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Levantamento revela que El Niño de 2023/2024 afetou 38% das áreas habitadas na Amazônia

Seca na Amazônia - /Rafa Neddermeyer/Agência BrasiL
Foto: Seca na Amazônia - /Rafa Neddermeyer/Agência BrasiL
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Um levantamento do Mapbiomas divulgado em 4 de setembro de 2026 apontou que 38% das ocupações humanas da Amazônia enfrentaram forte exposição aos efeitos do El Niño registrado em 2024. Das 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sentiram o fenômeno com intensidade.

O El Niño aquece as águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e desregula a circulação atmosférica, deixando as chuvas irregulares. Na Amazônia, o efeito prático é seca e temperatura mais alta.

Pesquisadores cruzaram dados de chuva e de superfície de água para entender o tamanho do estrago causado pelo fenômeno na última vez em que ocorreu. A motivação é a previsão de meteorologistas de que este ano trará um “Super El Niño”, ainda mais forte.

Entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica calculada entre 1985 e 2025. As chuvas também vieram fracas, 27% abaixo do esperado para o período.

El Nino
El Nino – neenawat khenyothaa/ shutterstock.com

A temperatura máxima média nesses três meses subiu 2,6°C acima do padrão histórico da região.

“Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, afirma o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, Bruno Ferreira, integrante da equipe da Amazônia do Mapbiomas.

O levantamento também mediu o impacto sobre núcleos urbanos, áreas rurais, territórios indígenas, quilombolas e assentamentos.

Segundo os pesquisadores, 93% das localidades analisadas, um total de 5.273, estão a até 5 quilômetros de áreas que perderam superfície de água durante o fenômeno.

“A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais”, disse Bruno Ferreira.

Ao longo dos 41 anos de série histórica do estudo, a Amazônia perdeu 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa. O número representa queda de 14% na cobertura verde que existia antes.

A pesquisa combinou a Coleção 11 do Mapbiomas sobre Cobertura e Uso da Terra, a Coleção 5 sobre Água e a coleção beta sobre Atmosfera. Os cientistas também recorreram a dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística sobre áreas habitadas e informações do Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia.

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