Ciência

Com menos de 1 milhão de anos, o corpo celeste traz novas pistas sobre a formação de planetas

Exoplaneta
Exoplaneta - Nazarii_Neshcherenskyi/shutterstock.com

O exoplaneta Elias 2-24 b teve sua existência confirmada por astrônomos e se tornou o planeta mais jovem já registrado na história da ciência espacial. O astro tem menos de 1 milhão de anos de idade, enquanto sua estrela hospedeira possui cerca de 400 mil anos, apresentando um corpo celeste em pleno desenvolvimento no interior de uma lacuna do disco protoplanetário.

A comprovação científica foi liderada por uma equipe da Universidade Diego Portales, sediada em Santiago, no Chile, a partir do reprocessamento de informações arquivadas de telescópios internacionais. O pesquisador principal do estudo, Andrea Bernardi, doutorando na universidade chilena e integrante do Millennium Nucleus on Young Exoplanets and their Moons, afirmou que o aspecto mais notável de Elias 2-24 b é a idade, por ser o planeta mais jovem detectado até o momento e por permitir a observação direta de uma fase rara de formação planetária, na qual o astro ainda acumula ativamente material do ambiente ao redor.

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Dimensões e posição orbital do sistema Elias 2-24

O sistema estelar está situado a cerca de 450 anos-luz da Terra, na constelação de Ofiúco. O novo planeta orbita sua estrela a uma distância aproximada de 55 unidades astronômicas, o que equivale a quase o dobro da separação existente entre o Sol e Netuno. Mesmo nessa órbita afastada, o planeta já agregou matéria equivalente a múltiplos do maior planeta do Sistema Solar, acumulando gás e poeira diretamente da estrutura que o cerca.

  • Distância da Terra: aproximadamente 450 anos-luz, na constelação de Ofiúco
  • Idade estimada do planeta: menos de 1 milhão de anos, com estrela de 400 mil anos
  • Raio orbital médio: cerca de 55 unidades astronômicas em relação à estrela hospedeira
  • Massa segundo modelos evolutivos: entre 1,9 e 4 massas de Júpiter
  • Massa segundo a dinâmica da lacuna: entre 0,4 e 1,7 massa de Júpiter

Cronologia das descobertas sobre Elias 2-24 desde 2017

A identificação de Elias 2-24 b demandou quase uma década de coletas instrumentais e cruzamento de imagens obtidas por diferentes observatórios terrestres. Os dados acumulados permitiram transformar indícios iniciais de alterações na poeira espacial em uma detecção direta do planeta em órbita.

  • 2017 — O radiotelescópio ALMA capta os primeiros anéis e a grande lacuna estrutural no disco de poeira da estrela.
  • 2018 — O telescópio Keck II detecta o ponto luminoso com a câmera NIRC2 e um coronógrafo de vórtice.
  • 2020 — Uma nova rodada de dados do Observatório Keck registra novamente a fonte pontual acoplada ao sistema.
  • 2021 — O instrumento NaCo do Very Large Telescope confirma sinal infravermelho e emissão de monóxido de carbono no local.
  • 16 de setembro de 2026 — A divulgação oficial do estudo confirma a natureza planetária de Elias 2-24 b na revista The Astrophysical Journal Letters.

Método de verificação com arquivos do Observatório Keck

A equipe de pesquisadores concentrou os trabalhos na revisão de dados captados pelo Observatório W. M. Keck, situado em Maunakea, no Havaí. Para garantir que o ponto brilhante não fosse ruído instrumental nem uma estrela de fundo posicionada na mesma linha de visão, os astrofísicos examinaram imagens obtidas pela câmera NIRC2 do telescópio Keck II. Esse equipamento opera em conjunto com um coronógrafo de vórtice, dispositivo encarregado de bloquear a intensidade luminosa da estrela para permitir a visualização de objetos tênues ao redor.

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Os pesquisadores aplicaram algoritmos de processamento, inseriram modelos simulados nos conjuntos de dados e confrontaram as posições registradas entre 2018 e 2020. A análise comprovou que o objeto se desloca no espaço junto com a estrela principal, confirmando a ligação física e a órbita fechada do corpo recém-formado.

Desafios de Elias 2-24 b aos modelos tradicionais de formação

A confirmação de um planeta tão jovem a 55 unidades astronômicas de sua estrela contradiz os modelos clássicos de formação por acreção de núcleo. De acordo com essas formulações teóricas, a formação de um gigante gasoso exige cerca de 5 milhões de anos para que um núcleo rochoso capture camadas espessas de hidrogênio e hélio. O recorde anterior de menor idade pertencia a quatro mundos situados nos sistemas PDS 70 e WISPIT 2, ambos com idades estimadas em 5 milhões de anos, intervalo muito superior ao observado em Elias 2-24 b.

De acordo com Lucas Cieza, professor do Instituto de Estudos Astrofísicos da Universidade Diego Portales e coautor do trabalho, os modelos de formação planetária já enfrentavam dificuldades para explicar os recordistas anteriores, e o caso de Elias 2-24 b indica que mesmo as melhores formulações atuais ainda deixam de considerar processos importantes.

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Incertezas sobre o cálculo de massa e próximos passos

A massa exata de Elias 2-24 b ainda apresenta margem de incerteza para a astronomia. Os modelos evolutivos baseados em luminosidade indicam entre 1,9 e 4 massas de Júpiter, mas parte considerável da radiação infravermelha detectada pode derivar do choque do material que continua em queda livre sobre o planeta e do disco circumplanetário que o alimenta, e não apenas do calor interno de seu núcleo. Análises baseadas puramente na largura da lacuna aberta no disco apontam para índices menores, entre 0,4 e 1,7 massa de Júpiter.

Após a publicação formal do artigo, ampliada na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, os pesquisadores planejam utilizar novos instrumentos de sensibilidade espectral para medir as taxas de acreção e quantificar com precisão o ritmo de crescimento do planeta.

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