Vida na Terra teve ambiente favorável há 4,33 bilhões de anos

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Planeta Terra - adventtr/ Istockphoto.com

O ambiente da Terra primitiva estabilizou-se para abrigar a química essencial do chamado mundo de RNA há cerca de 4,33 bilhões de anos. A conclusão faz parte de um estudo computacional tridimensional liderado por pesquisadores ligados à Universidade de Bayreuth, na Alemanha, e ao Planetary Science Institute, nos Estados Unidos, que calculou o momento exato em que a crosta do planeta deixou para trás a fase de esterilizações contínuas provocadas por impactos espaciais.

A pesquisa determinou que os bombardeios celestes capazes de vaporizar oceanos inteiros e esterilizar o globo terrestre cessaram por volta de 4,4 bilhões de anos atrás. O artigo com os resultados, intitulado “A Hadean timeline for the emergence of the RNA World”, foi publicado na revista científica Nature Communications após passar pelo processo de revisão por pares.

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Dados da pesquisa e identificação científica

Foto: Planeta Terra – buradaki/ istockphoto.com
  • Data da publicação científica: 22 de setembro de 2026.
  • Instituição coordenadora na Alemanha: Bayerisches Geoinstitut da Universidade de Bayreuth.
  • Instituição parceira nos Estados Unidos: Planetary Science Institute.
  • Revista responsável pela divulgação: Nature Communications.
  • Artigo científico de referência: A Hadean timeline for the emergence of the RNA World.

O modelo matemático tridimensional reconstruiu detalhadamente o fluxo de impactos de asteroides, cometas e planetesimais contra a crosta terrestre durante os primeiros estágios do Sistema Solar. A partir dessas variáveis térmicas e geológicas, os autores identificaram um ponto ideal térmico e ambiental que permitiu a formação duradoura de água líquida em subsuperfície e nichos hidrotermais estáveis, adequados para que as primeiras reações bioquímicas complexas pudessem persistir sem serem aniquiladas.

Oleg Abramov, cientista sênior do Planetary Science Institute e primeiro autor da publicação, afirmou que a equipe utilizou uma abordagem diferente dos estudos anteriores, que eram baseados em modelagem geoquímica, análises biomoleculares e modelos da química atmosférica primitiva. O especialista conduziu os cálculos computacionais como pesquisador convidado no Bayerisches Geoinstitut da Universidade de Bayreuth.

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Além de Abramov, a pesquisa foi desenvolvida pelo professor Stephen J. Mojzsis, vinculado ao Bayerisches Geoinstitut e ao Centro de Pesquisa em Astronomia e Geociências da Hungria, por Anna Medvegy, da Universidade Eötvös Loránd e do centro húngaro, e por Barbara Kremer, pesquisadora do Instituto de Paleobiologia da Academia Polonesa de Ciências. O grupo utilizou dados geológicos reais de rochas terrestres e informações de amostras lunares para parametrizar o impacto das colisões cósmicas.

Estabilidade térmica da crosta terrestre primitiva

A simulação computacional analisou especificamente os primeiros 300 metros da crosta terrestre para calcular o volume de ambientes hidrotermais que mantinham temperaturas abaixo de 110 °C. Esse patamar é considerado o limite de tolerância térmica para a sobrevivência e preservação de moléculas orgânicas delicadas, já que temperaturas superiores desestabilizam as pontes químicas fundamentais dessas estruturas em formação.

Durante os períodos mais violentos do planeta, a queda esporádica de bólidos espaciais com mais de 500 quilômetros de diâmetro gerava energia suficiente para vaporizar os oceanos em formação e fazer a superfície terrestre ultrapassar 300 °C por milênios. O manto operava com processos intensos de convecção que derretiam e reciclavam a crosta repetidas vezes, impedindo a concentração estável de precursores químicos.

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Com o arrefecimento dessas catástrofes extremas após a marca de 4,4 bilhões de anos, as fontes termais da crosta rasa passaram a fornecer calor moderado contínuo. Essas fontes aceleravam as reações químicas orgânicas em ritmo mais veloz do que ocorreria em um planeta totalmente frio, permitindo que os blocos construtores da biologia interagissem com alta densidade.

Evolução temporal do planeta e marcas do Hadeano

  • 4,5 bilhões de anos atrás — Início do éon Hadeano a partir da acreção planetária e do impacto formador da Lua.
  • 4,4 bilhões de anos atrás — Época calculada em que cessaram os bombardeios celestes capazes de provocar esterilização global.
  • 4,33 bilhões de anos atrás — Ponto ideal térmico calculado pelo modelo 3D para o início favorável do mundo de RNA na Terra primitiva.
  • 4,0 bilhões de anos atrás — Formação das mais antigas rochas terrestres preservadas e encerramento do éon Hadeano.
  • 22 de setembro de 2026 — Publicação oficial do artigo científico na revista Nature Communications.

A hipótese do mundo de RNA estabelece a existência de um período em que moléculas autorreplicantes de RNA exerciam simultaneamente a função de armazenamento de dados genéticos e a catálise de reações químicas. Essa estrutura simplificada teria operado muito antes do surgimento das primeiras células modernas, nas quais o DNA armazena o genoma e as proteínas realizam as funções de catalisação.

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Até a conclusão deste novo estudo tridimensional, as estimativas cronológicas para essa fase primordial variavam com amplas margens de divergência, oscilando entre intervalos de 4,46 a 4,26 bilhões de anos e de 4,45 a 3,9 bilhões de anos atrás. O novo método conseguiu afunilar as probabilidades temporais com base na termodinâmica física da crosta após os impactos.

Abramov declarou que a cronologia calculada coincide com estimativas anteriores de aproximadamente 4,35 bilhões de anos atrás, mas explicou que a margem de incerteza do grupo é significativamente mais estreita.

Lacunas científicas sobre a origem molecular

Apesar do detalhamento das condições físicas favoráveis na crosta do éon Hadeano, a comunidade científica ainda não possui consenso fóssil nem comprovação laboratorial definitiva de que moléculas puras de RNA foram as primeiras formas biológicas funcionais. Há hipóteses concorrentes que investigam se a biologia começou a partir de um arranjo híbrido simultâneo composto por moléculas de RNA e peptídeos primitivos.

As pesquisas prosseguem agora com análises geoquímicas refinadas e modelos da dinâmica hidrotermal profunda para determinar se nichos subterrâneos isolados conseguiram preservar os compostos químicos precursores por períodos ainda mais longos.

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