Custo da construção civil avança 0,44% em agosto e acumula 7,03% em doze meses, aponta IBGE
O custo da construção no Brasil registrou um aumento de 0,44% em agosto, mantendo a estabilidade em relação ao mês anterior. Esse movimento fez com que o valor nacional por metro quadrado atingisse R$ 1.993,76, uma elevação de R$ 8,66 em comparação com os R$ 1.985,10 de julho.
Apesar da alta mensal, o índice acumulado nos últimos doze meses mostrou uma desaceleração, fechando em 7,03%. Esse patamar é inferior aos 7,40% registrados no período imediatamente anterior, sinalizando uma tendência de arrefecimento nas pressões de preços do setor, mesmo com o avanço pontual observado no mês.
Desaceleração no acumulado anual e detalhe dos componentes
A taxa de 7,03% para o acumulado de doze meses reflete uma moderação nos índices de preços da construção civil, um dado relevante para o planejamento de investimentos, para o mercado imobiliário e para a população que busca adquirir ou reformar imóveis. Essa desaceleração, quando comparada aos 7,40% observados no período imediatamente anterior, sugere um alívio nas pressões inflacionárias que têm impactado o setor nos últimos anos. Em agosto de 2025, o mesmo indicador havia marcado 0,79% em sua variação mensal, evidenciando a menor pressão atual sobre os custos de edificação em um cenário de gradual estabilização econômica.
Ao analisar a composição do custo por metro quadrado, percebe-se que o valor médio nacional atingiu R$ 1.993,76. A maior parte desse custo é atribuída aos materiais de construção, que corresponderam a R$ 1.124,06 do total, representando mais da metade do valor. A parcela referente à mão de obra, por sua vez, representou R$ 869,70. Essa divisão é crucial para entender onde as pressões de custo são mais sentidas e como elas impactam os projetos, desde grandes empreendimentos até pequenas reformas residenciais, influenciando diretamente o orçamento final dos consumidores e construtoras.
Comportamento distinto entre materiais e mão de obra
A análise detalhada dos componentes revela tendências divergentes em agosto. Os materiais de construção apresentaram uma variação de 0,35% no mês, indicando uma desaceleração. Essa taxa ficou 0,13 ponto percentual abaixo da registrada em julho, que foi de 0,48%. Comparativamente, em agosto de 2025, os materiais tiveram uma alta mais expressiva de 0,50%, superando o índice atual em 0,15 ponto.
Já a mão de obra demonstrou um comportamento de alta, com um avanço de 0,55% em agosto. Esse aumento foi impulsionado, em parte, por acordos coletivos firmados durante o período. A variação é 0,16 ponto percentual superior à taxa de 0,39% observada em julho. Contudo, em uma perspectiva de longo prazo, houve uma forte desaceleração em relação a agosto de 2025, quando a mão de obra registrou 1,18%, uma diferença de 0,63 ponto percentual.
Os acumulados no ano para os componentes somaram 4,24% para materiais e 6,95% para a mão de obra. Nos últimos doze meses, os valores foram de 5,65% para materiais e 8,88% para a mão de obra, sublinhando a persistência da inflação nos custos de pessoal, mesmo com a desaceleração geral.
Destaques regionais e estaduais impulsionam o índice
A performance da construção civil em agosto não foi uniforme em todo o território nacional, com a Região Sul apresentando a maior variação mensal, de 1,15%. Esse resultado foi influenciado significativamente pelos reajustes nas categorias profissionais do Paraná, onde houve um aumento expressivo que reverberou no índice regional.
Outras regiões também registraram variações, embora em menor intensidade. A Região Norte avançou 0,85%, seguida pelo Centro-Oeste com 0,87%. Por outro lado, o Nordeste e o Sudeste tiveram os menores incrementos, com 0,19% e 0,18%, respectivamente. Essa disparidade regional reflete as diferentes dinâmicas de mercado e negociações trabalhistas em cada localidade, sendo um fator importante para as empresas que atuam em múltiplos estados.
Em âmbito estadual, alguns entes federativos se destacaram com as maiores variações mensais em agosto, impulsionados por convenções trabalhistas e acordos coletivos que impactaram diretamente o custo da mão de obra:
- Amazonas: 2,67%
- Mato Grosso do Sul: 2,34%
- Paraná: 2,25%
- Distrito Federal: 2,11%
Cenários com e sem desoneração da folha de pagamento
Os dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) são apresentados em duas metodologias distintas: com e sem a desoneração da folha de pagamento, oferecendo uma visão abrangente do impacto fiscal sobre os custos. O Sinapi, criado em 1969 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Caixa Econômica Federal, tem como propósito fornecer informações sistematizadas sobre custos e índices para auxiliar na elaboração e avaliação de orçamentos de obras, sendo uma ferramenta essencial para o setor público e privado, permitindo maior transparência e previsibilidade.
No cenário que considera a desoneração da folha de pagamento, o custo nacional por metro quadrado ficou em R$ 1.993,76, com variação mensal de 0,44%. Já sem a desoneração, o custo médio nacional atingiu R$ 2.099,73 por metro quadrado, com uma variação mensal ligeiramente superior de 0,45%. Essa diferença de aproximadamente R$ 106 por metro quadrado e a leve alteração na variação mensal ressaltam o peso dos encargos trabalhistas sobre o preço final da construção, influenciando diretamente a viabilidade de projetos e o acesso à moradia popular.
As variações acumuladas também divergem significativamente entre os cenários, demonstrando a importância da política de desoneração. Com desoneração, o acumulado em doze meses foi de 7,03% para o Brasil, enquanto sem a desoneração, esse índice ficou em 5,75%. Regionalmente, a Região Sul, por exemplo, registrou 1,15% de variação mensal com desoneração e 1,25% sem, evidenciando que a política fiscal tem um efeito mitigador sobre os custos, especialmente em regiões onde a mão de obra representa uma parcela substancial dos custos totais, afetando a competitividade e a geração de empregos no setor.
Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
