Tecnologia

Fraude no Imei permite desbloqueio de celulares roubados

Bateria, celular, carregando - Andrew Angelov/Shutterstock.com
Foto: Bateria, celular, carregando - Andrew Angelov/Shutterstock.com
Compartilhar

O Ministério Público de São Paulo deflagrou a operação Frankmobile em 10 de setembro de 2026 para desarticular um esquema especializado em adulterar o Imei de celulares roubados e furtados. A manobra consiste em burlar o identificador de fábrica do aparelho para driblar os bloqueios aplicados junto às redes de telefonia. A ação é complexa.

A adulteração funciona de maneira similar à raspagem de identificação de veículos furtados.

Divisão de tarefas entre grupos criminosos

A apuração das autoridades mapeou quatro frentes operacionais ativas na engrenagem clandestina. Os papéis incluíam a subtração dos aparelhos nas ruas, a quebra de senhas para invasão de contas das vítimas, a alteração de registros eletrônicos e o desmonte integral da estrutura dos telefones.

Na chegada dos aparelhos aos receptadores, os aparelhos passam por uma triagem que avalia modelo, estado das telas e restrições no sistema. Em seguida, os operadores tentam quebrar as barreiras de proteção e desvincular o dispositivo dos perfis pessoais dos proprietários. Se o bloqueio do Imei persistir, os técnicos iniciam os métodos de reprogramação de identidade. Aparelhos travados recebem intervenções eletrônicas diretas.

Manipulação por meio de programas e aparelhos externos

Para contornar as travas lógicas, os receptadores recorrem a dispositivos de suporte chamados de boxes ou dongles. Conectados diretamente ao computador e ao telefone por cabos, esses mecanismos utilizam programas específicos capazes de reescrever as partições NVRAM e NVDATA, áreas restritas da memória onde ficam armazenados de fábrica os registros do modem e da identidade original do aparelho.

O procedimento altera o código com o qual o telefone se apresenta para as operadoras de telefonia móvel. Segundo o diretor de Produtos e Dados da CertiFace, Pedro Tavares, a prática tenta mascarar a origem ilícita perante as torres de comunicação. Ele afirmou que a alteração do registro primário não apaga por completo dados de fabricação, registros de eSIM e numerações de série dos componentes.

Substituição física de chips e placas principais

Quando a invasão por software falha, oficinas clandestinas executam soldas minuciosas na placa-mãe para instalar circuitos integrados de processamento e memória retirados de celulares regulares.

A simples troca da carcaça, do display ou da bateria não surte efeito sobre as travas de operadora. “Dá para fazer uma analogia com o carro: em alguns casos, tenta-se adulterar a gravação do chassi e, em outros, troca-se uma parte estrutural do veículo que carrega essa identificação”, explicou Tavares.

Destino de componentes após bloqueios permanentes

Os aparelhos que permanecem irrecuperáveis para ligação acabam desmontados para o comércio paralelo de peças sobressalentes. O promotor de Justiça Luiz Fernando Bugiga Rebellato, do Gaeco, informou que o mercado de reposição com partes retiradas de itens roubados integra as apurações. Áudios interceptados revelaram mensagens de investigados confirmando o desmonte de telefones bloqueados para aproveitamento de peças.

  • Avaliação da viabilidade técnica de desbloqueio lógico no aparelho apreendido.
  • Substituição da placa de circuitos por componentes sem restrição policial.
  • Encaminhamento de partes e peças para revenda no mercado paralelo.

A Polícia Civil fará a checagem dos itens confiscados contra boletins de ocorrência para tentar localizar os proprietários originais. As vítimas que possuem o registro do código Imei poderão checar as orientações da polícia para buscar a restituição de seus bens.

Cuidados essenciais após roubo ou furto

A rapidez na comunicação do crime restringe o acesso de invasores aos aplicativos bancários e redes sociais vinculadas ao número. As recomendações oficiais incluem solicitar o bloqueio imediato do aparelho e da linha móvel, notificar instituições financeiras e acionar ferramentas como o Celular Seguro. Compradores de celulares usados devem checar o Imei em registros oficiais e pedir nota fiscal do aparelho.

A ausência de pendências na consulta inicial não assegura a procedência regular do telefone.

Compartilhar

Mais notícias em Tecnologia

Veja mais