A ex-vereadora e empresária Veronica Costa passou à condição de foragida da Justiça após a 16ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro expedir mandado de prisão definitiva contra ela na quarta-feira (23). A decisão ocorreu após o processo transitar em julgado com o esgotamento dos recursos apresentados pela defesa no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal.
Agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro realizaram diligências e buscas em diferentes endereços ligados à empresária na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes, mas ela não foi localizada pelas equipes policiais. A ordem judicial decorre de uma condenação definitiva a 10 anos e 8 meses de reclusão em regime inicialmente fechado pelo crime de tortura contra o ex-marido Márcio Giovani Costa.
Depoimento apontou 20 horas de agressões e cárcere
O crime ocorreu entre 21 e 22 de fevereiro de 2011 em uma residência localizada em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio. De acordo com o depoimento prestado pela vítima à polícia e acolhido na denúncia do Ministério Público, Márcio foi mantido em cárcere privado por cerca de 20 horas e submetido a agressões físicas contínuas após retornar com a ex-esposa de uma reunião política no Centro da cidade.
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Nos autos do processo judicial, a vítima afirmou que foi amordaçada, vendada e acorrentada a uma cama antes de ser levada para o banheiro da suíte, onde sofreu afogamentos sucessivos na banheira e no vaso sanitário. Márcio relatou ainda que os agressores lançaram spray inseticida em seu rosto, despejaram gasolina por todo o seu corpo sob ameaça de atear fogo e o intimidaram com choques elétricos durante o período em que esteve sob o domínio do grupo.
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Segundo o relato prestado por Márcio Costa à Justiça, a sessão de violência foi coordenada pela ex-parlamentar para cobrar supostos desvios financeiros. “Eu sei que você desviou dinheiro da minha campanha. Onde é que está o dinheiro? O que você fez com o dinheiro?”, teria afirmado Veronica durante as agressões registradas nos autos.
Participação de parentes e penas aplicadas
A denúncia do Ministério Público confirmou que quatro parentes da ex-vereadora atuaram como coautores durante as agressões. O irmão Bruno Chaves Ribeiro recebeu a mesma pena de 10 anos e 8 meses de prisão. A irmã Tatiane Chaves Ribeiro, o cunhado Bruno Marcelo Bahia Marques e o padrasto Sebastião de Oliveira Evangelista foram condenados a 10 anos de reclusão cada um.
A investigação policial começou logo após o registro da ocorrência em 2011, acompanhada por laudos periciais que atestaram lesões corporais e queimaduras na vítima. Por conta de ameaças recebidas após denunciar o caso, Márcio Costa trocou de endereço repetidas vezes até se mudar para Miami, nos Estados Unidos, onde vive há mais de uma década. Ao longo da tramitação processual, a defesa de Veronica Costa sustentou que a ré era inocente, afirmando que ela sofria violência doméstica do companheiro e atribuindo a ele o furto de bens materiais.
Cronologia das decisões judiciais no caso
- 21 de fevereiro de 2011 — Data do início das agressões e da manutenção da vítima em cárcere privado em Vargem Grande.
- 12 de abril de 2019 — Primeira condenação pela 16ª Vara Criminal, com imposição de pena inicial de 5 anos e 10 meses de prisão.
- 11 de abril de 2023 — Segunda Câmara Criminal do TJRJ atende pedido da acusação e eleva a condenação para 10 anos e 8 meses em regime fechado.
- 23 de setembro de 2026 — Juíza Daniele Lima Pires Barbosa expede mandado de prisão definitiva após o fim de todos os recursos nos tribunais superiores.
O paradeiro atual de Veronica Costa e dos quatro familiares condenados na mesma ação penal permanece sob investigação da Polícia Civil, uma vez que nenhum deles foi localizado ou compareceu perante as autoridades judiciais até o momento.
