Painel federal projeta El Niño de intensidade muito forte no Brasil

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Painel El Niño - Reprodução/inmet.gov.br Foto: Painel El Niño - Reprodução/inmet.gov.br

O fenômeno El Niño tem 95% de probabilidade de atingir intensidade muito forte no trimestre entre outubro e dezembro de 2026 no Brasil. A estimativa consta no quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado em conjunto por sete órgãos federais, indicando que o episódio atual pode se consolidar entre os mais intensos já registrados no planeta desde 1950.

O monitoramento integrado reúne o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). O estudo indica que a atuação do fenômeno deve persistir ao menos até o primeiro trimestre de 2027, mantendo as temperaturas acima da média histórica na maior parte do território nacional.

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Seca extrema avança em 24 municípios do Centro-Norte

El Niño - reprodução
Foto: El Niño – reprodução

O aquecimento contínuo das águas do Oceano Pacífico Equatorial superou a anomalia de 2 °C nas áreas central e leste no final de setembro de 2026, acelerando os reflexos meteorológicos no país. Dados apurados pelo Cemaden mostram que o total de municípios em condição de seca extrema saltou de 4 para 24 em um mês, enquanto as localidades classificadas em seca severa subiram de 153 para 197. O agravamento da estiagem atinge com maior severidade áreas dos estados do Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.

Na Região Nordeste, 16% do território enfrenta nível de seca grave. Na Região Norte, a escassez de precipitações reduziu com rapidez o volume dos rios Branco e Negro, provocando restrições na navegação comercial e dificuldades operacionais para a captação de água potável em municípios de Roraima, do Acre e do Amazonas.

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Chuvas intensas e cheias atingem bacias no Sul

Em contraste com a estiagem do Centro-Norte, a Região Sul enfrenta volumes excessivos de água. As precipitações elevaram os níveis dos rios e provocaram inundações nas bacias dos rios Taquari e Caí, no Rio Grande do Sul, além de transbordamentos em cidades de Santa Catarina. O Serviço Geológico do Brasil emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para os estados sulistas ao longo de 2026, com previsão de continuidade de chuva acima da média histórica até dezembro, ainda que com tendência de alívio gradual até o fim do período.

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Impactos do El Niño na produção agropecuária por região

As variações térmicas e de umidade interferem no calendário agrícola nacional, afetando lavouras de diferentes culturas conforme a região:

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  • Centro-Norte: escassez de chuva e calor intenso elevam os riscos para lavouras de soja, lavouras de café e criação de gado no semiárido.
  • Sul: umidade elevada beneficia o milho, mas o excesso de chuva atrasa o plantio de soja e arroz e aumenta a proliferação de doenças no trigo.
  • Sudeste e leste do Nordeste: previsão meteorológica aponta precipitações acima do padrão habitual no trimestre.

Canais de alerta da Defesa Civil e monitoramento oficial

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil orienta moradores de áreas vulneráveis a manterem cadastro preventivo para o recebimento de alertas emergenciais. O serviço opera de forma gratuita pelo envio do CEP por mensagem de texto via SMS para o número 40199, além de suporte digital pelo WhatsApp no telefone (61) 2034-4611 e no aplicativo Telegram. As instituições federais participantes manterão a divulgação de relatórios periódicos para orientar os planos estaduais e municipais de contingência.

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