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A Toyota confirmou a produção de uma versão da picape Hilux movida a hidrogênio, sem motor a diesel ou gasolina, com chegada prevista para 2028. A montadora batizou o modelo de Hilux Fuel Cell, também chamada de Hilux FCEV, e projeta autonomia superior a 400 quilômetros pelo ciclo WLTP. A fabricante ainda não confirmou a venda do veículo no mercado brasileiro, já que a estratégia anunciada está ligada, por enquanto, à operação europeia.

A capacidade de reboque prometida chega a 2.500 kg, número relevante para um veículo pensado também para uso comercial e agrícola. A Toyota já construiu dez protótipos da Hilux a hidrogênio no Reino Unido, usados em testes de segurança, desempenho e durabilidade.

Como funciona uma picape movida a hidrogênio

A Hilux FCEV não queima hidrogênio como um motor convencional queima diesel ou gasolina. Ela funciona, na prática, como uma picape elétrica que gera sua própria energia a bordo.

O hidrogênio armazenado nos tanques alimenta uma célula de combustível. Ali ocorre uma reação eletroquímica com o oxigênio do ar, que produz eletricidade para mover o motor elétrico. O único resíduo expelido pelo escapamento é água.

Essa tecnologia não é nova para a Toyota, que desenvolve sistemas de célula de combustível há décadas em outros projetos da marca.

Toyota Hilux SRX Plus
Toyota Hilux SRX Plus – Divulgação

Números de autonomia e reboque miram uso comercial

A meta de mais de 400 quilômetros de autonomia e 2,5 toneladas de capacidade de reboque não é aleatória. Para veículos de trabalho, a Toyota afirma que não basta trocar o combustível: é preciso manter as características que tornaram as picapes ferramentas essenciais em fazendas, empresas e operações comerciais.

  • Autonomia superior a 400 km pelo ciclo WLTP
  • Capacidade de reboque de até 2.500 kg
  • Emissão de água pelo escapamento
  • Dez protótipos já testados no Reino Unido
  • Chegada ao mercado prevista para 2028

A fabricante aponta autonomia, uso intenso, abastecimento rápido e capacidade de carga como vantagens do hidrogênio em veículos comerciais.

Nona geração da Hilux terá diesel, elétrica e hidrogênio

A nona geração da Hilux foi projetada dentro de uma estratégia multitecnológica da Toyota. Conforme o mercado, a linha vai contar com versão diesel eletrificada por sistema de 48V, versão 100% elétrica a bateria e, mais adiante, a variante FCEV a hidrogênio.

Isso quer dizer que a Hilux poderá ter soluções técnicas bem diferentes dependendo da infraestrutura e das necessidades de cada região do planeta.

Para mercados agrícolas, fatores como distância, disponibilidade de abastecimento, capacidade de reboque e tempo parado pesam diretamente na viabilidade de qualquer nova tecnologia.

Antes das ruas, o teste será no Rali Dakar

A Toyota Gazoo Racing vai colocar uma Hilux equipada com célula de combustível no Dakar de 2027, disputando a categoria experimental Future Mission 1000.

O protótipo leva o nome de DKR GR FC Hilux e substitui o motor a gasolina do modelo de competição por um sistema de célula de combustível. A prova terá 13 etapas e mil quilômetros competitivos para os veículos dessa categoria.

A equipe da Toyota pretende submeter a tecnologia a condições severas de terreno e clima antes de levá-la ao consumidor final. É importante destacar que essa versão de competição é um projeto experimental, diferente do modelo de produção que chegará em 2028.

Onde abastecer é o maior desafio do projeto

Ainda existe um obstáculo considerável fora da caminhonete: a rede de abastecimento de hidrogênio segue limitada em boa parte do mundo.

A própria Toyota reconhece que carros a hidrogênio não vão ganhar escala sem o desenvolvimento simultâneo de infraestrutura, fornecimento do combustível e políticas públicas de incentivo. A fabricante trabalha na criação de ecossistemas de hidrogênio, principalmente na Europa.

Esse cenário ajuda a explicar por que a chegada da Hilux FCEV ao Brasil ainda não tem confirmação. Em áreas rurais, onde propriedades podem ficar a centenas de quilômetros dos centros urbanos, uma rede de postos limitada representaria uma barreira ainda maior para o uso da tecnologia.

Preço e durabilidade das células ainda são incógnitas

Enquanto carros de passeio ficam parados boa parte do dia, picapes comerciais rodam distâncias longas e precisam ficar disponíveis para o trabalho quase o tempo todo.

A Toyota defende que o hidrogênio pode ter papel relevante justamente nas aplicações que exigem uso intenso, autonomia elevada e pouco tempo parado no posto.

Preço final da picape, custo do próprio hidrogênio, disponibilidade de postos, durabilidade das células de combustível e valor de revenda ainda vão precisar provar, na prática, que a conta fecha para o consumidor.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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