Ciência

Bebê nasce nos Estados Unidos de embrião congelado há 31 anos

embrião - Carlos Duarte /istockphoto.com
embrião - Carlos Duarte /istockphoto.com

O nascimento de Thaddeus Daniel Pierce em London, no estado norte-americano de Ohio, estabeleceu um novo recorde mundial ao se desenvolver a partir de um embrião mantido congelado por mais de 31 anos. O procedimento culminou no parto registrado em 26 de julho de 2025, às 05h48 no horário local, superando a marca histórica anterior de criopreservação humana bem-sucedida.

A homologação oficial conduzida pelo Guinness World Records confirmou que o material biológico permaneceu armazenado durante 31 anos e 56 dias antes do parto. A mãe receptora, a ex-professora pré-escolar Lindsey Pierce, e seu marido, o profissional da área de dados Tim Pierce, recorreram à técnica de transferência embrionária após enfrentarem entre 7 e 8 anos de tentativas contra a infertilidade. Em declaração concedida sobre a motivação da família, Lindsey Pierce afirmou, em tradução livre: “Nós não entramos nisso pensando que quebraríamos recordes. Nós apenas queríamos ter um bebê”.

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Origem do embrião concebido em 1994 por fertilização in vitro

O embrião que deu origem a Thaddeus Daniel Pierce foi gerado em maio de 1994 por meio de fertilização in vitro realizada por Linda Archerd, atualmente com 62 anos, e seu então marido. Na ocasião, o processo médico gerou quatro embriões viáveis. Um deles foi implantado na época e resultou no nascimento de uma menina em 1995, enquanto as outras três estruturas celulares foram preservadas e mantidas imersas em tanques de nitrogênio líquido à temperatura de -196 °C, no estado do Oregon.

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Após a dissolução de seu casamento, Linda Archerd optou por arcar com os custos anuais de manutenção do armazenamento criogênico em vez de autorizar o descarte, a doação anônima convencional ou o envio das estruturas para pesquisas laboratoriais. A doadora manifestou publicamente a intenção de oportunizar o desenvolvimento dos embriões de modo que pudessem manter contato futuro com a família biológica: “Eu senti o tempo todo que essas três pequenas esperanças, esses pequenos embriões, mereciam viver assim como minha filha viveu”, afirmou Linda Archerd, em tradução livre. Com a concretização do nascimento, Thaddeus possui uma irmã biológica integral nascida do mesmo ciclo reprodutivo de 1994, que tem 30 anos e já é mãe de uma criança de 10 anos.

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Procedimento clínico na Rejoice Fertility e processo de adoção

A doação do embrião ocorreu por intermédio do programa Snowflakes, mantido pela organização cristã Nightlight Christian Adoptions. Esse modelo de intermediação concede aos doadores o direito de estipular critérios de preferência quanto ao perfil dos futuros pais receptores, incluindo exigências matrimoniais, religiosas, raciais e geográficas. Diante da preferência de Linda Archerd por um casal cristão, casado e residente nos Estados Unidos, Lindsey Pierce e Tim Pierce foram selecionados para receber o material.

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A etapa médica de implantação foi conduzida na clínica Rejoice Fertility, localizada no município de Knoxville, no Tennessee. Sob responsabilidade direta do médico endocrinologista reprodutivo John David Gordon e da embriologista-chefe Sarah Coe Atkinson, a transferência embrionária para o útero de Lindsey Pierce foi realizada em 11 de novembro de 2024. A embriologista Sarah Coe Atkinson detalhou que o intervalo exato contabilizado pela instituição foi de “trinta e um anos, dois meses e vinte dias desde quando Thaddeus nasceu até quando os embriões foram originalmente congelados no Oregon”, em tradução livre. Ao avaliar as possibilidades biológicas do tratamento, o médico John David Gordon resumiu a abordagem da equipe: “O único embrião que não pode resultar em um bebê é aquele que você não coloca”, afirmou, em tradução livre.

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Cronologia do embrião de Thaddeus Daniel Pierce desde 1994

  • 1 de maio de 1994 — Linda Archerd e seu marido realizam a fertilização in vitro no Oregon, gerando quatro embriões criopreservados em nitrogênio líquido.
  • 31 de outubro de 2022 — Gêmeos Timothy e Lydia Ridgeway nascem a partir de embriões congelados em abril de 1992, marcando o recorde anterior da Rejoice Fertility.
  • 11 de novembro de 2024 — Equipe médica realiza a transferência embrionária do material de 1994 para o útero de Lindsey Pierce em Knoxville.
  • 26 de julho de 2025 — Thaddeus Daniel Pierce nasce em London, no estado de Ohio, homologando o novo recorde mundial de criopreservação.

Diferenças de contagem e dados técnicos da criopreservação

A mensuração do tempo total em que o embrião permaneceu congelado apresenta pequenas divergências numéricas dependendo do critério aplicado por cada instituição envolvida. Enquanto o Guinness World Records estabeleceu formalmente o marco de 31 anos e 56 dias (equivalente a 11.148 dias) até o nascimento, a clínica Rejoice Fertility calculou o período em 31 anos, 2 meses e 20 dias com base na data da coleta original. Lindsey Pierce, em relatos públicos sobre o caso, chegou a citar 30 anos e 4 meses, total aproximado a 11.150 dias de estocagem laboratorial. O tempo prévio em que o casal buscou a gestação biológica também registra menções alternadas entre 7 anos em prontuários e 8 anos em depoimentos concedidos à imprensa.

O recorde mundial precedente pertencia aos gêmeos Timothy e Lydia Ridgeway, nascidos em 31 de outubro de 2022 a partir de embriões criopreservados em 22 de abril de 1992, somando aproximadamente três décadas sob refrigeração. Aquele procedimento também havia sido coordenado pelo corpo clínico da Rejoice Fertility no Tennessee, indicando estabilidade prolongada do material genético conservado a -196 °C.

Cenário regulatório de embriões e etapas pendentes do caso

O ambiente legal para a guarda de embriões criopreservados varia de maneira substancial no cenário internacional. Nos Estados Unidos, a legislação permite que as estruturas permaneçam em tanques de nitrogênio líquido indefinidamente, sem limites obrigatórios de descarte, o que viabiliza a existência de um estoque estimado em 1,5 milhão de embriões congelados mantidos no país. Em contraste, outros territórios aplicam restrições temporais estritas à prática médica: o Reino Unido estabelece uma tolerância máxima de 55 anos para o armazenamento, enquanto a Austrália determina o período padrão de até 5 anos.

A intermediação de embriões remanescentes encontra respaldo contínuo em organizações cristãs e grupos do movimento pró-vida, entidades que encaram as células reprodutivas não implantadas como vidas humanas a serem gestadas. No âmbito familiar de Thaddeus Daniel Pierce, a identidade do ex-marido de Linda Archerd, que atuou como doador biológico na fertilização de 1994, não foi tornada pública. Linda Archerd ainda não realizou o primeiro encontro presencial com o recém-nascido, embora mantenha contato com o casal e relate ter observado semelhanças físicas entre Thaddeus e a primeira filha que gerou na década de 1990.

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