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Fábricas no escuro: como robôs estão assumindo a produção de carros

Fábrica da Zeekr em Ningbo - Divulgação/ZEEKR Intelligent factory
Fábrica da Zeekr em Ningbo - Divulgação/ZEEKR Intelligent factory

A fábrica da Changan em Chongqing, no sudoeste da China, finaliza um veículo novo a cada 60 segundos em com as luzes apagadas. A unidade utiliza 2.000 robôs interligados por rede 5G privativa para executar a montagem sem intervenção humana direta.

A Fanuc opera modelo idêntico.

A empresa japonesa roda desde 2001 uma instalação em que máquinas montam outros robôs por até 30 dias contínuos sem presença humana. O conceito chegou ao setor automotivo e fez a Changan registrar uma redução de 20% nos custos de produção. A orientação dos aparelhos ocorre por radar, sensores e câmeras infravermelhas.

Supervisores da planta de Chongqing trabalham em salas de controle para acompanhar o fluxo das peças. A instalação elétrica dos chicotes veiculares ainda exige manipulação manual dos operários.

Expansão das linhas automatizadas na Ásia

A Xiaomi ergueu em Pequim um complexo de 718 mil metros quadrados com mais de 700 robôs e automação de 91% na área de carroceria. Essa instalação finaliza um sedã Xiaomi SU7 a cada 76 segundos e impõe a retenção de aparelhos celulares de visitantes em envelopes lacrados. A companhia chinesa também gerencia em Pequim uma fábrica de celulares que produz um smartphone por segundo no escuro.

A Zeekr opera 800 robôs.

Fundada em 2021 pelo grupo Geely em Ningbo, a montadora atingiu capacidade de 300 mil carros anuais em quatro anos de operação. A Tesla levou dez anos para alcançar volume similar.

Concentração global de robôs na indústria

A densidade global de maquinários fabris subiu de 74 unidades para cada 10 mil operários em 2016 para 162 em 2023, segundo a Federação Internacional de Robótica. O parque industrial automotivo reúne cerca de 1 milhão de autômatos no mundo. A China incorporou 295 mil unidades em 2024, volume correspondente a mais da metade das compras globais daquele período.

A Coreia do Sul atingiu 1.220.

  • Coreia do Sul registra 1.220 robôs para cada 10 mil trabalhadores industriais.
  • Montadoras dos Estados Unidos receberam 40% dos robôs instalados no país em 2024.
  • Fábricas brasileiras adicionaram menos de 2.000 robôs em 2022 em todos os segmentos.

Com uma prensa de 9.100 toneladas com peso equivalente a 45 aviões Boeing 737, a Xiaomi consegue fabricar um assoalho traseiro inteiro a cada dois minutos, eliminando dezenas de soldas tradicionais que antes exigiam dezenas de operários dedicados exclusivamente a essa função. Os processos de solda e pintura automotiva tornaram-se integralmente mecânicos para evitar exposição humana a produtos tóxicos.

Testes com robôs humanoides nas fábricas

A BMW concluiu em Spartanburg, nos Estados Unidos, um teste de 11 meses com dois autômatos humanoides que posicionavam chapas de metal em turnos de dez horas. A montadora alemã contabilizou 90 mil peças movimentadas, 1,2 milhão de passos e 30 mil utilitários do modelo BMW X3 produzidos com assistência robótica. A fabricante prepara uma nova etapa com máquinas separando componentes e testa na Alemanha um modelo que se desloca sobre rodas.

O sistema corrigiu erros sozinho.

A Hyundai apresentou em janeiro a versão comercial do robô Atlas, construído com 56 articulações, capacidade de carga de 50 quilos e câmeras para visão em 360 graus. O Google comprou o lote fabril previsto para 2026 para treinar modelos de inteligência artificial na máquina.

Cronograma e metas da robótica bípede

A fabricante sul-coreana pretende introduzir o Atlas na unidade da Geórgia a partir de 2028 no sequenciamento de peças e iniciar a montagem de componentes até 2030. Uma fábrica com capacidade de produzir 30 mil unidades por ano fornecerá os equipamentos bípedes para as operações da marca. Na China, a Xpeng começou a produção do modelo Iron, que conta com 82 articulações mecânicas.

O Iron tem 22 articulações manuais.

Estatísticas sobre impacto no mercado de trabalho

Estudo dos economistas Daron Acemoglu e Pascual Restrepo, do Massachusetts Institute of Technology, aponta que cada robô adicional por mil trabalhadores nos Estados Unidos diminui os empregos em 0,2 ponto percentual e a remuneração em 0,42%. O parque industrial da China registrou o fechamento de 30 milhões de vagas no setor manufatureiro entre 2013 e 2025.

Projeções do Fórum Econômico Mundial indicam que 92 milhões de funções industriais serão extintas no mundo até 2030, enquanto 170 milhões de postos técnicos serão criados no mesmo intervalo. As vagas emergentes concentram atividades em manutenção de sistemas autônomos e programação de linhas computadorizadas. A divisão de trabalho afeta principalmente postos operacionais em áreas siderúrgicas e linhas fabris de montagem final.

O Goldman Sachs calculou que os humanoides cobrirão 4% da escassez de operários americanos até 2030.

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