Tumba de Tutancâmon pode ter complexo oculto de até 30 metros ao norte
A tumba de Tutancâmon, situada no Vale dos Reis, em Luxor, no Egito, apresenta anomalias subterrâneas que indicam a provável existência de corredores e até seis câmaras secretas adjacentes. Um modelo geofísico identificou um complexo contíguo que se estende entre 25 e 30 metros em direção ao norte da câmara mortuária. As conclusões reacenderam a teoria arqueológica de que a estrutura oculta possa abrigar o sepulcro original da rainha Nefertiti.
O levantamento compila dez anos de investigações e sete campanhas de campo, incluindo coletas realizadas em 2023 e 2024, sob liderança de Mamdouh Eldamaty, arqueólogo da Universidade Ain Shams e ex-ministro de Antiguidades do Egito. A equipe utilizou radar de penetração no solo e microgravimetria para mapear o subsolo rochoso sem danificar a tumba KV62. Em declarações sobre os resultados, Eldamaty afirmou que os dados “sugerem um possível complexo oculto de corredores e salas”, em tradução livre, e avaliou que a comprovação do espaço “pode potencialmente figurar entre as descobertas arqueológicas mais transformadoras da era moderna”, também em tradução livre.
Varredura de radar detecta corredor de dois metros e anomalias na rocha
As medições geofísicas revelaram um corredor de cerca de dois metros de largura preenchido por entulho, que parte diretamente da câmara funerária de Tutancâmon e segue rumo ao norte. Em cooperação com o engenheiro estrutural e especialista em geofísica George Ballard, os pesquisadores executaram mais de 1.200 leituras de microgravimetria em uma área de 35 metros quadrados da superfície rochosa para determinar variações de densidade no interior da montanha.
Os sinais captados indicam a existência de cinco ou seis compartimentos adicionais dispostos ao longo do prolongamento do corredor. Os cientistas solicitaram formalmente ao Conselho Supremo de Antiguidades do Egito autorização para perfurar a rocha e inserir microcâmeras a partir de 1 de novembro de 2026. O plano prevê perfurações estreitas, com diâmetro entre 7 e 8 centímetros, destinadas à passagem de sondas ópticas e veículos operados remotamente para visualização direta do ambiente.
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Dados técnicos do levantamento na tumba KV62 em Luxor
- Local do estudo: tumba KV62 de Tutancâmon, no Vale dos Reis, em Luxor, no Egito
- Extensão estimada do complexo oculto: entre 25 e 30 metros ao norte da câmara mortuária
- Largura do corredor subterrâneo detectado: cerca de 2 metros, preenchido por entulho
- Volume de medições realizadas: mais de 1.200 leituras de microgravimetria em 35 metros quadrados
- Diâmetro dos furos de teste planejados: 7 a 8 centímetros para introdução de microcâmeras
- Número estimado de divisões internas: 5 a 6 câmaras ou compartimentos de armazenamento
Arquitetura incomum no Vale dos Reis sustenta teoria de 2015
A configuração espacial da tumba KV62 sempre chamou a atenção da comunidade arqueológica por suas dimensões reduzidas em comparação com os sepulcros de outros governantes da 18ª Dinastia. Desde a descoberta original da tumba intacta por Howard Carter, em 4 de novembro de 1922, vigora a hipótese de que Tutancâmon morreu de forma repentina na juventude e acabou enterrado às pressas na antecâmara de uma sepultura projetada para outra figura da realeza egípcia.
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Essa linha de raciocínio ganhou força em 11 de agosto de 2015, quando o egiptólogo britânico Nicholas Reeves propôs publicamente pela primeira vez que a câmara funerária de Tutancâmon mascarava o túmulo de Nefertiti. A tese se apoia ainda em um elemento arquitetônico específico: a entrada da KV62 apresenta um desvio à esquerda. Durante a 18ª Dinastia, esse desenho correspondia ao padrão aplicado exclusivamente a sepulturas de rainhas, enquanto as tumbas concebidas para faraós masculinos tinham desvios regulares para a direita. Nefertiti governou o Egito Antigo ao lado de Akhenaton durante o período de Amarna no século XIV a.C., mas a localização de sua múmia e de seus aposentos fúnebres permanece sem solução.
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Divergências sobre o faraó Ay e riscos de desabamento no interior da tumba
Apesar do entusiasmo com os novos relatórios geofísicos publicados em 17 de setembro de 2026, a interpretação sobre quem ocuparia o complexo adjacente divide a egiptologia. Enquanto Reeves e Eldamaty sustentam a tese ligada a Nefertiti e aos membros da corte de Amarna, o egiptólogo e ex-ministro de Antiguidades do Egito Zahi Hawass rejeita a proposta e defende uma destinação diferente para a obra. “É mais provável que a KV62 tenha sido originalmente uma tumba pequena destinada a Ay”, declarou Hawass, em tradução livre, referindo-se ao conselheiro que sucedeu Tutancâmon no trono.
Outro contraponto envolve o histórico de medições na área. Varreduras e exames geofísicos conduzidos em 2018 por equipes italianas haviam apontado resultados negativos ou inconclusivos a respeito de grandes cavidades imediatas atrás das paredes pintadas. Além disso, George Ballard alertou que eventuais espaços subterrâneos podem ter sofrido danos estruturais severos e entulhamento decorrentes de inundações que atingiram a bacia rochosa ao longo dos últimos três milênios.
Até o momento, não existe confirmação visual nem física da presença das câmaras, de artefatos ou de sarcófagos no local. O início da etapa prática das investigações permanece condicionado ao aval oficial do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, que ainda não emitiu autorização para a abertura dos furos de teste na rocha de Luxor.
