pedralbes, também situado em Barcelona, abrigou a etapa nacional nos anos de 1951 e 1954. A pista possuía 6,333 quilômetros de extensão, com apenas seis curvas e retas que beiravam dois quilômetros de extensão contínua.
Juan Manuel Fangio venceu no traçado em 1951, enquanto Mike Hawthorn conquistou o triunfo em 1954. Os organizadores cancelaram a prova prevista para 1955 devido às preocupações internacionais com segurança provocadas pelo acidente que vitimou 84 pessoas nas 24 Horas de Le Mans. A pista jamais retornou ao automobilismo internacional.







