Super El Niño ganha força e divide o Brasil com seca e chuvasPor Beatriz
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O fenômeno climático Super El Niño intensificou seus efeitos sobre o território brasileiro em 16 de setembro de 2026, data em que meteorologistas apontaram a aproximação do pico de atividade do evento. A distribuição das anomalias climáticas acontecerá de forma desigual pelo país.
O Instituto ClimaInfo detalhou em relatório técnico que parte dos estados enfrentará precipitações torrenciais, enquanto outras localidades sofrerão com períodos severos de estiagem.
Altas temperaturas e escassez hídrica atingem a Região Norte com intensidade. Em Roraima, o Serviço Geológico do Brasil alertou para a probabilidade remota de cheia no Rio Branco, cuja bacia acumulou somente 45% da média de precipitação esperada entre julho e agosto. O leito fluvial opera em patamares próximos das marcas mínimas registradas.
Projeções divulgadas pelo Inmet indicam a manutenção desse quadro seco no Norte e no Nordeste pelo menos até novembro.
O déficit hídrico no solo nordestino atingirá 150 mm em áreas do Ceará e no centro-norte do Piauí. A mesma defasagem volumétrica alcançará a faixa oeste do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas.
O Sudeste registrará comportamento oposto, com acumulados pluviais acima da média climatológica em São Paulo e episódios de pancadas fortes restritas ao norte de Minas Gerais e ao Espírito Santo.
Meteorologistas concentram a vigilância na Região Sul, com expectativa de chuvas volumosas no Rio Grande do Sul. O solo gaúcho receberá um excedente hídrico superior a 150 mm durante o mês de outubro.
O Oceano Pacífico Central atingiu a marca de 2°C acima do padrão em 14 de setembro de 2026, depois de permanecer em 1,8°C por vários meses, quadro que levou a NOAA a estimar em 90% a chance de um evento muito forte, com aquecimento de até 3,4°C durante o outono e inverno do Hemisfério Norte.
As precipitações extremas registradas na mesma época estabeleceram recordes históricos em São Paulo e no Rio de Janeiro. No território paulista, os temporais provocaram duas mortes, deixaram um desaparecido e submergiram o município de Eldorado, localizado no Vale do Ribeira.
O Paraná registrou 21 mil afetados.
O El Niño decorre da elevação térmica incomum no Oceano Pacífico, condição que desorganiza o fluxo atmosférico e a distribuição de umidade no planeta. O Brasil sofre oscilações drásticas, que combinam enchentes em determinadas bacias com secas severas nos reservatórios de outras regiões.
Em condições normais de circulação, os ventos alísios sopram da América em direção à Oceania e à Indonésia, o que empurra as massas de água aquecida para o oeste e preserva temperaturas mais baixas no litoral da América do Sul.
O superaquecimento das águas tropicais enfraquece as correntes eólicas e acelera a taxa de evaporação sobre a bacia oceânica. Com esse bloqueio, a camada de calor retida junto à Oceania recua para a costa oeste sul-americana e desestabiliza o regime de chuvas.







