A Polícia Civil de Santa Catarina e o Ministério Público investigam como um bebê de 1 ano e 6 meses escapou sozinho do Centro de Educação Infantil Antônio Volpato, no bairro Lado da União, em Braço do Norte. A criança percorreu cerca de 50 metros desacompanhada até alcançar o local de trabalho da mãe, onde foi acolhida na recepção sem ferimentos.
O caso ocorreu na manhã de sexta-feira, 25 de setembro de 2026, e motivou a instauração de um inquérito policial e de uma notícia de fato no Ministério Público de Santa Catarina. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Educação e Desporto abriu uma sindicância administrativa para averiguar as condutas internas da equipe escolar.
Câmeras registraram trajeto da criança em rua de Braço do Norte
Câmeras de monitoramento instaladas na vizinhança registraram o momento em que o menino caminhou desacompanhado pela via pública. Durante o trajeto, a gravação mostra que a criança caiu ao tentar subir no meio-fio da calçada, mas levantou-se rapidamente e prosseguiu a pé. O percurso feito pelo bebê incluiu uma rua sem saída próxima à Rua Expedicionária Luiz Coan, via com fluxo intenso de veículos de grande porte, como caminhões de carga e máquinas agrícolas.
Ao atingir a sede da empresa onde a mãe atua como analista de departamento pessoal, a criança bateu na porta de vidro da entrada. A funcionária da recepção encontrou o menino desacompanhado e o conduziu imediatamente para o interior do prédio comercial.
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“A nossa recepcionista chega com ele no colo e logo de cara eu já me apavorei e perguntei ‘ele caiu? O que aconteceu?’. E ela falou ‘ele está sozinho'”, relatou a mãe, Naiara Ascari Vieira. “Poderia ter acontecido uma tragédia com o meu filho.”
Como o bebê conseguiu sair do CEI Antônio Volpato?
A dinâmica exata de como o menino conseguiu transpor os portões da creche sem ser notado por nenhum monitor, professor ou vigilante escolar ainda não foi esclarecida pelos investigadores. O CEI Antônio Volpato passava por obras de reforma no momento do episódio, cenário que provocou acúmulo de materiais de construção no pátio externo e movimentação frequente de operários. No instante da evasão, a turma realizava atividades recreativas no parque infantil, setor que fica situado muito perto da portaria e do acesso à rua.
A delegada Jéssica Borges, responsável pela condução do caso na Polícia Civil de Santa Catarina, informou que as apurações buscam entender todo o percurso e as condições de vigilância do prédio. “Entre a creche e o local de trabalho da mãe, há uma rua sem saída, que a criança atravessou para chegar lá”, explicou a autoridade policial. “O inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias do ocorrido e, com o aprofundamento das investigações, será possível estabelecer a definição jurídica.”
A secretária de Educação e Desporto de Braço do Norte, Joana Silva Lessa, afirmou que a apuração interna tramita de forma independente. “O encaminhamento da sindicância, abertura de um processo administrativo para apurar toda a situação. O processo já está instaurado. Nós, enquanto gestão, não temos acesso a essa comissão, até por uma questão de sigilo e procedimento do próprio sistema”, declarou.
Cronologia da evasão escolar e medidas adotadas
- 25 de setembro de 2026, às 07:20: a mãe deixa o menino na unidade escolar.
- 25 de setembro de 2026, entre 08:45 e 08:50: o bebê deixa o parque infantil, caminha pela rua e alcança o trabalho da mãe.
- 28 de setembro de 2026: a criança é transferida pela família e passa a frequentar outra creche municipal.
- 29 de setembro de 2026: a 3ª Promotoria de Justiça instaura notícia de fato sobre o ocorrido.
Prazos legais fixados pelo Ministério Público
- 3 dias: prazo para a prefeitura enviar cópia integral das gravações das câmeras de segurança da creche.
- 5 dias: prazo para a Polícia Civil prestar informações preliminares sobre o inquérito à promotoria.
- 2 de outubro de 2026: vistoria agendada pela promotora Luísa Niencheski Calviera no CEI Antônio Volpato para colher depoimentos da equipe escolar.
