Claro recebe aval do Cade para comprar Desktop por R$ 4 biPor Janderson Luiz
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A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou a compra da Desktop pela Claro em operação avaliada em R$ 4 bilhões. A aprovação ocorreu sem restrições.
Parecer técnico descarta riscos à concorrência
O parecer da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado, pois as condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais nas cidades paulistas envolvidas.
O órgão antitruste registrou que a maior sobreposição entre as prestadoras ocorre no segmento de banda larga fixa em 198 municípios. Segundo a análise técnica oficial, “as condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais”. O documento acrescentou que a Claro terá estímulos econômicos privados para desocupar gradualmente as redes consideradas redundantes.
Disputa pela liderança do mercado em São Paulo
A aquisição fortalece a posição da compradora no território paulista frente à concorrente Vivo. A Desktop reúne 1,2 milhão de acessos e detém 7,6% do setor no Estado de São Paulo.
- Claro soma 4,5 milhões de contratos e 28,3% de participação no Estado de São Paulo.
- Vivo lidera o segmento paulista com 4,9 milhões de clientes e fatia de 31%.
- Desktop opera com infraestrutura própria instalada em 198 municípios.
A Agência Nacional de Telecomunicações concedeu anuência prévia para o negócio em maio.
A posição inicial da agência reguladora indicava entraves para a negociação em outubro de 2025. Naquele momento, análises preliminares apontavam reflexos negativos para a entrada de novas operadoras. O cenário mudou com o avanço formal das análises regulatórias nos órgãos técnicos em Brasília.
Valores e divisão acionária do negócio
O acordo firmado em março deste ano estabeleceu o pagamento de R$ 2,4 bilhões por ativos e a absorção de R$ 1,6 bilhão em dívidas líquidas. A Claro assumirá 84 milhões de ações ordinárias, montante que corresponde a 73% do capital total da Desktop.
Os papéis pertencem ao fundo Makalu Brasil Partners, gerido pela HIG Capital, e a investidores pessoas físicas, grupo que inclui o fundador Denio Alves Lindo.
A empresa compradora planeja lançar uma oferta pública futura para adquirir os 27% restantes das ações em circulação no mercado. Essa etapa completará a compra integral da prestadora de serviços.
Trajetória da empresa paulista desde a fundação
A Desktop iniciou as atividades em 1997 na cidade de Sumaré.
A operadora recebeu recursos da HIG Capital em 2020 e estreou na Bolsa de Valores em 2021. Antes de fechar o contrato atual, a direção manteve conversas com a Vivo que terminaram sem acordo financeiro.







