Fenômeno El Niño impulsiona rápida escalada do furacão Polo no Oceano Pacífico
O furacão Polo atingiu a categoria 5 no Oceano Pacífico Leste após passar por um processo de intensificação rápida, passando de depressão tropical ao estágio mais severo da escala em 42 horas. A evolução, classificada como “verdadeiramente notável” pelo National Hurricane Center, órgão oficial de meteorologia dos Estados Unidos, representa a transição mais veloz registrada na região e no Atlântico desde 1970.
A força do ciclone foi impulsionada pela combinação entre o fenômeno El Niño e a passagem de uma onda Kelvin, que alterou a dinâmica de calor no oceano. O sistema elevou as temperaturas da superfície marinha a 31°C e garantiu índices superiores a 26,5°C até 73 metros de profundidade, impedindo que os ventos provocassem o resfriamento das águas por mistura e mantendo o fornecimento contínuo de energia térmica.
Indicadores meteorológicos e medições extremas do ciclone
A tempestade registrou um aumento de velocidade média do vento sustentado de 177 km/h no intervalo de 24 horas, saltando de 80 km/h no estágio de tempestade tropical para 257 km/h ao atingir a categoria máxima. Análises das medições indicaram que o pico de vento sustentado de Polo chegou a cerca de 290 km/h, o que empatou a formação com supertufões do Pacífico Ocidental como a tempestade mais forte registrada no planeta durante o ano de 2026.
Leia também: Atacama surpreende com neve incomum: El Niño intensifica tempestade no deserto
After meandering near southwest Mexico as a monster category 5 hurricane, #Polo is now on a steady northwest track away from the coast.
— Collin Gross (@CollinGrossWx) September 24, 2026
This weekend, it will take a turn north before hitting Baja California early next week as a category 1. pic.twitter.com/QfxzerrpRN
- Classificação máxima: categoria 5 na escala Saffir-Simpson
- Pico de ventos sustentados: cerca de 290 km/h
- Pressão atmosférica central mínima: 892 hPa
- Tempo de intensificação de depressão a categoria 5: 42 horas
- Aumento de velocidade do vento em 24 horas: 177 km/h
- Profundidade da camada de água acima de 26,5°C: 73 metros
Cronologia da formação e avanço no oceano
A trajetória do ciclone começou no último fim de semana em alto-mar e manteve progressão contínua em direção ao noroeste, aproximando-se da costa oeste mexicana.
Leia também: Levantamento revela que El Niño de 2023/2024 afetou 38% das áreas habitadas na Amazônia
- Domingo, 20 de setembro de 2026: Formação do distúrbio e classificação inicial como depressão tropical.
- Segunda-feira, 21 de setembro de 2026: Fortalecimento para tempestade tropical e rápida elevação para furacão.
- Terça-feira, 22 de setembro de 2026: Polo alcança a categoria 5 pela primeira vez, marcando pressão mínima de 892 hPa.
- Quarta-feira, 23 de setembro de 2026: Ciclone sofre pequena perda de força e recua temporariamente para categoria 4.
- Quinta-feira, 24 de setembro de 2026: Sistema recupera a categoria 5 e mantém alertas no litoral mexicano.
- Domingo, 27 de setembro de 2026: Previsão de início de chuvas volumosas perto da península de Baja California Sur.
Comparações históricas com outros furacões no Pacífico
O registro de Polo supera marcas históricas de desenvolvimento veloz no Pacífico Leste, aproximando-se de tempestades que causaram destruição no continente americano. Em 2015, o furacão Patricia estabeleceu a maior taxa de intensificação em 24 horas já documentada na bacia, com ganho de 193 km/h em seus ventos, além de conservar a menor pressão mínima da região. Em termos de pressão atmosférica, os 892 hPa aferidos em Polo colocam o ciclone como o segundo mais intenso de toda a série histórica do Pacífico Leste, atrás apenas de Patricia.
Saiba mais: Intensidade do El Niño aumenta 40% em relação ao período pré-industrial, diz pesquisa
Outro paralelo direto identificado por meteorologistas como Chris Dolce, da CNN, e o jornalista especializado Rafael Destro remete ao furacão Otis, que em 2023 passou por intensificação explosiva ao subir 169 km/h em 21 horas antes de atingir diretamente a cidade de Acapulco na categoria 5. Diferente de Otis, que avançou reto contra áreas densamente povoadas, o núcleo de Polo manteve o centro de circulação afastado da costa durante o processo de pico térmico.
Alertas emitidos para a costa do México
Mesmo com o centro da tormenta posicionado em alto-mar, autoridades de defesa civil e serviços meteorológicos emitiram alertas de tempestade tropical, perigo de inundações e risco de deslizamentos de encostas para faixas litorâneas dos estados de Guerrero, Michoacán e Colima. Os modelos meteorológicos indicam acumulados de precipitação que podem atingir a marca de 200 mm em setores do sudoeste mexicano, além de fortes ressacas marinhas geradas pela propagação das ondas.
Ainda não há confirmação se o núcleo do furacão fará impacto direto em solo continental mexicano com intensidade catastrófica. As projeções atuais apontam que o sistema seguirá contornando o litoral a uma velocidade de deslocamento lenta, com previsão de chuvas intensas associadas à aproximação da península de Baja California Sur no domingo (27).

