A MetSul Meteorologia emitiu um alerta climático nesta quinta-feira (1) indicando que áreas do Sul do Brasil devem registrar volumes de chuva extrema ao longo do mês de outubro de 2026. As projeções apontam acumulados entre 300 mm e 500 mm em grande número de municípios, com pontos isolados que podem superar a marca de 500 mm.
O meteorologista da MetSul Meteorologia, Luiz Fernando Nachtigall, informou que diversos municípios nas regiões sob maior risco devem receber em 30 dias o volume climatologicamente esperado para toda a estação da primavera. “Vários municípios nestas áreas de maior risco devem terminar outubro com precipitação 200% a 300% da média histórica do mês, chovendo apenas em outubro o que costuma chover, pela climatologia histórica, em toda a primavera”, afirmou o meteorologista.
Metade Norte gaúcha, Paraná e Santa Catarina concentram risco
Os maiores acumulados de precipitação estão previstos para a metade Norte do Rio Grande do Sul, todo o estado de Santa Catarina e o Paraná. O perigo de precipitação excessiva é apontado como muito alto principalmente na faixa que se estende do Centro para o Oeste catarinense e paranaense, onde os modelos atmosféricos apontam volumes que podem atingir níveis extraordinários em algumas localidades.
O quadro meteorológico eleva consideravelmente o perigo de transbordamento de bacias hidrográficas, cheias severas de rios, inundações, enxurradas e deslizamentos de encostas. Os mananciais mais vulneráveis são aqueles cujas cabeceiras ou cursos principais atravessam as regiões com maior concentração de umidade prevista para as próximas semanas.
El Niño recorde e dinâmica da primavera explicam os temporais
A configuração de instabilidade decorre da intensificação recorde do fenômeno El Niño apurada em setembro, superando o registro histórico anterior de 2015. O fenômeno ingressa em sua fase mais intensa, que deve alcançar o pico até o final deste ano, alterando o padrão de circulação dos ventos e favorecendo a formação constante de nuvens carregadas sobre a parte meridional do território brasileiro.
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A própria dinâmica sazonal da primavera atua como fator multiplicador dos temporais. Sendo um período de transição climática, a estação combina o aumento gradual das temperaturas com a incursão frequente de massas de ar frio. Historicamente, essa colisão entre massas de ar distintas sob atuação de um episódio forte de El Niño resulta em eventos repetidos de precipitação torrencial no Sul do país.
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Projeções numéricas e dados meteorológicos para outubro
- Precipitação projetada: entre 300 mm e 500 mm na maior parte das áreas de risco, com marcas superiores a 500 mm em pontos isolados.
- Anomalia climatológica esperada: volumes equivalentes a 200% e 300% da média histórica do mês em diversas cidades.
- Horizonte de modelos: consenso sobre chuva excessiva entre projeções numéricas de médio prazo de 15 dias e simulações climáticas de padrão ensemble do Centro Europeu (ECMWF).
- Ameaças geológicas e hidrológicas: alto perigo de inundações graduais em bacias regionais, enxurradas repentinas e deslizamentos de terra.
Incertezas sobre a distribuição dos maiores acumulados
Apesar do consenso entre os modelos de previsão numérica e climática sobre o padrão geral excessivo para os próximos 15 a 30 dias, a distribuição geográfica exata dos volumes que podem superar os 500 mm ainda dependerá do deslocamento de cada frente fria e do surgimento de sistemas convectivos de mesoescala ao longo de outubro de 2026.
