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Montadoras no Brasil ampliam importação da China com fábricas de elétricos

Fábrica de carro - artem evdokimov/shutterstock.com
Fábrica de carro - artem evdokimov/shutterstock.com

As importações brasileiras de autopeças da China atingiram US$ 585,3 milhões em agosto de 2026, uma disparada de 55,6% na comparação com os US$ 376 milhões registrados no mesmo mês de 2025. O país asiático forneceu 26,9% de todos os componentes automotivos adquiridos pelo mercado nacional no período, segundo dados oficiais divulgados pelo Sindipeças e pela Abipeças.

O resultado mensal consolidou a liderança chinesa no setor e elevou as compras acumuladas de janeiro a agosto de 2026 para US$ 3,78 bilhões, alta de 31,1% em relação ao ano anterior. Conforme a entidade, “esse padrão aponta para substituição de componentes tradicionais por alternativas chinesas ou redirecionamento estratégico de sourcing frente a dinâmicas tarifárias”.

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Números das compras de autopeças em agosto de 2026

  • Volume importado da China no mês: US$ 585,3 milhões
  • Crescimento na comparação com agosto de 2025: 55,6%
  • Participação chinesa no total de peças importadas: 26,9%
  • Déficit mensal da balança comercial brasileira de autopeças: US$ 1,47 bilhão
  • Data do relatório oficial do Sindipeças: sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Fornecedores tradicionais perdem fatia para componentes asiáticos

A fatia alcançada pela China no mês superou a soma dos três concorrentes seguintes no ranking de fornecedores externos. A Alemanha ficou na segunda posição, com 8,8% do total, seguida pelos Estados Unidos, com 8,4%, e pelo México, com 7,8%. O Japão fechou a quinta colocação, com 7,3% de participação.

No acumulado dos primeiros oito meses do ano, parceiros históricos registraram perdas severas no fornecimento à indústria nacional. As compras de peças vindas dos Estados Unidos recuaram 13,6%, as do Japão caíram 7,4%, as da França encolheram 19,7% e as da Suécia despencaram 25,6% ante o mesmo período de 2025.

Fábrica da BYD em Camaçari - Divulgação
Fábrica da BYD em Camaçari – Divulgação

Déficit comercial de autopeças atinge US$ 10,69 bilhões

A dependência por peças externas ampliou o descompasso na balança comercial automotiva do Brasil. Entre janeiro e agosto de 2026, as importações totais somaram US$ 15,9 bilhões, com avanço de 2,5%, enquanto as exportações caíram 4,1%, totalizando US$ 5,21 bilhões. O déficit acumulado no ano chegou a US$ 10,69 bilhões, crescimento de 6,1% em relação aos primeiros oito meses do ano anterior.

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O setor aponta que as condições financeiras locais afetam os investimentos internos. Segundo a entidade, “juros elevados e crédito limitado pressionam investimentos em modernização de plantas produtoras de autopeças e competitividade das exportações. Simultaneamente, a demanda doméstica por veículos segue forte, dependendo crescentemente de componentes importados, em especial tecnologia eletrificada”. A China detém essa liderança nas vendas de autopeças ao Brasil de forma ininterrupta desde 2018, mas o movimento acelerou com kits de montagem para eletrificados.

Expansão de fábricas e montagem de novos modelos

O avanço das peças asiáticas acompanha a instalação e ampliação de montagens locais pelos regimes de SKD, com veículos parcialmente desmontados, e CKD, totalmente desmontados. Empresas de origem chinesa aumentaram operações, como a BYD em Camaçari e a GWM em Iracemápolis, além do Grupo CAOA com a Changan em Goiás, que lançou o utilitário esportivo CS55 com motor 1.5 turbo de 180 cavalos a R$ 144.990.

A migração estratégica envolve também fabricantes tradicionais do mercado ocidental. A General Motors, presidida na América do Sul por Santiago Chamorro, passou a montar modelos elétricos originários da parceira chinesa SGMW na unidade PACE, localizada em Horizonte, no Ceará. No Paraná, a Renault Geely do Brasil iniciou a produção do utilitário híbrido EX5 EM-i, que combina propulsão elétrica e motor a combustão para entregar 262 cavalos de potência, dentro de um plano industrial conjunto de R$ 5,8 bilhões até 2027.

Dados ainda não discriminados nos balanços oficiais

O balanço comercial divulgado pelas entidades não discrimina o volume exato de peças importadas por cada montadora instalada no país. O levantamento também não detalha individualmente o montante financeiro correspondente de forma exclusiva a células e baterias de tração destinadas aos modelos elétricos e híbridos.

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A indústria nacional de autopeças contesta os incentivos fiscais e benefícios de ex-tarifários voltados a kits desmontados, enquanto a General Motors prepara para novembro o início da produção nacional do Chevrolet Captiva PHEV com componentes trazidos da China.

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