Eclipse de 2027 terá 6 minutos e 23 segundos de escuridão total no Egito
O eclipse solar total de 2 de agosto de 2027 terá até 6 minutos e 23 segundos de escuridão completa, tornando-se o mais longo visível em terra firme em um intervalo de 123 anos. O ápice do alinhamento astronômico ocorrerá na região de Luxor, no vale do rio Nilo, no Egito, com uma faixa de sombra que percorrerá partes do continente europeu, africano e do Oriente Médio.
A extensão da fase de totalidade supera os registros de qualquer evento astronômico similar observado em áreas continentais desde 1991 e permanecerá insuperável até 2114, segundo medições da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço. O astrofísico solar Ryan French, do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial em Boulder, no Colorado, classificou o fenômeno como “o evento imperdível, pois será o eclipse mais longo do restante de nossas vidas”.
Veja também: NASA escala quatro tripulantes para a missão SpaceX Crew-14
Cronograma e etapas do eclipse solar total de 2027
O desenvolvimento da sombra sobre a superfície terrestre seguirá um percurso contínuo de oeste para leste ao longo da manhã, com horários já calculados no fuso horário oficial de Brasília. A escuridão total terá seu ponto culminante quando o centro da Lua coincidir com o eixo solar visto a partir do território egípcio.
- 04h30 — Início global da fase parcial do eclipse
- 05h23 — Começo da fase de totalidade sobre as águas do Oceano Atlântico
- 07h06 — Ápice da totalidade com duração máxima no Egito
- 08h49 — Término da fase de escuridão total na superfície terrestre
- 09h43 — Conclusão de todas as etapas da observação parcial global
Trajetória da faixa de 258 quilômetros exclui território brasileiro
A faixa de totalidade projetada pela Lua terá aproximadamente 258 quilômetros de largura e começará seu trajeto continental pelo sul da Espanha e pelo território de Gibraltar. Em seguida, a linha central da umbra avançará pelo norte da África, cruzando áreas do Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito, antes de ingressar no Sudão, Arábia Saudita, Iêmen e Somália, onde a totalidade deixará a costa em direção ao Oceano Índico.
O território brasileiro estará completamente fora da área de alcance da sombra lunar, sem qualquer possibilidade de visualização direta, nem na fase total nem na parcial. A observação do Sol parcialmente encoberto ficará restrita a observadores situados em quase toda a África, em grande parte da Europa, no Oriente Médio, em porções do sul e do oeste da Ásia e em trechos isolados da costa leste da América do Norte.
Confira também: NASA escolhe telescópio espacial PRIMA para nova classe de missões substituindo James Webb
Perigeu da Lua amplia tempo de escuridão sobre a região de Luxor
A longa duração da escuridão máxima decorre de uma coincidência orbital: a passagem da Lua pelo perigeu, ponto em que o satélite fica mais próximo da Terra. Essa aproximação orbital ocorrerá cerca de 2,5 horas antes da fase máxima do eclipse, fazendo com que o diâmetro aparente da Lua no céu aumente de forma expressiva em relação ao tamanho angular do Sol e projete uma sombra substancialmente mais larga sobre a superfície terrestre.
O ponto geográfico mais favorável para a observação científica está concentrado no deserto egípcio, onde a probabilidade histórica de cobertura de nuvens em agosto é inferior a 10%, o que praticamente elimina riscos climáticos para os instrumentos terrestres. O professor de astrofísica da Universidade de Oxford Roger Davies apontou as condições do fenômeno para a ciência observacional: “Seis minutos e 23 segundos é muito tempo. Seus olhos vão se adaptar à escuridão. Espero que possamos ver muito mais [estrelas e planetas]”.
Durante a fase de totalidade máxima, a luminosidade diurna sofre uma queda abrupta semelhante ao crepúsculo profundo, revelando a coroa solar, que é a atmosfera externa do Sol normalmente ofuscada pela intensidade da luz emitida pela fotosfera. A adaptação da visão humana nesse intervalo permitirá o registro visual direto de estrelas brilhantes e planetas alinhados em pleno dia.
Comparação histórica com outros eventos entre 2009 e 2114
Embora represente o eclipse de maior duração sobre solo habitado entre 1991 e 2114, o evento de 2027 figura como o segundo mais extenso de todo o século 21 em termos gerais. O recorde absoluto do século pertence ao eclipse solar total ocorrido em 22 de julho de 2009, que atingiu 6 minutos e 39 segundos de escuridão, com ápice concentrado majoritariamente sobre o Oceano Pacífico.
- 22 de julho de 2009 — Registro do eclipse solar total mais longo do século 21, com 6 minutos e 39 segundos de totalidade sobre a Ásia e o mar
- 8 de abril de 2024 — Eclipse solar total na América do Norte com marca máxima de 4 minutos e 28 segundos de escuridão
- 12 de agosto de 2026 — Fenômeno com escuridão total de aproximadamente 2 minutos e 18 segundos
- 2 de agosto de 2027 — Evento de 6 minutos e 23 segundos em terra firme, centralizado em Luxor
- 12 de agosto de 2045 — Próximo eclipse solar total cuja rota de totalidade cruzará o território brasileiro
- 3 de junho de 2114 — Próximo fenômeno astronômico projetado para superar a duração de 2027, com previsão de 6 minutos e 32 segundos
Fluxo de viagens e preparativos para o eclipse em Luxor
A rede hoteleira de Luxor registra índices de reserva superiores a 90% para o início de agosto de 2027, impulsionada por expedições científicas e grupos de observação astronômica de diversos países. Apesar da alta ocupação na rede de hospedagem, as autoridades locais e os órgãos de turismo do Egito ainda não confirmaram a estimativa total de visitantes que desembarcarão no vale do Nilo para acompanhar o fenômeno.
Os observadores baseados no Brasil que pretendem presenciar a totalidade em solo nacional precisarão aguardar até 12 de agosto de 2045, data prevista para a passagem da próxima faixa de escuridão solar total pelo território do país.
